Estou casada há pouco mais de três meses, e muito longe de qualquer fatalismo, mas fincada na esperança encarnada, tenho experimento a beleza da Vontade de Deus: em tudo ser conduzido para Cristo. E para mim, o matrimônio, como a concretização desse chamado do Senhor, não tem sido teoria, nem poesia solta — tem sido muita alegria, tempo, promessa, paciência e sim, ela, a cruz.
Tenho descoberto que amar não é só viver dias felizes: é viver dias inteiros. Diante disso, das grandes alegrias, vitórias e mortes para mim, porque é disso que a vontade de Deus é feita, me recordei de uma situação que eu e o Lucas, hoje meu marido, vivemos pouco antes de nos casarmos. Descobrimos por uma amiga que teria uma relíquia da Santa Cruz em um mosteiro perto de onde moramos. Eu falei para o Lucas que precisávamos dar um jeito de ir, havia uma sede no meu coração, pouco antes do casamento, de me encontrar com o madeiro que ergueu o Amado da minh ‘alma e que me salvou.
Foi um grande caos logístico para irmos, mas demos um jeito e conseguimos. O mais simples extraordinário e surpreendente foi que, ao chegarmos à Igreja, em busca da Cruz, nos deparamos com um casamento sendo celebrado. Aquilo foi tão sutil, mas à mesma medida, tão poderoso. Eu falei para o Lucas: “viemos em busca da Cruz, e o Senhor nos presenteou com um matrimônio”.
Naquela beleza da noiva, na sede do noivo que ansiava, havia ela: a Cruz, o sinal mais puro e concreto da Doação Total e Fiel de Cristo. Na alegria, a Cruz também estava presente, pois uma não é excludente da outra. Por que? Porque Cristo é alegria. Uma alegria que não depende de tudo dar certo, mas que nasce de saber que Ele é Tudo, de que tudo é por Ele, para Ele e com Ele. Quando dois se unem diante do altar, eles não se bastam. Eles acolhem o Verdadeiro “Eu Sou”. E se Ele for o centro, tudo muda. Até a cruz muda.
Cruz e Matrimônio:
A cruz, no matrimônio, não é um peso opressor. É lugar de encontro. É ali que o amor deixa de ser frágil. Amar o outro quando tudo é fácil, todo mundo faz. Mas amar quando custa — amar no cansaço, na limitação, na diferença — isso gera uma alegria que o mundo não consegue explicar. É a alegria de ter amado de verdade. Como Cristo.
A cruz no matrimônio é, muitas vezes, feita de silêncio, de espera, de perdão. Mas é carregada a dois — e sustentada por Cristo. E quando é abraçada com Ele, ela se transforma. Não desaparece, mas revela sua beleza: porque gera vida, gera frutos e aprofunda o amor. E posso dizer com alegria e com a aparente inexperiência dos meus 22 anos de vida e apenas 3 meses de casada, que no meio da pressa e da cultura do descarte, escolher permanecer com o outro, por Ele, é santificador, é uma experiência que vale a vida.
Posso também dizer que descobri que a verdadeira liberdade está em amar alguém até que eu pare de respirar. Que, mesmo em meio a quedas, posso descansar em saber que Cristo agirá, porque o meu marido é Dele, a minha vida é para Ele, e, sobretudo, o meu matrimônio é para a honra Dele e para uma eternidade com Ele. E por isso, mesmo entre lágrimas, têm uma esperança que não cessa, a busca de um Céu Eterno com o grande Amor da minha vida e da vida do meu marido: Jesus Cristo.
Caminho de Amor:
No fim, o matrimônio é isso: um caminho de santidade feito de carne, de escolhas, de fé. Um lugar onde Deus se deixa encontrar nas coisas mais simples. Onde Cristo vive com os dois. Onde o amor é, sim, uma cruz — mas uma cruz leve, doce, carregada com Alguém que já venceu.
E a grande alegria do casamento não está em ser fácil. Está em ser real. Está em saber que, mesmo com tudo o que falta, Cristo está. Ele sustenta. Ele transforma. Ele é a alegria não escondida, mas escancarada no centro da Cruz.
Ana Clara Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator



