A Quarta-Feira de Cinzas é a data litúrgica que dá início ao tempo da Quaresma e à preparação para a Páscoa. Sua mensagem é um chamado à conversão: ter humildade e voltar-se ao Senhor.
Na celebração da missa, são impostas cinzas sobre as cabeças dos fiéis, em sinal de cruz, enquanto o padre ou os ministros proclamam:
“Lembra-te que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19) ou “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15).
As cinzas impostas são feitas a partir dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior, que são queimados, benzidos e aromatizados com incenso. Elas representam um sinal da nossa fragilidade humana, de nossa natureza efêmera e do arrependimento. De fato, muitas vezes as cinzas são utilizadas nas Escrituras com esses significados, como se observa nas passagens: “Abraão continuou: ‘Não leveis a mal, se ainda ouso falar ao meu Senhor, embora seja eu pó e cinza’” (Gn 18,27); “É por isso que me retrato e me arrependo, no pó e na cinza” (Jó 42,6); e “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e ao pó hás de tornar” (Gn 3,19).
Nosso tempo neste mundo é limitado, e devemos nos preparar para viver com Deus em Sua glória, na vida eterna que há de seguir. Por isso, esta data é importante: reconhecer-se pecador diante de Deus e, mais uma vez, buscar em nossas vidas a santidade e o aprofundamento nos mistérios divinos.
Como viver este dia?
Trata-se de um dia em que toda a Igreja vive em penitência, sendo obrigatório o jejum para aqueles que têm entre 18 e 59 anos e, para os maiores de 14 anos, também a abstinência de carne. No jejum, realiza-se apenas uma refeição completa, devendo as outras duas ser feitas de maneira modesta.
A Quarta-Feira de Cinzas não é um dia de preceito, mas a Igreja nos convida fortemente a participar desta celebração, que marca o início da Quaresma e nos recorda da transitoriedade de nossa vida neste mundo. Além disso, a participação na celebração nos mantém em espírito de comunhão com toda a Igreja, permitindo-nos aproximar mais uma vez de Deus e fortalecendo o sentimento de pertença e comunidade.
Disciplinando a vontade e renunciando aos prazeres, iniciamos nossa preparação espiritual para a Páscoa, ao longo dos quarenta dias da Quaresma, período no qual devemos ter em mente a oração, a caridade e a penitência, pilares que sustentam esse tempo e que, quando praticados, são fonte e instrumento de transformação interior.
Que este tempo seja, para nós, de profundidade e comprometimento, e que a nossa conversão seja motivo de alegria para Deus.
Uma boa e santa Quaresma!
Lucas Nixon
Postulante Comunidade Católica Pantokrator



