“Ensinai-me a fazer vossa vontade, pois sois o meu Deus” (Sl. 142, 10). A oração do salmista vai ao encontro de muitas pessoas separadas, que buscam apesar do fracasso matrimonial, se deixar conduzir pelos desígnios de Deus.
O sacramento do matrimônio é dom e salvação para os esposos. O fim de um matrimônio válido, depois de várias tentativas de reconciliação, pode levar a pessoa a pensar que Deus também rompeu com ela. No entanto, Deus não abandona. A Igreja é a “família de famílias”, cada indivíduo torna-se um bem para Igreja.
Igreja Mãe e Mestra
Ao meditar as exortações apostólicas que falam sobre a família e o sacramento do matrimônio, os documentos dedicam especial atenção às pessoas separadas. Diante de situações difíceis e famílias feridas, a Igreja por amor à Verdade, avalia cada caso. Trataremos aqui das pessoas separadas sem segunda união.
“A solidão e outras dificuldades são muitas vezes herança para o cônjuge separado, especialmente se inocente. Em tal caso, a comunidade eclesial deve ajudá-lo mais que nunca; demonstrar-lhe estima, solidariedade, compreensão e ajuda concreta de modo que lhe seja possível conservar a fidelidade mesmo na situação difícil em que se encontra; ajudá-lo a cultivar a exigência do perdão própria do amor cristão e a disponibilidade para retomar eventualmente a vida conjugal anterior”(1).
Cientes da indissolubilidade do casamento (“o que Deus uniu não o separe o homem” (MT 19,6), algumas pessoas separadas, optam por não contrair uma segunda união e seguem como solteiros, vivendo a castidade e zelando por sua família. “Em tal caso, o seu exemplo de fidelidade e de coerência cristã assume um valor particular de testemunho diante do mundo e da Igreja, tornando mais necessária ainda, da parte desta, uma ação contínua de amor e de ajuda, sem algum obstáculo à admissão aos sacramentos”. (2)
Exemplo esse, que combate a “cultura do provisório”, tão citada pelo Papa Francisco, em um mundo, que cada vez mais, se entrega ao individualismo, a falta de compromisso verdadeiro e ao descartável. “Refiro-me, por exemplo, à rapidez com que as pessoas passam duma relação afetiva para outra. Crêem que o amor, como acontece nas redes sociais, se possa conectar ou desconectar, ao gosto do consumidor e inclusive bloquear rapidamente” (3).
Filhos de pais separados
A Igreja alerta que os filhos não podem virar refém: “Separastes-vos devido a muitas dificuldades e motivos, a vida deu-vos esta provação, mas os filhos não devem carregar o fardo desta separação; que eles não sejam usados como reféns contra o outro cônjuge, mas cresçam ouvindo a mãe falar bem do pai, embora já não estejam juntos, e o pai falar bem da mãe”. (4)
Processo de cura para as pessoas separadas
A Igreja coloca à disposição não só das pessoas separadas, mas também de toda a família, grupos de apoio, de oração e de aconselhamento quanto superação dos conflitos e educação dos filhos. É preciso deixar Deus curar as feridas e reordenar todas as coisas. Um processo que passa pela cura interior, bem como, o perdão a si mesmo e ao outro. Ter a esperança de que Deus pode tirar de todo o mal um bem maior.
Referências:
(1)Familiaris Consortio, 83.
(2)Idem ibidem.
(3) Amoris Laetitia,39.
(4) Amores Laetitia, 268.
Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



