Já dizia Camões: “O amor é ferida que dóí e não se sente”… o amor tem suas contradições, assim como a frase do escritor português; mas, para um coração que ama, essa contradição é facilmente entendida… o amor faz doer em nós algo profundo. A verdade é que o amor tem mais a ver com a dor do que com a euforia, e quem ama sabe do que estou falando – a dor de uma mãe esperando seu filho chegar, a dor de ver um amigo chorar… isso se dá porque o próprio Amor, Deus, se entregou à dor, aceitou o sofrimento.
Contudo, esse sofrimento da cruz de Cristo partiu de Seu profundo amor por nós. Ele sabia que ia doer, e mesmo assim continuou até o fim para nos fazer livres do pecado. Jesus sabia das nossas infidelidades e abraçou com fidelidade nossa humanidade caída. O amor revela um mistério da alma humana, que só é encontrado quando essa mesma alma é marcada profundamente pela dor e pela redenção que o amor produz a partir disso.
Deus nos cura e nos encontra no deserto em meio aos urros selvagens, e é na força da redenção do amor que nos liberta da nossa condição de escravidão. O processo de cura é saber que a ferida será exposta, para que Ele a limpe; é entender que a fragilidade de nos mostrar nus diante de Deus, deixar Ele ver nossas misérias e dificuldades, nos despir do orgulho e da soberba, é deixar Deus ser Deus de nossas vidas.
Para isso é preciso coragem
A encontramos em Jesus, que nos diz “Não tenhais medo, Eu venci o mundo”. Ele nos conforta ao revelar que já viveu todo sofrimento por nós; só precisamos nos entregar a Ele, com a certeza de que vai doer, mas é amor que me cura e me liberta dos vícios, medos, e falsas sabedorias. Esse amor que faz doer em mim é sinal que a redenção está alcançando a minha vida: eu estou participando da cruz de Cristo e logo viverei com Ele como filha muito amada.
Não se explica o amor, Ele se basta, Ele é ação, Ele simplesmente É. Quem pensa que o amor está entre um homem e uma mulher não o conhece realmente. Quem pensa que não pode sofrer, não ama, se nega a amar, pois o auge do amor é a cruz! E, se somos imagem e semelhança… bom… tire suas conclusões! Não tenhamos medo da dor, pois é nela que se revela o amor.
Juntos até o céu!
Tayná Barbosa
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator



