Coragem: Lute por sua conversão!

Vivemos em uma época que nos convida a lutar por muitas coisas: estabilidade financeira, reconhecimento, sucesso, conforto, viagens, sonhos e conquistas. Somos incentivados a vencer desafios externos, mas raramente ouvimos um convite para enfrentar a batalha mais importante de todas: a luta pela própria conversão.

Talvez porque essa é a guerra mais difícil

Converter-se não é apenas abandonar alguns pecados visíveis. É permitir que Cristo transforme profundamente o nosso coração. É deixar morrer, pouco a pouco, o homem velho para que nasça o homem novo. É uma batalha silenciosa, travada todos os dias, muitas vezes longe dos olhares das pessoas, mas completamente conhecida por Deus.

São Paulo compreendeu isso. Depois de ter vivido experiências extraordinárias, Deus permitiu que permanecesse nele um “espinho na carne”. Três vezes pediu ao Senhor que o retirasse, mas ouviu esta resposta: “Minha graça te basta, porque é na fraqueza que se manifesta plenamente a minha força” (2Cor 12,9).

Deus nem sempre elimina nossas fraquezas. Muitas vezes Ele as transforma em caminho de santificação. O espinho de Paulo tornou-se uma escola de humildade, dependência e confiança. A graça não substituiu a luta; deu sentido a ela.

Foi assim também com os santos

Santa Teresa de Jesus ensinava que o caminho da perfeição passa por uma constante renúncia da própria vontade. Ela sabia que a maior prisão do homem não está nas circunstâncias, mas no apego ao próprio eu. Quanto mais nos agarramos às nossas paixões desordenadas, mais nos afastamos da verdadeira liberdade.

São João da Cruz afirmava que, para chegar a possuir tudo, era preciso aprender a desapegar-se de tudo. São Francisco de Assis abandonou riquezas para encontrar o tesouro que jamais se perde. Santo Agostinho precisou travar uma longa batalha contra seus próprios desejos antes de finalmente descansar em Deus. Cada santo teve sua cruz, suas quedas, suas lágrimas e seus combates interiores. Nenhum nasceu santo. Todos escolheram lutar.

E essa luta continua sendo necessária para nós

Vivemos uma cultura que diz: “Siga o seu coração”. Cristo, porém, nos diz: “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9,23).

A conversão exige coragem porque significa dizer não ao pecado, mesmo quando ele parece atraente. Significa mortificar os próprios desejos quando eles nos afastam de Deus. Significa pedir perdão, recomeçar depois das quedas, confessar-se, perseverar na oração e permanecer fiel mesmo quando não sentimos consolações espirituais.

É justamente aí que descobrimos um grande paradoxo

O pecado sempre promete liberdade, mas entrega escravidão. Promete prazer, mas produz vazio. Promete autonomia, mas aprisiona. Promete vida, mas conduz à morte.

São Paulo resume essa realidade de maneira impressionante: “O salário do pecado é a morte; mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23).

O pecado paga um salário. E paga exatamente aquilo que pode oferecer: morte espiritual, perda da paz, endurecimento do coração e afastamento de Deus.

A conversão também oferece uma recompensa. Mas ela não é um salário conquistado por nossos méritos. É um presente da graça: a vida eterna em Cristo.

Que prêmio poderia ser maior?

Não existe conquista humana que se compare à alegria de um coração reconciliado com Deus. Não existe riqueza que ultrapasse a amizade com Cristo. Não existe liberdade maior do que aquela experimentada por quem já não vive escravo do pecado.

Talvez nossa conversão seja lenta. Talvez ainda existam muitos espinhos na carne que nos humilham diariamente. Talvez ainda caiamos nas mesmas batalhas. Mas isso não significa que Deus desistiu de nós.

Enquanto houver arrependimento sincero, haverá graça. Enquanto houver combate, haverá esperança. Enquanto houver desejo de santidade, Cristo continuará caminhando ao nosso lado.

Por isso, não tenha medo da luta. Tenha medo apenas de desistir dela!

A coragem cristã não consiste em nunca cair, mas em levantar-se todas as vezes, confiando menos em nossas forças e cada vez mais na graça de Deus.

Lute pela sua conversão. Mortifique aquilo que o afasta do Senhor. Confesse-se. Reze. Persevere.

Porque, no fim dessa batalha, não está apenas uma vida melhor neste mundo. Está a própria Vida. A vida eterna em Cristo Jesus. E não existe prêmio maior do que esse.

Denis Dias

Postulante na Comunidade Católica Pantokrator

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