Presunção – Pecado contra a Esperança

Neste ano da Esperança, somos chamados a renovar nossa confiança em Deus. Para isso, precisamos ficar atentos a um inimigo muito sutil: a presunção, pecado que opõem-se à Esperança. O Catecismo da Igreja Católica (CIC), no parágrafo 2092, revela que há duas espécies de presunção: o homem ou presume das suas capacidades (esperando poder salvar-se sem a ajuda do Alto), ou presume da onipotência ou da misericórdia divina (esperando obter o perdão sem se converter, e a glória sem a merecer).

Conhecimento de si

Se fizermos um exame de consciência, vamos perceber que facilmente caímos no pecado da presunção, quando achamos que já somos “bonzinhos” o suficiente; quando resolvemos as coisas sem contar com o auxílio de Deus. Há também aqueles que ignoram a necessidade de conversão, achando que é um exagero a luta contra o pecado, pois afinal, Deus é misericórdia e vai relevar os nossos deslizes.

Porém a presunção é um passo para a mediocridade, tão abominada por Deus: “Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente! Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te.” (Apo 3, 15-16).

Caímos em um grande erro, pois a presunção abre a porta para o relaxamento da ascese. Como temos a falsa percepção de que não preciso do auxílio divino, eu me basto, vivo uma auto-suficiência e diminuo a minha vigilância. E, essa é a grande armadilha do inimigo de Deus, minar os nossos esforços pela busca do Céu!

São Tomás de Aquino, vai dizer: “A presunção leva o homem a querer alcançar um bem sem os meios proporcionais a ele, ou seja, esperar pela vida eterna sem observar os mandamentos ou confiar demais em sua própria força”.

Sem mim nada podeis fazer

Jesus nos ensina: “Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo. 15,5). E ele nos mostra que o caminho da santidade passa pelo abandono e pela dependência ao Pai. Ele, mesmo sendo Deus, pobre se fez. “De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (Jo. 5,30).

Desconfie de si mesmo

Desconfie de si mesmo e se abandone na confiança em Deus. “Não confieis em ti mesmo, mas põe em Deus tua esperança. Faz de tua parte o que puderes, e Deus ajudará tua boa vontade. Não confieis em tua própria ciência, nem na sagacidade de qualquer vivente, mas antes na graça de Deus que ajuda os humildes e abate os presunçosos” (1)

Muitas vezes, nos cansamos ou esfriamos na nossa fé, pois lutamos sozinhos. Precisamos deixar Deus lutar por nós, isso não significa que não faremos nada, mas ao contrário, precisamos colaborar com a graça, oferecendo todos os nossos esforços, para que o Todo Poderoso vença em nós. “A graça de Deus é como a chuva: cai sobre todos, mas só frutifica na terra bem preparada” (São Francisco de Sales).

Andressa Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

Referências
1.Imitação de Cristo, Cap VIII
Catecismo da Igreja Católica

 

 

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