Mesmo na tempestade, Ele é o Senhor

tempestade

A fé que todos recebemos no dia em que fomos batizados e que foi alimentada pelos ensinamentos que obtivemos ao longo de nossas vidas, nos garante que Deus é o Senhor de todas as coisas. Todavia, quando nos vemos surpreendidos por alguma tempestade, somos desafiados e corremos o risco de nos questionar sobre o senhorio de Cristo que proclamamos.

Onde está Deus quando somos assolados pelos ventos fortes, pelas ondas agitadas do mar que se levantam contra nós nas tempestades?

São Marcos evangelista nos relata que, em certa ocasião, enquanto Jesus e os discípulos atravessavam o mar, uma grande tempestade se desencadeou, de tal forma que as ondas cobriam a barca e a enchiam de água. Tomados pelo medo, os discípulos foram até Jesus que “achava-se na popa, dormindo sobre um travesseiro” (cf. Marcos 4,35-41).

A pergunta dos discípulos para Jesus ao o acordarem: “Mestre, não te importa que pereçamos?”(Mc 4,38) é a mesma que fazemos quando ao nos encontrarmos em apuros, questionamos onde está Deus e se Ele realmente se importa conosco. Outras vezes, em nossa lógica, pensamos que a tempestade nem deveria acontecer, pois, afinal, se Deus está conosco e Ele tem o controle de tudo, deveríamos permanecer sempre em paz.

Sim, Ele é Deus. É o Senhor de todas as coisas; tudo está sob o Seu domínio e controle.

As tempestades que desejamos evitar e que nos fazem, tantas vezes, vacilar em nossa fé não fazem com que Deus seja menos Deus. Ele é Deus em todas as circunstâncias. Ao contrário, as situações desafiadoras, que nos amedrontam e até geram sofrimento, são oportunidades que temos para experimentar o poder de Deus em nossas vidas, para nos colocarmos realmente sob o Seu senhorio.

Jesus, ao ser acordado, primeiramente repreende o vento e ordena que o mar se cale, e, em seguida, diz aos discípulos: “Como sois medrosos! Ainda não tendes fé?”. Não são estas as mesmas palavras que o Senhor diz a nós quando nos afligimos diante das tempestades?

O Senhor espera que tenhamos fé n’Ele, na Sua presença. Ao nos repreender, Ele tem a intenção de nos fazer crescer na fé, para que sejamos como a casa que é construída sobre a rocha, que é o próprio Cristo; esta casa, mesmo violentada pela chuva, enchentes e ventos, permanece de pé, porque seu alicerce é sólido e profundo (cf. Mateus 7,24-27)

Cristo é maior que a tempestade

Ainda que o vento se levante com força, que as ondas se lancem contra nós, o que é maior e mais forte que Deus?

O medo é um sentimento natural no ser humano, um instinto de proteção. Diante de um perigo é o medo que nos coloca em estado de alerta e nos faz reagir para protegermos nossas vidas. Contudo, o medo não deve nunca ser maior que a confiança que devemos depositar em Deus. Muitas vezes, assim como os discípulos, não há o que fazer e o desespero piora ainda mais a situação.

Para aqueles que estavam com Jesus bastava acreditar que se o Senhor estava presente na barca, nenhum mal aconteceria. Em algum momento o Senhor acordaria; Ele não permitiria que os Seus padecessem.

Em nossas vidas, quando o Senhor parece dormir e os nossos olhos não conseguem contemplar Sua ação a nosso favor, precisamos fazer atos de fé, afirmando, ainda que com medo: “Jesus, eu creio que o Senhor está comigo! Creio que não perecerei, porque o Senhor prometeu fidelidade a mim, dizendo que estaria comigo todos os dias” (cf. Mateus 28,20).

Quanto mais afirmamos nossa confiança em Cristo, mais fixamos nossos corações n’Ele, crescemos na fé e somos fortalecidos com a certeza de que nosso barco não afundará, porque Aquele que tem o domínio sobre o mar e todas as coisas, está conosco.

Olhemos para Cristo e creiamos de todo o coração que mesmo na tempestade, Ele é Senhor.

Unamo-nos a Santa Teresinha do Menino Jesus, que nos ensina o caminho da confiança inabalável que devemos ter em Jesus e rezemos um trecho de seu belíssimo poema “Viver de Amor”:

“Viver de Amor, enquanto meu Mestre cochila,
Eis o repouso entre as fúrias da vaga.
Oh! Não temas, Senhor, que eu Te acorde,
Aguardo em paz a margem dos céus…
Logo a fé irá rasgar seu véu,
Minha esperança é ver-Te um dia.”

 

Edvandro Pinto
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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