Amar aos que me perseguem. Como viver?
No livro de Romanos, Paulo nos diz muito sobre a lei, sobre o efeito que a lei gera em nós no momento em que somos confrontados por ela.
No caso dos mandamentos, precisamos cumpri-los para não cairmos em pecado, para fazermos a vontade de Deus, mas nem sempre isso é uma tarefa fácil!
Sobre o bem e o amor ao próximo, lembro-me de quando São Paulo diz: “Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero” (Romanos 7, 19). Nossa natureza não é capaz de algo bom por si só, para confrontar essa natureza pecadora, precisamos reconhecer que de fato o que existe em nós não é algo bom.
Após esse reconhecimento, precisamos de um auxílio a mais, e é aí é que entra a graça! Jesus morreu para que fosse derramada sobre nós a graça (favor imerecido de Deus a nós).
Recordo-me de uma menção do padre Paulo Ricardo: até o arrependimento que sentimos por algo que fizemos é graça! A partir do recebimento da graça, somos capazes de amar ao nosso próximo e amar a quem nos persegue!
Amar a quem nos persegue me faz recordar do perdão. Como seria possível amar a quem me persegue, sem antes perdoar?
Não assisto novelas, mas em uma partilha com minha família nos últimos dias, minha mãe, que acompanha os capítulos de uma novela, mencionou sobre uma personagem que é perseguida. Por causa dessa perseguição, a personagem não consegue trabalhar, não consegue viver sua própria vida, no sentido de seguir seus sonhos, porque outra personagem da novela a persegue e tem a intenção de atrapalhar os planos dela.
Trazendo para a vida real, como poderia o ser humano amar a quem o persegue, diante de uma situação injusta que gera indignação e raiva? Humanamente, seria impossível, por isso precisamos do auxílio da graça! Antes de amar é necessário perdoar!
Assisti a uma pregação em que o pregador contava de uma experiência pessoal em que não conseguia dar o perdão para determinada pessoa, então ele começou a falar para Deus no local secreto do seu coração: “Deus, me ajuda nisso, eu estou com muita raiva!”.
E de modo interessante, ele começou um exercício de falar na frente do espelho, de maneira mecânica: “eu te perdoo”. E falava o nome da pessoa, “eu te perdoo por isso, isso e aquilo”, de maneira mecânica e ainda com raiva, mas em um desses dias de fala, ele foi encontrado pela graça. A graça de Deus o auxiliou e ele conseguiu dizer de maneira sincera e liberar o perdão!
Agora pense você, recorde dos seus momentos de oração:
quantas vezes em um momento de oração você não foi alcançado por essa graça auxiliadora?
Nós precisamos da decisão, e tendo essa decisão, a graça nos auxilia no restante, vem e nos auxilia a perdoar. Nós precisamos dar passos decididos mesmo que mecanicamente, precisamos começar. A graça nos alcançará!
Eu tenho um testemunho da graça que me alcançou. Eu dizia mecanicamente: “Jesus, meu amigo, te amo!”, porque para mim era difícil dizer que eu amava alguém que não via! Mas eu dizia todos os dias isso, ainda que com a boca um pouco “serrada”, devido a dificuldade de pronunciar. E um dia fui encontrada pela graça! Ali, eu senti MUITA VONTADE de dizer de maneira verdadeira: “Jesus, meu amigo, te amo!” junto a uma vontade de gritar isso de maneira verdadeira.
O perdão e também a capacidade de amar ao próximo é graça! Diga: “Eu decido perdoar e desejo amar a quem me persegue, mas preciso do auxílio da sua graça, pois sozinho(a), humanamente não consigo, Jesus!” E creia, de maneira semelhante à história do pregador e a minha história, a graça de Deus te auxiliará!
Mayara Lopes
Engajada da Comunidade Católica Pantokrator



