Ser virtuoso nas dificuldades, conquistando a virtude da fortaleza, talvez seja um dos maiores desafios da vida humana. Em muitos momentos, somos colocados diante de situações que parecem maiores do que a nossa capacidade de suportar.
Dores, perdas, frustrações, enfermidades e períodos de espera fazem parte da caminhada de todo ser humano. No entanto, é justamente nesses momentos que surge a oportunidade de crescer espiritualmente e de desenvolver virtudes profundas, que nos aproximam de Deus.
A virtude da fortaleza não significa simplesmente suportar o sofrimento de forma passiva. Pelo contrário, trata-se da capacidade de permanecer firme, confiante e perseverante, mesmo quando as circunstâncias são difíceis.
Muitos santos da Igreja compreenderam profundamente essa realidade. Boa parte deles encontrou um caminho eficaz para adquirir essas virtudes justamente através das provações.
Entre esses exemplos, podemos lembrar especialmente dos mártires da Igreja: homens e mulheres que, diante da perseguição e do sofrimento, permaneceram fiéis a Deus até o fim. Eles nos mostram que a fé verdadeira se manifesta, muitas vezes, justamente nas situações mais desafiadoras.
Dentro dessa reflexão, existe um aspecto muito importante da vida espiritual que muitas vezes nos causa dificuldade de compreender: as demoras de Deus. Vivemos em uma sociedade marcada pela pressa, pela necessidade de resultados imediatos e pela busca constante por satisfação rápida.
Muitas vezes, acabamos transferindo essa mesma lógica para a nossa relação com Deus. Pedimos algo em oração e esperamos que a resposta venha imediatamente, como se Deus fosse alguém que estivesse apenas pronto para atender aos nossos pedidos no tempo que desejamos.
No entanto, Deus não trabalha dessa forma. Ele não é um simples realizador de desejos, nem alguém que esteja à mercê dos nossos quereres. Deus é Pai, e como Pai conhece profundamente aquilo que realmente precisamos.
Por isso, muitas vezes, Ele permite que certas respostas demorem. Essas demoras não são abandono, nem falta de amor. Pelo contrário, fazem parte de uma pedagogia divina que muitas vezes só conseguimos compreender com o passar do tempo.
O que as demoras de Deus nos ensinam
Um exemplo muito bonito dessa realidade pode ser encontrado no Evangelho. Certa vez, um homem chamado Jairo chegou até Jesus em grande desespero. Sua filha estava gravemente doente, à beira da morte, e ele suplicava que Jesus fosse até sua casa para curá-la. Diante daquele pedido cheio de dor e de esperança, Jesus imediatamente decidiu ir com ele. Era um momento urgente, uma situação que parecia não poder esperar.
No entanto, durante o caminho até a casa de Jairo, aconteceu algo que aparentemente atrasou tudo. Uma mulher que sofria de hemorragia havia doze anos estava no meio da multidão. Aquela mulher carregava não apenas uma enfermidade física, mas também um grande peso social e religioso.
Naquela época, uma mulher que sangrava era considerada impura e deveria permanecer afastada das pessoas. Mesmo assim, movida por uma fé profunda, ela pensou consigo mesma: “Se eu ao menos tocar no manto dele, ficarei curada”.
Superando o medo, os preconceitos e toda a situação que a cercava, ela se aproximou de Jesus no meio da multidão e tocou apenas a orla de seu manto. Naquele instante, foi curada.
Jesus então parou e perguntou: “Quem me tocou?”. Os discípulos estranharam aquela pergunta. Afinal, havia muitas pessoas ao redor, todos se apertando no meio da multidão. Parecia estranho perguntar quem o havia tocado. Mas Jesus sabia que aquele toque era diferente. Não era apenas um toque físico, mas um toque de fé. Algo havia acontecido, uma força havia saído dele.
