Como as emoções e sentimentos podem afetar nossa vontade

COMO AS EMOÇÕES E SENTIMENTOS AFETAM A VONTADE

As emoções e os sentimentos são experiências psíquicas íntimas, vividas diariamente e repetidamente, que integram a afetividade humana. O que muitos não sabem é que tais vivências são amorais. Ou seja, não são boas e nem más, pois dependem de como o indivíduo se comporta em relação a elas. Vejamos como as emoções e os sentimentos podem afetar nossa vontade e influenciar nossas ações.

Para entender melhor, precisamos definir o que significa uma emoção e um sentimento. As emoções são sensações transitórias, ou seja, são momentâneas e inconstantes. É a alegria de ver uma criança feliz passando na rua, uma tristeza ao saber que alguém se machucou ou a ira diante de uma injustiça. Já os sentimentos são como que estado interior, por serem mais estáveis, não tão intensos e menos reativos a estímulos passageiros.

Um ser humano saudável experimenta emoções e sentimentos o tempo todo, inúmeras vezes ao dia e de maneira repetida, juntamente com outros elementos que compõem a afetividade humana. Tais elementos surgem dentro de nós sem serem planejados e, quando percebemos, eles já se manifestaram.

Entendendo as Emoções e os Sentimentos: Caminhos para o Bem e o Amor

Como dito anteriormente, as emoções e os sentimentos são amorais por si mesmos e, dependendo de como lidamos com elas, é que serão boas ou más. Serão boas se, com nossa inteligência e utilizando o autoconhecimento, direcionarmos aquela experiência para o bem e para o amor. Exemplos palpáveis que quase todos vivem no cotidiano são as emoções que surgem diante das más condutas no trânsito. Se você acabou de ser “fechado” por um carro que não deu seta, deve sentir raiva e indignação com aquela falta de educação. Diante do acontecimento, existem duas opções: a primeira é abaixar o vidro e brigar com o condutor e a segunda é perdoá-lo, relevar e seguir adiante.

Com um sentimento, é o mesmo processo: alguém que sente tristeza por ter sido injustiçado no passado tem a chance de se entregar à desesperança ou culpa. Mas também tem a opção de ressignificar e recapitular o acontecimento como um aprendizado e seguir sua vida com leveza, deixando o trauma para trás. 

É importante destacar que sempre há dois caminhos a serem seguidos e o que identifica esses caminhos é a inteligência, considerada por São Tomás de Aquino como uma faculdade própria da alma do ser humano, juntamente com a vontade. Se a inteligência (ou razão) identifica, é a vontade que impulsiona o indivíduo a escolher e executar. 

Esse processo entre razão e vontade dos seres humanos é algo que os diferencia dos animais, os quais não têm almas espirituais e, portanto, não conseguem escolher e se decidir por nada, apenas agem por instinto. Ora, não há mais estranheza atualmente ao nos depararmos com homens e mulheres agindo como escravos de sua afetividade, liderados por emoções e sentimentos, agem por impulsos. 

Por que a inteligência se silencia e a vontade se enfraquece a esse ponto? 

A primeira resposta a esta pergunta se encerra na existência da concupiscência. O Sacramento do Batismo nos lava do pecado original, mas não apaga a tendência ao mal que cada ser humano carrega em si como uma marca deixada pelo pecado. É algo latente que tem o poder de enfraquecer a vontade de escolher o bom, o belo e o verdadeiro. Desta maneira, o ser humano tem dentro de si o potencial de ser santo, mas também tem o potencial de pecar e fazer escolhas ruins. Muitas vezes, o pecado acontece por falta de empenho da inteligência e passividade da vontade diante de emoções e sentimentos.

Além da concupiscência dentro de nós, é preciso se lembrar de que vivemos num mundo permeado pelo pecado fora de nós. Todos os dias, deparamo-nos com situações, ambientes, notícias, músicas, vídeos, fotos, comentários, etc, sobre as maldades constantes em nossa sociedade. Além de ideologias que têm ganhado espaço e têm distorcido muitas mentes. Uma ideologia corrente é o culto ao bem-estar, que prega que devemos fazer somente o que nos faz bem e a fuga das frustrações.

Corre-se o risco de começar a achar tais coisas normais e começar a agir assim. Quem nunca assistiu um filme policial e, de repente, teve tanta empatia pelo assassino que “torcia” por ele? Pois é, temos o potencial de sermos manipulados quando inseridos em determinado contexto e, de repente, deixamos de agir com nossa razão e vontade, deixando a afetividade conduzir a vida.

Equilíbrio Emocional e Espiritual: A Chave para uma Vida Consciente e Alinhada com a Palavra de Deus

Muito se fala sobre inteligência emocional, que pode ser entendida como a capacidade de gerir suas próprias emoções. Isso nada mais é do que agir conforme a hierarquia da alma, na qual as faculdades da razão e vontade imperam sobre a afetividade. Se nossas emoções falarem mais alto, corremos o risco de sermos impulsivos e voláteis. Mas se pensarmos muito sem as emoções, podemos ser frios e calculistas. 

O equilíbrio da boa gestão está no autoconhecimento, aliado a uma boa dose de atenção ao ambiente externo, além de ser conduzido pela Palavra de Deus. De nada adianta o autoconhecimento se a pessoa permanece num ambiente tóxico que a leva a escolhas ruins e, por outro lado, uma pessoa sem autoconhecimento pode tender a superficialidade mesmo num ambiente saudável.

Peçamos ao Espírito de Deus a ajuda necessária para realizar o ajuste interno de que precisamos para suportar a luta contra as concupiscências num mundo de valores anti-cristãos que nos levam ao pecado.   

 Luciana Ronqui
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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