Devemos sempre pedir! Mas o que pedir?

Recentemente, o Papa recebeu um grupo de crianças italianas que, acompanhadas de um bispo, tiveram a grande graça de um encontro com o Papa Leão XIV. Na ocasião, elas pediram ao Santo Padre que participasse de uma trend chamada “Six-Seven“. Sobre essa trend, se eu fosse você, não gastaria tempo pesquisando.

Mas, voltando ao ponto: ao ver essa cena, fiquei estarrecido, não pela situação em si, mas por aquilo que Deus provocou em meu coração: o que eu pediria ao Papa se tivesse um encontro com ele? A resposta foi imediata: “Santidade, reze para que eu seja santo e jamais deixe de desejar o Reino dos Céus”.

A resposta pode até parecer redundante para nós, que seguimos a Cristo, mas será que temos pedido aquilo que realmente precisamos? Será que temos rezado corretamente?

Nos Evangelhos, encontramos diversos diálogos entre Jesus e seus discípulos, além de muitos pedidos dirigidos ao próprio Senhor. Podemos começar com um dos discípulos, que lhe pediu: “Senhor, ensina-nos a rezar” (Lc 11,1). A partir desse pedido, fomos agraciados com a oração do Pai-Nosso.

Há também o pedido ousado dos irmãos Tiago e João: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir“. Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?” Eles responderam: “Concede-nos sentar-nos um à tua direita e outro à tua esquerda, na tua glória” (Mc 10,35-37).

Esse pedido gerou indignação entre os outros discípulos. Havia, de fato, certa desordem no desejo daqueles dois apóstolos. Contudo, Santo Tomás de Aquino, em sua obra Catena Aurea, explica: “Os discípulos, ouvindo Cristo falar frequentemente de seu Reino, pensavam que esse Reino viria antes de sua morte; e, por isso, agora que sua morte lhes fora anunciada, aproximaram-se dele para que fossem imediatamente considerados dignos das honras do Reino”.

O desejo deles ainda precisava ser purificado pela conformidade ao projeto salvífico de Cristo, manifestado em sua morte e ressurreição. Ainda assim, ambos beberiam do cálice da cruz, embora de modos distintos. Seja como for, devemos nos ater ao fato de que tiveram a coragem de pedir a Cristo um lugar em seu Reino.

O Doutor da Igreja Santo Agostinho dizia: “Tenho medo da graça que passa”. Essa frase me recordou de uma experiência recente com meu filho Murilo, de apenas quatro anos. Dirigi-me a ele e disse: “Filho, vou te amar até o céu”. E ele me respondeu: “Papai, quando a gente morrer e eu te encontrar no céu, vou te dar um abraço bem grande!”.

Naturalmente, meus olhos se encheram de lágrimas, pois esse é o principal desejo que deve nortear o coração dos pais em relação aos seus filhos: levá-los para o céu; fazer com que desejem a vida eterna acima de qualquer outra coisa. Naquele momento, interiormente, eu dizia ao Senhor: “Obrigado, Senhor. Tudo valeu a pena.”

Tudo isso também me remete ao profeta Simeão que, ao tomar o Messias nos braços, louva ao Senhor, dizendo: “Agora, Senhor, deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra. Porque os meus olhos viram a vossa salvação, que preparastes diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória de Israel, vosso povo” (Lc 2,29-32). Esse era o grande desejo do coração de Simeão: encontrar o Salvador. E Deus, em sua infinita bondade, concedeu-lhe essa graça.

Mas por que, então, temos medo de pedir ao Senhor? Qual é o seu sonho? Casar-se? Ser padre? Ser celibatário? Consagrar-se em um carisma específico? Quais são os anseios do seu coração?

Peça ao Senhor e apresente a Ele todos os seus desejos. Também temos sonhos legítimos para esta vida: uma boa casa, um bom trabalho, um bom carro, viagens… Coloque tudo isso diante de Deus. Se for da vontade d’Ele, Ele mesmo lhe concederá.

O que não podemos esquecer é de pedir aquilo que realmente importa: a nossa conversão e o Reino dos Céus. Como nos ensina o próprio Cristo: “Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos, que julgam ser ouvidos por muito falarem. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe do que tendes necessidade, antes mesmo que vós lho peçais” (Mt 6,7-8).

Que o Espírito Santo desperte o nosso coração para desejar e pedir, acima de tudo, os bens da vida eterna.

Que Deus te abençoe!

Marcos Augusto da Glória Morais
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

 

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