SÃO JOÃO PAULO II: um santo audacioso

SÃO JOÃO PAULO II: UM SANTO AUDACIOSO

Antes de qualquer coisa, podemos começar falando da frase que marcou o Pontificado de São João Paulo II: “Não tenhais medo”. Ele usava constantemente essas palavras e, guiado pelo Espírito Santo, conduziu a Igreja e todos os seus fiéis, especialmente os jovens, a uma MAGNANIMIDADE, uma busca real de santidade mesmo em tempos difíceis, como situações políticas, sociais e culturais. Nada poderia apagar essa chama viva que movia o nosso querido amigo Karol Wojtyla. Sua esperança e sua decisão por ser santo foi o que o levou a agarrar-se completamente aos planos de Deus e não temer um só instante Aquele que redimiu o mundo.

Um mundo sem sentido

O Papa João Paulo II viveu em um momento em que o mundo estava enfrentando guerras e complicações políticas. Ele, como um pastor, viu seu rebanho tomado por medo, incertezas e principalmente desconfiados de que existia algo maior, um SENTIDO real e verdadeiro da vida!

São João Paulo II entendeu e diagnosticou a sociedade: ela estava doente. E qual era a doença?

Na Redemptor Hominis (1979), ele aborda que embora a sociedade tivesse tido grandes avanços científicos, tecnológicos e direitos sociais, perdeu o sentido do que era a pessoa humana, sua dignidade, a verdade sobre o seu ser e o seu destino, resumidamente, o homem estava em crise.

Podemos definir em 3 etapas o diagnóstico de São João Paulo II:

  1. O homem perdeu o sentido de Deus

A busca incessante do poder, do prazer e do possuir levou e leva homens e mulheres a fecharem-se em si mesmos, fazendo de si o “eu absoluto”, eu não preciso de Deus, eu sou o meu deus, sendo assim, incapazes de transcender e se encontrarem com o Criador de todas as coisas.

  1. Ao perder o sentido de Deus, o homem perde também o sentido de si mesmo.

Longe do princípio, o homem não reconhece mais a si mesmo, então perde o sentido da vida, não sabe mais qual a sua finalidade, não vê sua existência como um dom, como um presente, ele perde o sentido da sua dignidade humana e entra em uma crise antropológica.

  1. Essa crise antropológica produz uma crise moral e cultural.

Não sabendo mais o que se é, o homem se reduz ao que ele faz, ao que tem e produz. Com a perda da sua identidade, a unidade da sociedade é ameaçada e se vê desequilibrada. Ora, não sabendo mais qual o valor da própria vida, surge o que São João Paulo II chama de “cultura da morte”.

Mas qual a resposta para esta crise do homem?

A resposta está em Cristo. São João Paulo II nos diz que Cristo, sendo o nosso modelo, revela ao homem o próprio homem. Como vimos, o homem ao se afastar de Deus não reconhece mais o seu valor e a resposta está em voltar o nosso olhar e o de toda sociedade para Cristo, Ele é a resposta!

Com tantos estímulos que vemos hoje, Cristo é a última coisa que queremos olhar, mas é justamente n’Ele que encontramos a resposta para quem de fato nós somos. Precisamos nos reencontrar com Cristo e n’Ele redescobrir o nosso valor, a nossa dignidade, liberdade e a nossa vocação, como afirma São João Paulo II, onde participaremos da vida de Deus plenamente.

Chamados à plenitude

São João Paulo II, por sua índole e temperamento, não poderia jamais aceitar uma busca de santidade pela metade ou que fosse mesquinha.

Por sua intensidade, ele não mediu esforços para ser uma testemunha viva do quanto entregar toda a vida para Aquele que definitivamente sabe o que é melhor para nós vale a pena.

Como ele mesmo dizia: “Irmãos e Irmãs: não tenhais medo de acolher Cristo e de aceitar o Seu poder! […] Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo! […] Não tenhais medo! Cristo sabe bem ‘o que é que está dentro do homem’. Somente Ele o sabe!”.

Somente Cristo sabe o que se passa no nosso coração, e é justamente escancarando as portas para Jesus que poderemos provar dessa plenitude, não podemos ter medo dos sonhos e projetos que o Senhor tem para nós.

A Juventude e o Papa

O seu pontificado, além de ser marcado por um profundo amor pela pessoa humana como um todo, também era marcado por um grupo que o atraía mais: os jovens.

São João Paulo II percebeu que os jovens não são apenas os destinatários da evangelização, mas protagonistas de uma nova evangelização e testemunhas capazes de anunciar Cristo ao mundo. A juventude não é simplesmente mais uma fase da vida, mas um período em que são feitas escolhas que norteiam toda uma existência, por isso os jovens para São João Paulo II são a chave para esse novo milênio.

Como ele mesmo dizia: “Jovens do terceiro milênio, a vós, que sois as sentinelas da manhã, compete anunciar a chegada do sol que é Cristo ressuscitado!”.

São eles que irão construir uma nova Civilização do Amor, por isso, os ensinamentos, encíclicas e pronunciamentos do Papa eram, em boa parte, direcionados aos jovens, exortando sempre a coragem, a busca de uma vida plena em Cristo, que nos traz a beleza da verdade que abre os nossos corações aos mistérios divinos.

Um santo audacioso

O que podemos dizer da audácia desse grande santo? Não foi por simplesmente se posicionar ou pela sua posição histórica, mas diante de tantos acontecimentos, das crises humanas, ele escolheu não se retrair e anunciou em todos os lugares possíveis a verdade de Jesus Cristo. São João Paulo II, com coragem, proclamou e defendeu a todo custo o valor da pessoa humana.

Sua coragem não veio, portanto, de meros esforços humanos, mas nasce da confiança em Jesus, do seu Amor Poderoso que é o remédio para a sociedade, pois só o amor de Cristo é capaz de resgatar o seu povo. São João Paulo II simplesmente apostou, confiou e entregou toda a sua vida na mão d’Aquele que corajosamente venceu o mundo. A audácia de João Paulo II não nasceu da ausência de medo, mas da certeza de que o medo não poderia ser maior que a confiança colocada em Cristo.

“Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.”  (Jo 16, 33).

São João Paulo II foi um santo audacioso porque não aceitou viver uma vida medíocre. Ele escancarou as portas a Cristo e convidou uma geração inteira a fazer o mesmo. E talvez seu maior legado permaneça justamente naquele grito que atravessou seu pontificado e continua ecoando para nós: “Não tenhais medo! (…) Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!”

Referências

JOÃO PAULO II, Papa. Homilia do Papa João Paulo II no início do seu pontificado: Domingo, 22 de outubro de 1978. Disponível em: https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1978/documents/hf_jp-ii_hom_19781022_inizio-pontificato.html.

JOÃO PAULO II, Papa. Mensagem do Santo Padre João Paulo II para o XVII Dia Mundial da Juventude 2002: «Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,13-14). Disponível em: https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/messages/youth/documents/hf_jp-ii_mes_20010731_xvii-world-youth-day.html

Joana D’Arck

Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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