QUAL O SEU TERRENO?
Acredito que é de conhecimento de praticamente todas as pessoas a passagem de Mateus 13 que fala do semeador que saiu para semear: “Disse ele: ‘Um semeador saiu a semear. E, semeando, parte da semente caiu ao longo do caminho; os pássaros vieram e a comeram. Outra parte caiu em solo pedregoso, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque a terra era pouco profunda. Logo, porém, que o sol nasceu, queimou-se, por falta de raízes. Outras sementes caíram entre os espinhos: os espinhos cresceram e as sufocaram. Outras, enfim, caíram em terra boa: deram frutos, cem por um, sessenta por um, trinta por um’” (Mateus 13, 4-8).
O TERRENO AO LONGO DO CAMINHO
Pensando no terreno ao longo do caminho, o próprio Jesus já explica que: “quando um homem ouve a palavra do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado no seu coração. Este é aquele que recebeu a semente à beira do caminho” (Mateus 13, 19).
Aqui podemos perceber o papel importante daqueles que explicam a palavra de Deus. A importância das pregações, das catequeses, para ajudar aqueles que não entendem a terem fé, pois a palavra do Senhor pode ser de difícil entendimento para alguns.
Sinto que o Senhor deseja que muitos de nós que já entendemos, tomássemos o nosso lugar nesta construção do reino, distribuindo este alimento que é a palavra de Deus, explicando e saciando cada vez mais pessoas, que buscam eliminar uma fome que só pode ser saciada em Deus: “dai-lhe vós mesmos de comer” (Mateus 14,16).
Além disso, caso formos aqueles que não entendem e precisam ser saciados, é necessário que abramos a nossa boca, para que o Senhor nos sacie deste alimento eterno, que é a Sua Palavra: “Abre bem a tua boca e Eu te sacio” (Salmo 80, 11), antes dos pássaros virem e comerem, simbolizando aqui o maligno, que retira este alimento verdadeiro de nossa vida.
O SOLO PEDREGOSO
Pensando no solo pedregoso, em Mateus 13, 20-21, Jesus explica que: “O solo pedregoso em que ela caiu é aquele que acolhe com alegria a palavra ouvida, mas não tem raízes, é inconstante: sobrevindo uma tribulação ou uma perseguição por causa da palavra, logo encontra uma ocasião de queda”. Ou seja, é aquela pessoa que não tem esperança. Ela dificilmente consegue passar por problemas, tribulações, não tem uma visão de transcendência, não consegue colocar a esperança em um Deus poderoso que sabe de todas as coisas.
É importante encontrarmos estas “raízes”. Creio que elas vão crescer e serão capazes de nos sustentar, firmemente, à medida em que vamos adicionando “terra” em nossa vida, tendo um aprofundamento do conhecimento da palavra de Deus, uma abertura para uma experiência íntima com Deus e o Espírito Santo e uma decisão maior em acolher esta esperança na eternidade. Além disso, precisamos fazer a nossa entrega pessoal nos momentos de oração, para que não sejamos inconstantes e vulneráveis ao sol que facilmente nos queimará se somente vivermos de maneira superficial, sem nos aprofundarmos na nossa esperança da vida eterna.
O SOLO ENTRE OS ESPINHOS
Pensando no solo entre os espinhos, em Mateus 13, 22, Jesus explica que: “O terreno que recebeu a semente entre os espinhos representa aquele que ouviu bem a palavra, mas nele os cuidados do mundo e a sedução das riquezas a sufocam e a tornam infrutuosa”. Ou seja, são aquelas pessoas que têm um potencial, ouvem bem a palavra, mas elas têm outras prioridades. Elas não estão tão disponíveis. São aquelas pessoas que se preocupam mais com as demandas do mundo, com perspectivas de riquezas e colocam o reino de Deus em segundo lugar. São aquelas pessoas que não amam a Deus sobre todas as coisas. Elas não conseguem enxergar o Evangelho de Jesus como mais importante, suas ilusões sufocam a Palavra e elas não dão fruto.
Aqui é importante definirmos o que seriam estes “espinhos” em nossa vida. Quais são as preocupações que não nos deixariam colocar Jesus e os planos de Deus em primeiro lugar? Será que estes espinhos existem em nossa vida? Ou será que temos que dar a verdadeira importância para cada um, para cada preocupação e ilusão? Precisamos encontrar essas respostas para que estes espinhos não cresçam e nos sufoquem! Temos que determinar a verdadeira dimensão deles.
A TERRA BOA
Pensando na terra boa, em Mateus 13, 23, Jesus explica que: “A terra boa semeada é aquele que ouve a palavra e a compreende, e produz fruto: cem por um, sessenta por um, trinta por um”. Ou seja, são aquelas pessoas que têm uma abertura maior de coração, estão dispostas a compreender a palavra, colocarem em prática e, consequentemente, conseguirão muitos frutos, conforme a capacidade de cada um. Este é o terreno que Deus destinou para cada um de seus filhos. É este terreno que ele nos convida a sermos ou nos tornarmos nesta vida, trabalhando para o Seu Reino e proporcionando muitos frutos de santidade.
Eu fico pensando: qual é a principal característica para sermos um terreno bom, que dá frutos? Creio que a resposta reside neste aspecto: a abertura de coração. Temos que, inicialmente, ter esta abertura de coração, para aprendermos mais sobre a palavra de Deus, aprofundarmos este conhecimento, colocarmos a nossa fé e esperança no lugar certo, darmos a importância adequada para cada problema neste mundo e focarmos na vida eterna, em uma vida em santidade, trabalhando para o Reino de Deus, levando mais pessoas conosco e tentando ofertar cada vez mais frutos.
Que o bom Deus nos abençoe.
Camila Zanetoni Martins
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator



