A alegria é uma busca incansável do ser humano. Tudo o que ele faz, empreende ou deseja tem como objetivo alcançar a alegria. É interessante notar que as pessoas, mesmo quando não estão alegres, desejam demonstrá-la. Parece que ela é o troféu do sucesso, enquanto a demonstração de tristeza é interpretada como sinal de fracasso.
A primeira alegria: A Glória de Deus
Não existe verdadeira alegria se não nos conectarmos com o transcendente, a fonte da qual emana a autêntica felicidade.
A glória de Deus é “a alegria que Deus proporciona a si mesmo”. Fomos criados nela, na “explosão de glória” da criação. Em tudo o que foi criado, há uma centelha de Deus que sustenta a obra de Sua benevolência. A alegria é inerente ao ser humano, uma vez que fomos criados pelo Deus que é plenamente alegre e feliz. Possuímos as características de nossos pais, e com Deus não é diferente; se fomos criados por Ele, temos Suas características.
O fluxo da Glória de Deus em nós
Quando nossa alma está em estado de graça e em íntima oração com o Criador, ela é envolvida por uma alegria inexplicável. Mesmo diante de provações e tribulações, há um conforto que toca o nosso âmago e transborda para a nossa carne, para a nossa matéria. É o fluxo da glória do Criador atuando em nós. Trata-se da verdadeira alegria experimentada pelos santos, pelos místicos, pelas virgens, pelos celibatários e por todo fiel que se entrega com docilidade a esse movimento. Essa é a verdadeira alegria e a fonte de todas as outras alegrias.
A segunda alegria: O ato conjugal
“O amor entre o homem e a mulher não surge da inteligência ou da vontade, mas de certa forma se impõe ao ser humano.” Esta é uma citação da carta encíclica “Deus Caritas Est” de Bento XVI, que nos remete a algo querido e sonhado por Deus, e que não é uma invenção humana.
No ato conjugal entre os esposos que se unem, as partes sexuais se entrelaçam em um ato de complementaridade e doação, trazendo-nos uma alegria – ou melhor, elevando-nos a uma alegria inexplicável, própria do céu e da glória de Deus.
Continuando com o documento mencionado anteriormente: “Sim, o Eros deseja nos elevar ’em êxtase’ em direção ao Divino, conduzindo-nos para além de nós mesmos. No entanto, para isso, requer um percurso de ascese, renúncias, purificações e aprimoramentos”.
É a posse incomunicável do Criador sobre as almas, trazendo-lhes um prazer que nos faz participar da obra criadora, tornando-nos co-criadores na geração dos filhos. Toda alegria verdadeira traz consigo um fruto, e no ato conjugal, esse fruto são os filhos.
No ato conjugal entre os esposos, quando ocorre em estado de pureza e doação, a intensificação do prazer é consideravelmente maior, levando-nos verdadeiramente ao êxtase, a tocar o céu, para depois se transformar em Ágape – o amor perfeito, o amor divino – e transbordar em Philia, o amor ao próximo.
Um importante alerta
É importante entender que tal Eros inebriante e descontrolado não é subida, “êxtase” até o Divino, mas queda, significando a degradação do homem. Deste modo, fica claro que o Eros necessita de disciplina, de purificação, para que assim possa dar ao homem a beatitude para que tende o nosso ser e não um prazer instantâneo.
A terceira alegria: O vinho
“Ora, pois, come alegremente teu pão e bebe contentemente teu vinho, porque Deus já apreciou teus trabalhos” (Ecle 9,7). O autor da Sagrada Escritura, com essa citação, nos mostra que o fruto do labor de nossas mãos merece uma comemoração, um louvor. Todavia, o mesmo autor nos alerta que se esses frutos não forem direcionados ao Criador, são apenas vaidades.
O vinho representa a alegria da criação. Quando empreendemos algo, construímos e conquistamos com elevação em louvor a Deus, estamos nos alegrando juntamente com toda a criação de Deus. Entretanto, quando atribuímos todo esse sucesso apenas a nós mesmos, torna-se mera vaidade, uma alegria passageira sem raízes que não nos conecta ao divino.
Símbolo da alegria
Vemos em muitos trechos da Bíblia que o vinho é símbolo de festa e alegria. O próprio Jesus, ao inaugurar sua vida pública, realizou seu primeiro milagre transformando água em vinho em uma festa de casamento (João 2,1ss).
O texto acima representa um extraordinário mistério que resume três formas de alegria: a manifestação pública do tempo da redenção, com o fluxo da glória na obra do Filho redentor; as bodas que não foram feridas nem pelo pecado original; e o vinho como sinal de alegria e da beleza da criação.
Quando degustamos uma taça de bom vinho, sentimos uma bela alegria na alma. Se estamos em estado de graça, essa alegria se torna um fio condutor de louvor a Deus, permitindo-nos tocar uma pequena centelha da alegria celeste.
Todo cristão precisa compreender que é importante celebrar e festejar. Como bem disse o Papa Francisco: “Como se pode fazer festa sem o vinho?”.
Um cuidado
Apesar de a Bíblia apresentar o vinho como um símbolo da alegria celestial, também nos adverte sobre os perigos da embriaguez, pois nela reside também a perdição, e não a verdadeira alegria.
Quando todas as nossas ações estão sob o senhorio da Glória de Deus, sob o fluxo dessa glória, o ato conjugal e o vinho se transformam em bens e testemunhos. O contrário nos conduz à beira do abismo, ao caos, ao efêmero e passageiro.
Em todos os aspectos da vida, é importante buscar um vislumbre do céu, a verdadeira alegria celestial, seja por meio da experiência do amor de Deus, do ato conjugal ou do vinho, que é um símbolo da alegria da criação.
Quando racapitulamos tudo no sacrifício de cruz de Jesus, ordenamos toda a criação para a verdadeira alegria!
Elias Antonio Breda Gobbi
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator
Fontes:
Ano formativo Comunidade Católica Pantokrator
Vídeo no youtube de Dom Henrique soares sobre a bebida alcoólica – https://youtu.be/wTii4eIMhIU
Documento Deus é Amor – Bento XVI



