A minha decisão por Deus, alcança outras pessoas?

decisão

Ao meditar com o tema de hoje, veio-me ao coração a decisão que mudou a história da humanidade: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc1,38).

Acredito que essa passagem nos fale ao coração o quão importante é – e até vital – a nossa decisão por Deus.

Esse “fiat” mudou não só a história humana como a história pessoal de Maria Santíssima. Creio que essa simples passagem já seja o suficiente para responder ao questionamento proposto, porém, o que é simples nem sempre é fácil.

Nossa Senhora tinha plena liberdade de dizer “não”, mas ela disse “sim”.

Podemos pensar: “mas ela recebeu uma graça especial para ser a mãe de Deus, para responder seu ‘sim’; foi preparada para aquele momento!” E eu acrescento: “assim como é conosco!”

Deus também nos dá uma graça especial para respondermos ao Seu chamando, também nos prepara para dizermos nosso “sim” e nos confia uma missão importante; porém, quantas vezes não recusamos a proposta dos “enviados de Deus”?! Quantas vezes não achamos um absurdo tal sugestão?! Quantas vezes pensamos que os “anjos” atrapalham, propõem algo impossível demais, exigente demais a nós?! E tendemos a recusar, acreditando tão somente na nossa fraqueza.

Se a Virgem Maria se ficasse em suas forças, certamente diria “não”. Se ela se fiasse em suas condições diante da grandeza da proposta, teria ainda maiores motivos de recusa. Se parasse no impossível da proposta, certamente a negaria com todas as razões do mundo. Contudo, ela se fiou na “força do Altíssimo que a envolveria com Sua sombra”, na Sabedoria de Deus que olhou para sua humildade e no poder d’Aquele para quem “nenhuma coisa é impossível” (cf. Lc1,35-37).

Ela disse “sim” tendo todos os motivos para dizer “não”.

O momento da decisão

Cabe continuarmos nossa reflexão olhando para nós agora. O chamado de Deus vem para todos nós, uma hora ou outra ele nos surpreende. Como nós o acolhemos? Sabemos muitas vezes o que Ele nos pede, mas se não o recusamos prontamente, no geral, protelamos.

As desculpas são muitas… “hoje não tenho condições”; “quando ficar mais velho penso nisso”; “isso não é para mim”; “quero ‘curtir’ a vida” (recusa-se o chamado da própria Vida!) e inúmeros outros argumentos que servem mais como auto consolo do que como motivos reais.

Medo, insegurança, impotência… tantos sentimentos podem aparecer nesses momentos se olhamos apenas para nós. Protelamos para um dia em que “eu esteja preparado”, para quando houver a “situação ideal”, quando “tal pessoa mudar”, sem percebermos que a situação adequada é aquela em que Deus nos chama, não aquela em que nós nos sentimos preparados, pois corremos o risco de responder ao nosso ego e não a Deus.

Imaginem as consequências da recusa de Nossa Senhora, se ela protelasse, achando-se “muito nova”. Toda a sincronia que Deus preparou para aquele momento seria desfeita: o momento do nascimento de João Batista, os discípulos, tudo o que havia sido predito desde a Antiga Aliança… Aquela festa de Casamento em Caná, todos os que seriam curados…

Como seria se os santos tivessem protelado ou recusado seus chamados? Se Mônica tivesse desistido de Agostinho, se Teresinha se achasse muito nova para o Carmelo, se os mártires achassem radical demais entregar a vida, se João Maria Vianney, diante de suas dificuldades no seminário, tivesse desistido, se Karol Wojtyla tivesse recusado o pontificado… segue a lista!

Eles ainda não sabiam o tamanho da santidade que Deus os chamava a viver. Como você e eu.

Porém, eles disseram “sim” e mantiveram suas decisões até o fim.

Decisão determinada

Maior do que tomar a decisão é manter-se nela.

Quantos disseram “sim”, mas depois desistiram?! A fidelidade à decisão por Deus é fundamental para a santidade, para a felicidade real do ser humano.

Da mesma forma que minha decisão por Deus alcança, não só minha vida toda, como a vida de inúmeras almas, assim também acontece com minha recusa ou minha desistência. Ouso dizer aqui que, se não há fidelidade, não há decisão verdadeira. Se há ressalvas, condicionamentos, parcialidades na resposta, abrimos uma brecha para um futuro rompimento.

A decisão de Maria Santíssima foi determinada e ela manteve seu “sim” em todos os momentos até no mais terrível deles: ver seu Filho morrer cruelmente torturado por aqueles que Ele tanto amou.

Diante dessa pequena reflexão, analisemos nossa decisão por Deus ou sua falta. Sejamos sinceros com nós mesmos: estamos protelando ou recusando veladamente?

Se já nos decidimos, em que nos fiamos em nossa decisão? Na força de Deus? Em Sua infinita misericórdia e sabedoria eterna que me escolheu porque me conhece muito bem? No Deus que faz o impossível acontecer? Na graça que me chama, sustenta, alimenta e amina? Na decisão de Deus por mim?

Antes de nos decidirmos por Ele, Ele Se decidiu por nós e foi até as últimas consequências. Porém, só a força de Seu amor é que nos capacitará a corresponder a tal decisão incondicional d’Ele por nós.

Nossa decisão, na verdade, é uma resposta a uma proposta de amor, como num matrimônio, cujas promessas, infelizmente tantas vezes ditas superficialmente, continuam contendo a profundidade, abrangência e potência que emanam de suas palavras:

“Eu te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza ou na pobreza, por todos os dias de nossa vida.”

Diante disso tudo, qual é a sua decisão?

Na decisão por Deus, não perdemos nada, ganhamos tudo.

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

Tags:

  ●    ●    ●    ●    ●    ●    ●    ●    ●    ●    ●    ●  

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Faça a sua doação e ajude a manter a nossa comunidade ativa e próspera

Conteúdos Relacionados

“Vimos o Senhor!”

No evangelho Jo 20, 24-29, temos a conhecida passagem da experiência profunda da verdade de Tomé com o Senhor. “Os outros discípulos contaram-lhe depois: ‘Vimos

Leia mais »
Ao continuar a navegar ou clicar em "Aceitar todos os cookies", você concorda com o armazenamento de cookies próprios e de terceiros em seu dispositivo para aprimorar a navegação no site, analisar o uso do site e auxiliar em nossos esforços de marketing.
Políticas de Cookies
Configurações de Cookies
Aceitar todos Cookies
Ao continuar a navegar ou clicar em "Aceitar todos os cookies", você concorda com o armazenamento de cookies próprios e de terceiros em seu dispositivo para aprimorar a navegação no site, analisar o uso do site e auxiliar em nossos esforços de marketing.
Políticas de Cookies
Configurações de Cookies
Aceitar todos Cookies