Eu desejo o Amor Eterno

desejo

Você parou para pensar por que nós pecamos?

A verdade é que pecamos porque é “bom”, no sentido de nos dar prazer, de satisfazer nossa carne, nossos desejos desordenados. E aqui, algo muito importante que precisamos compreender é que o problema não está em nossos desejos, porque os desejos que possuímos foram colocados em nós por Deus. O Senhor nos criou com a capacidade de desejar.

O problema está em como buscamos saciar os desejos que temos dentro de nós. O pecado nos faz buscar saciar nossos desejos naquilo que aparentemente não sacia.

Se você oferecer um copo de água com muito adoçante para alguém que está com sede, a pessoa beberá com muita vontade, sem saber que aquela água não é pura, porque o adoçante não muda a aparência da água. Ao beber a água adoçada a pessoa não ficará saciada, mas com mais sede ainda.

É isso que o pecado faz com a gente: ele nos oferece algo que se parece muito com aquilo que desejamos, mas, no fundo, ao invés de nos sentirmos saciados, temos ainda mais sede e mais fome.

O que fazer?

Primeiro, temos que saber o que realmente é capaz de nos saciar e aceitar que nada neste mundo, por melhor que seja, corresponde ao desejo imenso que temos dentro de nós.

Bento XVI nos ensina que o homem é “feito para um fim infinito” que se manifesta em “inquietação, insatisfação, desejo, impossibilidade de aquietar-se com as metas finitas” (21/08/2006 – Vaticano).

Sabemos que isso é verdade, porque sempre que conquistamos algo novo, por exemplo, ficamos muito felizes e empolgados, mas logo estaremos novamente insatisfeitos, buscando por mais novidade. O ser humano nunca se sente plenamente saciado e quer sempre mais.

Quando reconhecemos que fomos feitos para infinito, chegamos à conclusão que somente algo que é infinito pode nos saciar. Na verdade, alguém que seja infinito; e esse alguém é Deus.

 Jeremias 31,3 – “De longe o Senhor me apareceu: Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor.”

É desse amor eterno que temos necessidade, porque somente ele é a água pura – sem adoçante, que pode nos saciar completamente. Existe uma fonte que jorra para nos saciar.

Salmo 63 (62),2 – “Ó Deus, tu és o meu Deus, eu te procuro. Minha alma tem sede de ti, minha carne te deseja com ardor, como terra árida, esgotada, sem água”.

No início do trecho que lemos do profeta Jeremias, a palavra nos diz: “de longe o Senhor me apareceu…”. Na época em que esse texto foi escrito, o povo estava distante de sua terra, exilado em um lugar que não era a terra de Deus para eles. Hoje, muitos de nós estamos distantes da terra do coração de Deus e precisamos voltar.

Na busca por saciedade, muitas vezes nos afastamos de Deus porque acreditamos que em outros lugares, em outras pessoas, encontraremos aquilo de que precisamos. Tornamo-nos como o filho pródigo que tinha tudo na casa do Pai, mas não conseguia enxergar e, por isso, resolveu buscar fora (cf. Lucas 15,11-32). O que aconteceu com aquele filho?

Gastou tudo o que possuía numa vida desenfreada, devassa. Por fim, ele se viu comendo a lavagem dos porcos, despido de sua dignidade. Contudo, de alguma forma ele havia experimentado o amor que o pai tinha por ele e, arrependido, resolveu voltar.

Lucas 15,17-19 – “Quantos empregados há na casa de meu pai que têm pão em abundância… e eu, aqui, estou a morrer de fome! Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei: Meu pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados.”

O filho pródigo pensava ser feliz, pois tinha tudo. A fortuna que possuía nas mãos permitiu que experimentasse tudo o que queria para sua felicidade. Mas o pecado, lembre-se, vem com a aparência do que é bom, mas nos rouba e nos deixa vazios.

O desejo do amor eterno

Por mais longe que estejamos, o amor eterno de Deus nos atrai, nos traz de volta. A distância de Deus gera em nós uma saudade deste amor e, por mais que lutemos, essa saudade grita incansavelmente em nosso peito, implorando para que voltemos.

Diante disso, se queremos ser felizes de verdade, precisamos escolher voltar para Deus. Isso é conversão: ação de voltar, retornar.

É possível, muitas vezes, que não tenhamos coragem de nos distanciar fisicamente do Pai, como fez aquele filho, mas nosso coração pode estar muito distante desse amor eterno que o Pai tem por nós. Aqui também se faz necessário voltar, porque o coração distante também sofre de saudade.

Voltemos para o Amor Eterno! Voltemos para a única fonte capaz de saciar nosso desejo de infinito, pois o Pai nos espera, também com saudade, para nos receber e devolver tudo o que gastamos, tudo o que pecado nos roubou.

Tomemos a decisão de não mais ser enganados e de não beber uma água que parece pura, mas que, ao invés de nos saciar, nos faz ficar com mais sede.

O Pai nos espera, deseja nos abraçar, devolver nossa dignidade de filhos, preencher o vazio da saudade que temos no peito e nos fartar do amor eterno que tem por nós.

Edvandro Pinto
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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