A santidade é a vocação de todo homem, o lugar privilegiado para encontrar Deus e, consequentemente, a felicidade, pois “Só em Deus o homem encontra a verdade e a felicidade que não se cansa de procurar” (CIC 27). Para você que é solteiro, pode ser que Deus não te chame a se casar e ter filhos, mas com certeza te chama a ser feliz, a ser pleno.
Pode ser que a leitura dessas primeiras linhas não seja exatamente o que você gostaria de ler ao ver o título desse artigo. Como assim não vou me casar? Mas de fato, o caminho para a felicidade não está no casamento, mas sim na santidade.
Que fique bem claro, meu objetivo aqui não é te jogar um “balde de água fria”, muito menos fazer com que você, como solteiro, perca a esperança, mas sim fazer você entender que casamento não é sinônimo de felicidade, assim como estar solteiro não é sinônimo de solidão e tristeza.
“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” (Ec3,1)
A santidade é a chave para uma espera em Deus
Sei que para muitos de nós, cristãos vocacionados ao matrimônio, esperar é por vezes penoso, mas se você quer, de verdade, ser feliz, não há outro caminho. A graça da espera é a certeza de estar na vontade Deus, que é plena e perfeita. É preciso viver esse tempo em santidade, em discernimento e escuta de Deus.
Todo cristão que se empenha em viver sua afetividade e sexualidade na santidade busca colocar Deus em primeiro plano, acima de seus desejos e sonhos, pois sabe que Deus basta, que n’Ele está a sua felicidade.
“Ensina-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria.” (Sl 90:12).
Tenha paciência, não se desespere, viva sua solteirice na santidade. Deus é mais sábio que nós, vê além, aos poucos vai nos preparando, nos amadurecendo. É verdade que nos causa certo desconforto ver nossos amigos namorando e se casando enquanto continuamos solteiros, mas é preciso confiar que Deus é bom e tem o melhor para nós.
“O que vale a pena possuir, vale a pena esperar.” (Edith Stein)
Esperar na alegria
Gosto muito da frase de São Josemaria Escrivá que diz: “Que a tua vida não seja estéril, sê útil, deixe rastros”, que possamos viver assim nossa solteirice. Conheço muita gente solteira, mas feliz e realizada porque encontram realização e sentido para suas vidas em Deus, na doação, na santidade. Felizes, mesmo sozinhos, pois aprenderam a generosidade do dom de si, não vivem uma vida egoísta.
Esses meus anos de solteira tem me ensinado que só a simplicidade, a autenticidade e a verdade nos gabaritam a encontrar alguém para namorar, e que a santidade é que nos forma na escola do amor, para que sejamos empenhados em fazer o outro feliz e não o contrário. Esse processo exige esforço e paciência, verdade e serenidade. Se o desespero bater à nossa porta e deixarmos que ele entre, perdemos a visão e nos perdemos diante do que é essencial.
É como eu disse no início, o essencial é a nossa santidade, ela nos conduzirá à plena felicidade. Muitos santos costumavam dizer que uma das formas de martírio era o da paciência. Por vezes você vai ter que “engolir sapo”, ouvir um ou outro te chamar de encalhado, solteirão. Mas não se esqueça: a paciência é uma via segura que nos conduz à santidade.
Só Deus basta
Solteiros ou não, saibamos viver como Santa Teresa D’Ávila, que descobriu que “Deus basta” e mais, que “a paciência tudo alcança”. Estejamos, pois, firmes em Deus, esse “tudo” só se alcança com muita luta, oração e lagrimas, na castidade e pureza, é cruz, mas traz ressureição.
Rezemos juntos com ela
“Nada te perturbe, nada te amedronte.
Tudo passa, a paciência tudo alcança.
A quem tem Deus nada falta.
Só Deus basta!” Santa Teresa de Ávila
Vanessa Ozelin
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



