Meditar os mistérios do terço pode ser um momento de espiritualidade bastante frutuoso se conseguirmos nos conectar com a mensagem que eles nos passam, tomarmos essa mensagem para nós e vivermos isso no nosso dia a dia. No ritmo de dez Ave-Marias, momentos específicos da vida de Jesus e de Maria nos são ofertados para refletirmos, vivermos como se estivéssemos na cena também e nos ajudar a enfrentar os nossos desafios atuais como Jesus e Maria fariam.
O BATISMO DE JESUS NO RIO JORDÃO
“Da Galiléia foi Jesus ao Jordão ter com João, a fim de ser batizado por ele. João recusava-se: ‘Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim!’. Mas Jesus lhe respondeu: ‘Deixa por agora, pois convém cumpramos a justiça completa’. Então, João cedeu. Depois que Jesus foi batizado, saiu logo da água. Eis que os céus se abriram e viu descer sobre ele, em forma de pomba, o Espírito de Deus. E do céu baixou uma voz: ‘Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição’” (Mateus 3,13-17).
Esta passagem mostra o início da missão pública de Jesus. Ela marca a revelação divina, indicando Jesus como Filho de Deus e a aceitação da vontade do Pai.
Este mistério me faz pensar muito sobre a missão de Jesus. Ele veio ao mundo para resgatar a nós, os pecadores. Mas Ele entrou na fila dos pecadores, mesmo sem pecado, para ser batizado por João e nos dar o exemplo de que temos que buscar sempre sermos pessoas melhores, deixarmos uma vida de pecado e nos configurar cada dia mais à pessoa do Cristo.
Esta passagem nos convida à renovação do nosso próprio batismo, lembrando-nos que somos filhos de Deus, trazendo-nos esta certeza da filiação divina e que somos dignos e herdeiros de um Pai todo poderoso que nos ama até o ciúme.
A AUTO REVELAÇÃO DE JESUS NAS BODAS DE CANÁ
“Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou’. Disse, então, sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser’.
Ora, achavam-se ali seis talhas de pedra para as purificações dos judeus, que continham cada qual duas ou três medidas. Jesus ordena-lhes: ‘Enchei as talhas de água’. Eles encheram-nas até em cima. ‘Tirai agora’ – disse-lhes Jesus – ‘e levai ao chefe dos serventes’. E levaram.
Logo que o chefe dos serventes provou da água tornada vinho, não sabendo de onde era (se bem que o soubessem os serventes, pois tinham tirado a água), chamou o noivo e disse-lhe: ‘É costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora’. Esse foi o primeiro milagre de Jesus; realizou-o em Caná da Galileia. Manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (João 2, 1-11).
Nesta passagem, Jesus realiza o seu primeiro milagre, por intercessão de sua mãe, transformando água em vinho e abrindo o coração dos discípulos à fé.
A INTERCESSÃO DA VIRGEM MARIA
Aqui podemos ter a certeza da intercessão de Maria em nossas vidas também. Ela vê atentamente as necessidades de seus filhos, e pede a Jesus por nós, para nos ajudar. Além disso, este trecho nos convida à obediência e confiança em Deus e em Sua Palavra (“Fazei o que ele vos disser”).
Percebemos também o quanto Cristo é generoso, tanto para com nossas necessidades materiais, quanto espirituais, e nos convida a ter fé e agir, para que a graça aconteça (“Enchei as talhas de água”), mesmo sem entender, confiando que Deus está no controle. E para finalizar, Jesus presente neste casamento nos ajuda a compreender que o matrimônio é um sacramento eficaz da presença de Deus para àqueles que têm essa vocação.
O ANÚNCIO DO REINO DE DEUS
“Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galiléia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia: ‘Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho’” (Marcos 1, 14-15).
Neste mistério, contemplamos a atividade pública de Jesus, incluindo suas pregações, sermões, milagres e curas. O que nos leva a refletir se estamos conseguindo acolher a mensagem de Cristo, nas mais diversas formas que ela nos é oferecida, como nas missas, nas nossas orações, nos nossos momentos de intimidade, nos pequenos detalhes de nossas vidas.
Estamos dispostos a examinar a nossa vida e contribuir com o projeto de Deus? Anunciando também a Boa Nova, começando pelos mais próximos e convidando-os à conversão? Nos unindo aos valores do Evangelho e sendo cristãos que ajudam a edificar o Reino de Deus?
A TRANSFIGURAÇÃO NO MONTE TABOR
“Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e conduziu-os à parte a uma alta montanha. Lá se transfigurou na presença deles: seu rosto brilhou como o sol, suas vestes tornaram-se resplandecentes de brancura. E eis que apareceram Moisés e Elias conversando com ele.
Pedro tomou, então, a palavra e disse-lhe: ‘Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias’. Falava ele ainda, quando veio uma nuvem luminosa e os envolveu. E daquela nuvem fez-se ouvir uma voz que dizia: ‘Eis o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha afeição; ouvi-o’. Ouvindo esta voz, os discípulos caíram com a face por terra e tiveram medo.
Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-os, dizendo: ‘Levantai-vos e não temais’. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, senão unicamente Jesus. E, quando desciam, Jesus lhes fez esta proibição: ‘Não conteis a ninguém o que vistes, até que o Filho do Homem ressuscite dos mortos’” (Mateus 17,1-9).
CONTEMPLANDO O MISTÉRIO
Neste mistério, meditamos quando Jesus resplandece em glória, mostrando sua natureza divina aos discípulos Pedro, Tiago e João. Nesta contemplação, somos levados a sempre pensarmos sobre as realidades além desta vida material. O que estamos fazendo atualmente para merecermos, um dia, chegar também a este estado de glória e divindade, assim como Jesus?
Somos convidados também a reconhecer Jesus como Filho amado de Deus e elevar os nossos corações a estas realidades espirituais. Jesus nos amou tanto que se humilhou, escondendo sua divindade e assumindo nossa condição humana, exceto no pecado.
Neste momento, Cristo revela a sua divindade, iluminando a fé dos discípulos e nos faz perceber que a divindade de Cristo permanece, mesmo nos momentos difíceis como na crucificação. Assim também podemos ser, mesmo nos nossos momentos de dificuldade, lembremos que somos filhos amados de Deus e para a glória divina temos que estar caminhando.
A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
“Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: ‘Tomai e comei, isto é meu corpo’. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: ‘Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados. Digo-vos: doravante não beberei mais desse fruto da vinha até o dia em que o beberei de novo convosco no Reino de meu Pai’” (Mateus 26, 26-29).
Neste quinto mistério, somos levados à Última Ceia, quando Jesus oferece o seu corpo e sangue por nós, antecipando a sua entrega na Cruz. Aqui somos levados a reconhecer a presença real de Jesus na Eucaristia e a refletirmos sobre o amor de Jesus, que é aquele amor sacrificial. No nosso dia a dia, também somos convidados a nos esforçarmos e pedirmos a graça de receber e exercer este amor sacrificial, pela nossa família, por nossos queridos e pelo próximo.
A meditação deste mistério nos convida a participar e a buscar este alimento, continuamente, na Santa Missa. E refletindo como a Eucaristia nutre a nossa alma e nos fortalece em comunhão com Cristo, nos lembrando sempre se seu amor sacrificial.
Que o bom Deus nos abençoe.
Camila Zanetoni Martins
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator.