A mulher, então, aproximou-se com temor e disse que havia sido ela. Explicou que acreditava que, se apenas tocasse em seu manto, seria curada. E Jesus, olhando para ela com amor, confirmou aquilo que havia acontecido: sua fé a havia curado.
Esse episódio revela algo muito profundo sobre as demoras de Deus. Jesus estava a caminho da casa de Jairo, indo atender um pedido urgente. No entanto, no meio do caminho, Ele parou para atender aquela mulher que ninguém esperava. Aos olhos humanos, aquilo poderia parecer uma demora desnecessária. Mas na lógica de Deus, aquela parada era necessária. Aquela mulher precisava ser vista, acolhida e curada.
Depois de abençoá-la, Jesus continuou o caminho até a casa de Jairo, onde também realizou o milagre e trouxe vida à sua filha. Esse ensinamento nos mostra que as demoras de Deus não são atrasos sem sentido.
Elas fazem parte de um plano maior, de uma lógica divina que muitas vezes ultrapassa nossa compreensão imediata. Quantas vezes pedimos algo a Deus e não recebemos no momento em que desejamos? Quantas vezes sentimos que nossas orações parecem não ter resposta?
Aprender a confiar nas demoras de Deus
Mas a verdade é que Deus está sempre agindo. Sua pedagogia é diferente da nossa. Ele vê aquilo que não vemos, conhece aquilo que não compreendemos e prepara caminhos que muitas vezes só perceberemos no futuro. Quando algo que pedimos não acontece, isso não significa necessariamente que fomos esquecidos por Deus.
Muitas vezes, significa que Ele está preparando algo maior, algo que ainda não somos capazes de compreender plenamente. As dificuldades e os desertos da vida também fazem parte desse processo.
O deserto, na experiência espiritual, é muitas vezes um lugar de provação, mas também de aprendizado profundo. É no deserto que aprendemos a confiar mais, a depender menos de nossas próprias forças e a nos apoiar mais na presença de Deus.
Existe uma frase muito bonita, presente na obra O Pequeno Príncipe, que diz que a coisa mais bela do deserto é que ele esconde um poço em algum lugar. Essa imagem nos ajuda a compreender a experiência da fé. À primeira vista, o deserto parece apenas vazio e sofrimento. Mas dentro dele existe uma fonte escondida, algo precioso que só pode ser encontrado por quem persevera na caminhada.
Assim também acontece em nossas vidas. Muitas vezes, no meio das dificuldades, existe um ensinamento profundo, uma graça escondida, uma transformação interior que Deus está realizando em nós.
Por isso, somos chamados a viver essas demoras de Deus com confiança e esperança. Somos convidados a desenvolver a virtude da fortaleza, permanecendo firmes mesmo quando não compreendemos completamente aquilo que está acontecendo.
Diante das dificuldades, podemos louvar e agradecer a Deus por tudo aquilo que Ele permite em nossas vidas. Isso não significa ignorar a dor ou negar o sofrimento, mas reconhecer que Deus continua presente em todos os momentos.
Se você está passando por alguma dificuldade neste momento, entregue essa situação a Deus. Se está enfrentando alguma enfermidade, coloque essa dor nas chagas de Cristo. Apresente a Ele tudo aquilo que você tem, porque Ele conhece profundamente o seu coração.
No final das contas, tudo aquilo que temos vem de Deus, e é a Ele que devemos confiar a nossa vida. Mais do que colocar Deus em primeiro lugar, somos chamados a compreender algo ainda mais profundo: Deus não deve ocupar apenas o primeiro lugar em nossa vida. Deus é o próprio lugar onde nossa vida acontece.
Que possamos aprender a viver em Deus, confiar em seus caminhos e aceitar suas demoras com fé. Porque Ele é nosso Pai, aquele que nos ama profundamente e que continua realizando maravilhas em nossas vidas.
Que nosso Senhor Jesus Cristo nos abençoe, nos fortaleça nas dificuldades e nos conduza sempre com a luz do seu Espírito Santo.
Amém.
Leandro Ruyz
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator



