15 DE SETEMBRO, DIA DE NOSSA SENHORA DAS DORES

Nossa Senhora das Dores, também chamada de Mãe Dolorosa ou da Piedade, teve sua celebração instituída em 1814, quando o Papa Pio VII a incluiu no calendário romano, fixando-a no dia seguinte à festa da Exaltação da Santa Cruz. Antes disso, a ordem dos Servos de Maria, fundada em 1233, já celebrava essa memória. Em 1668, conseguiram autorização do Papa para celebrar a missa votiva em honra de Nossa Senhora das Dores.

Mais tarde, em 1692, o Papa Inocêncio XII permitiu que a memória fosse celebrada no terceiro domingo de setembro. Contudo, em 1714, a celebração foi transferida para a sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos. Finalmente, em 18 de setembro de 1814, Pio VII estendeu a festa a toda a Igreja, fixando-a novamente no terceiro domingo de setembro. Foi o Papa Pio X quem, depois, determinou que fosse celebrada em 15 de setembro, um dia após a Exaltação da Santa Cruz, sob o título de Nossa Senhora das Dores, e não de Sete Dores de Maria. Isso porque não celebramos apenas as dores em si, mas a Mãe de Deus que, mesmo sofrendo, venceu a dor e nos ensina a superar as nossas próprias dores.

A memória de Nossa Senhora das Dores, que é especialmente lembrada ao longo da Semana Santa, sobretudo na Sexta-Feira Santa (pois ela foi aquela que esteve aos pés da cruz de Jesus), nos convida a reviver esse momento marcante da história da salvação, venerando a Mãe de Jesus associada à Paixão de Seu Filho, vendo-O pregado e erguido na cruz. No Calvário, a maternidade de Maria assumiu uma dimensão universal: ela se tornou a Mãe de todos os viventes: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí o seu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí a sua mãe’. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (João 19, 26-27).  Por isso a chamamos Nossa Senhora: porque ela é realmente nossa Mãe!

Nossa Senhora das Dores é também conhecida como Nossa Senhora da Consolação, porque consola, fortalece, conforta e reacende a esperança. Na escola de Maria, aprendemos que para todo mal há um remédio, para cada dor há um consolo, para cada solidão há um Deus que acolhe, perdoa e renova, mas que especialmente NUNCA NOS ABANDONA!

A  Sete dores de Nossa Senhora 

A devoção à Virgem das Dores e às suas Sete Dores se referem a momentos dolorosos da vida de Nossa Senhora. Suas Sete Dores correspondem ao mesmo número de episódios narrados no Evangelho:

  1. A profecia de Simeão sobre Jesus (Lucas 2,34-35).
  2. A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus 2,13-21).
  3. O desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lucas 2, 41-51).
  4. O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas 23, 27-31).
  5. O sofrimento e a morte de Jesus na Cruz (João 19, 25-27).
  6. Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mateus 27, 55-61).
  7. O sepultamento do corpo do filho no Santo Sepulcro (Lucas 23, 55-56).

Na oração da Ave-Maria, rezamos: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”. Esse trecho é um rogo de confiança: pedimos que Maria interceda por nós em todos os momentos, especialmente na hora da dor e da morte. Contemplemos a imagem de Nossa Senhora das Dores e peçamos sua intercessão nas nossas próprias dores, que Ela nos ensine a viver os sofrimentos da vida com sentido e resignação, assim como Ela mesma fez.

Na Salve Rainha rezamos: “a Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas” e a vida é mesmo um vale de lágrimas, ninguém, absolutamente ninguém está livre de sofrimentos na vida, das mais diferentes formas. Uns sofrem por dificuldades financeiras, outros por problemas familiares, outros por doenças, luto, injustiças… são tantas as formas de sofrimento que enfrentamos na vida e elas atingem a todos indistintamente, Jesus não nos prometeu uma vida livre de sofrimentos, ao contrário! Em João 16, 33, Jesus Ele diz claramente: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Nem mesmo Sua Santa Mãe foi isenta do sofrimento, e como Ela sofreu! Porém, ela nos ensina a não nos desesperarmos diante das dificuldades, mas a aceitar tudo o que acontece nas nossas vidas como parte do plano de Salvação de Deus para nós. Mesmo em meio à dor, ao sofrimento e à morte, devemos confiar plenamente no Senhor, que nos prometeu alegria eterna no Céu!

Às vezes, somos tentados a acreditar que essa vida tem um fim nela mesma – NÃO! Não somos deste mundo, estamos aqui de passagem, todo sofrimento será passageiro. Uma das mensagens mais profundas de encorajamento foi escrita pelo apóstolo Paulo para a igreja de Corinto em um momento em que os cristãos enfrentavam severas perseguições e dificuldades físicas: “pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos produzem para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Coríntios 4, 17-18).
Outras passagens bíblicas se referem ao sofrimento passageiro desta vida e da alegria que nos aguarda no Céu:

Romanos 8, 18: “Considero, pois, que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.”

Salmo 30, 5: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.

Celebremos com o coração cheio de esperança a memória litúrgica de Nossa Senhora das Dores. Peçamos a ela forças nos momentos de dificuldade e dor e que a exemplo dela façamos sempre a vontade de Deus. É preciso passar pelo calvário desta vida para alcançar a glória da ressurreição.

“Nossa Senhora das Dores, eu vos apresento todas as minhas necessidades, mágoas e sofrimentos. Ó Mãe, que permanecestes firme ao pé da cruz, dai-me a vossa fortaleza para enfrentar as dificuldades com fé e esperança. Envolvei-me em vosso sagrado manto e consolai o meu coração. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Ana Marta Fonseca
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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