O caminho mais curto e simples é do amor

amor
Então por que complicamos o amor? E fazemos trajetórias que não nos cabem, e nos submetemos à desconfiança e insegurança de passar por ele?

Caro(a) leitor(a), o tema de hoje parece fácil, mas não é! Porque ele se trata de uma decisão que nos revela vulneráveis, que faz emergir as nossas fragilidades e “supostos sofrimentos.” Como o título diz, esse caminho é mais curto e simples, mas infelizmente nem sempre optamos por ele.

Sei que deve estar pensando agora que você faz tudo por amor e age em nome desse amor. Mas, na realidade, agimos de forma incoerente, mesmo sem perceber e sem admitir. O nosso amor é por muitas vezes egoísta, mesquinho e cheio de nós mesmos.

Nós nos doamos e damos amor, e minutos depois já queremos ser amados de volta, ou entregamos os nossos sentimentos àquela pessoa e, logo depois, desconfiamos e retemos nossas demonstrações de amor. Não gostamos de nos sentir frágeis e propensos à exposição dos nossos defeitos.

Julgamos, falamos mal das pessoas e não perdoamos a nós mesmos. Nos tornamos peritos em casos que não são nossos e, internamente, nos trancamos e não somos livres. Na ânsia de sermos aceitos e amados, perdemos a essência de quem somos, justificando que é tudo em nome desse amor.

Que forma mais distorcida de amar, não é verdade?  Só há uma pessoa capaz de nos ensinar a amar, porque ele é o Amor!

   Se entenderes o amor, então terás entendido tudo!

 “Os escribas e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher que fora apanhada em adultério. Jesus porém se inclinou para frente e escrevia com o dedo na terra, ergueu-se e disse: Quem de vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra. Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou? Não, senhor. Nem eu te condeno, vai e não tornes a pecar.” (João 8-1, 11)

Nessa passagem está, resumidamente, o caminho simples e curto que é o amor. Jesus poderia ter se delongado, ou poderia tê-la julgado, Ele é Deus. Mas não o faz. Aqui fica para nós, leitor (a), o exemplo claro de como deveríamos agir e escolher as coisas de maneira simples, conduzidos pelo próprio Senhor.

A nossa humanidade pecadora resolveria essa passagem perguntando a um desses que a acusaram: “Onde a viram?” “Quem eram as pessoas que estavam em adultério com ela?” Faria uma votação para ver quem concordaria em condená-la e quem não, e esqueceríamos que certamente Jesus estava ali.

É triste essa realidade, mas ela é verdadeira. Fazemos isso o tempo todo, com as pessoas ao nosso redor e conosco mesmos. Somos os primeiros a declarar as sentenças e abrir os calabouços das mágoas e dos ressentimentos. Não perdoamos, não admitimos falhas, usamos e descartamos pessoas e relacionamentos.

Como não se colocar na figura dessa pecadora que está cometendo um pecado mortal? Impossível! Quem nunca se sentiu humilhado? Julgado por alguém que nem sequer conhecia a nossa vida?

Temos medo da decepção, e quando o outro nos descobre, tudo em nós piora. O outro me viu nu, agora não acreditará mais em mim, não confiará mais em mim, e por aí vai…. A pecadora pode até ter pensado nisso, mas ela não deixa se intimidar; além de mudar de vida, ela deixa ser guiada pelo próprio amor (Jesus). E as vozes do mundo não a atormentam mais, os julgamentos das pessoas, e o que elas iriam achar depois dessa exposição, não fazem mais sentido para ela. Ela achou o Tudo e nada mais importa.

                                        Dando passos em direção ao amor.

 Agora que você leu esse texto, convido você a fazer um exame de consciência e se colocar a perguntar… Onde você tem amado? Quais são os lugares e pessoas que você não tem ido? Deixou de amar por medo ou insegurança?

Tem pegado o caminho mais longo, que é o da mágoa e do ressentimento? Tem dirigido há anos na rua da amargura por medo de pedir perdão? Tem justificado os seus erros, colocando a culpa em outra pessoa?

Sua família tem recebido seu carinho e sua atenção? No seu trabalho, ou com os seus vizinhos, tem feito a sua parte? Ou está esperando que o outro ame você primeiro, para depois retribuir?

Eu sei, são muitas perguntas, mas elas são necessárias. Só assim entenderemos o caminho que estamos seguindo e onde ele irá nos levar. Precisamos entender e tomar posse que somos filhos do amor e da misericórdia, e precisamos agir como Ele agiu e age até hoje.

As pessoas precisam de nós, e não dos nossos vereditos, da nossa punição. Necessitamos de misericórdia não somente com as pessoas de fora, mas também para com as nossas famílias. Aquelas que falam mal de nós necessitam da nossa oração, e não das nossas discussões. Mas sozinhos, empenhados em nós mesmos, não conseguimos. Pegamos sempre o caminho mais longo, ou um atalho, achando que as coisas darão certo.

Sem mim, nada podereis fazer! (João 15,5)

Ele te ama incondicionalmente e está esperando uma abertura sua, para poder entrar e te ensinar como amar nas horas fáceis e difíceis. Ele quer te transformar! Ensinar o caminho mais curto e simples. Basta que você o acolha e o traga para sua vida.

Fazendo como fez a pecadora, se colocando diante Dele, mesmo que, por vergonha, você não diga nada no primeiro momento, coloque-se em sua presença. Ele saberá como te conduzir, confie!

Ela não fugiu; poderia, mas não fugiu. Deixou ser levada, mesmo na pior condição, para poder ser então perdoada, revigorada e pegar o caminho mais simples que é o amor, e que a levou a ter uma nova vida.

Desejo, caro(a) leitor(a), que você também escolha ter uma nova chance, um recomeço, e que nada que você conhece até hoje sobre o amor seja comparado ao que Ele irá lhe ensinar. Sinta-se amado(a), Ele está com você! Mesmo que o caminho seja o calvário, será o caminho mais curto, se você deixar o Amor (Deus) segurar a sua cruz.

Deus os abençoe!

Carla Gaspar
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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