No dia 09 de julho celebramos Santa Paulina!
A santidade de Madre Paulina foi oficialmente reconhecida pela Igreja no dia 19 de maio de 2002, quando ela foi canonizada na Praça São Pedro, no Vaticano, durante a Santa Missa presidida por Papa João Paulo II. Nesse dia histórico, Madre Paulina tornou-se a primeira santa reconhecida por sua vida de santidade vivida em solo brasileiro. Em sua homilia, São João Paulo II destacou a profunda ação de Deus na vida da santa, afirmando que nela “a ação do Espírito se manifesta de modo especial”. O Papa recordou seu amor pelos pobres, doentes e abandonados, ressaltando que sua vida foi uma entrega total ao serviço do próximo. Entre suas palavras mais marcantes sobre Madre Paulina, destacou que ela foi uma verdadeira manifestação do Espírito Santo, porque, ao servir os mais necessitados, tornou-se sinal do amor consolador de Deus no mundo. Também recordou sua confiança inabalável na vontade divina, mesmo em meio às humilhações, sofrimentos e limitações físicas. Sua vida provou que a santidade floresce na humildade, na caridade e na perseverança. São João Paulo II viu em Madre Paulina um exemplo luminoso para toda a Igreja: uma mulher pequena aos olhos do mundo, mas grandiosa aos olhos de Deus.
Falar de Madre Paulina é falar de amor, entrega e santidade. Primeira santa canonizada do Brasil, ela nasceu na Itália, em 1865, com o nome Amábile Lúcia Visintainer, e ainda criança veio com sua família para o Brasil. Sua vida foi marcada por grandes sofrimentos, mas também por uma profunda alegria que nascia de sua união com Deus.
Desde cedo, Madre Paulina entendeu que a verdadeira felicidade não está nas riquezas, no conforto ou no reconhecimento humano, mas em viver a vontade de Deus. Seu coração ardia pelo desejo de servir, especialmente aos mais pobres, doentes e abandonados. Ela cuidava de enfermos, acolhia órfãos e amparava aqueles que o mundo esquecia.
Mesmo enfrentando humilhações, incompreensões e doenças (incluindo a amputação de um braço) Madre Paulina jamais perdeu a esperança. Sua força vinha de Deus. Ela compreendia algo essencial para todo cristão: ser santo não significa ter uma vida sem cruzes, mas viver cada cruz unido a Cristo.
A Palavra de Deus nos lembra: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1,16).
A santidade é um chamado para todos, não apenas para religiosos, padres ou freiras. Cada cristão é chamado a ser santo no cotidiano: no trabalho, em casa, na família, na dor e na alegria. Ser santo é permitir que Deus transforme o coração.
Muitas pessoas pensam que santidade é tristeza, rigidez ou renúncia sem alegria, mas é justamente o contrário. Quanto mais pertencemos a Deus, mais experimentamos a verdadeira alegria.
Jesus disse: “Tenho-vos dito isto para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja plena” (João 15,11).
A alegria de Deus não depende das circunstâncias. Não é a alegria passageira do mundo, baseada em emoções momentâneas. É uma alegria profunda, que permanece mesmo nas tribulações. Madre Paulina viveu isso. Mesmo em meio ao sofrimento, manteve a paz porque sabia em quem confiava.
Isso nos faz lembrar de São Paulo, um dos maiores exemplos de transformação e santidade da Igreja. Antes conhecido como Saulo, perseguidor dos cristãos, ele teve sua vida completamente mudada ao encontrar Jesus no caminho de Damasco. A partir daquele encontro, deixou de perseguir Cristo para entregar-se totalmente a Ele.
São Paulo sofreu prisões, perseguições, naufrágios, fome e rejeição. Ainda assim, escreveu palavras surpreendentes sobre alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Filipenses 4,4).
Como alguém preso podia falar de alegria? Porque sua alegria não vinha da liberdade física, mas da liberdade interior em Deus.
Madre Paulina e São Paulo nos ensinam a mesma verdade: a santidade gera alegria. Quando uma alma pertence totalmente a Deus, ela encontra paz até no sofrimento.
São Paulo também escreveu: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,20). Esse versículo resume a vida dos santos. Eles deixam Cristo viver neles. Foi assim com a Madre Paulina. Sua vida tornou-se um reflexo do amor de Jesus.
Hoje, em um mundo marcado por ansiedade, pressa e vazio espiritual, a vida de Madre Paulina continua atual. Ela nos convida a olhar para o alto e perguntar: Para que estou vivendo?
Fomos criados para algo maior do que sobreviver, trabalhar e acumular bens. Fomos criados para Deus. Fomos criados para a santidade.
O próprio Senhor nos fortalece nessa caminhada: “A alegria do Senhor será a vossa força” (Neemias 8,10).
Que frase poderosa! A nossa força não vem apenas da disciplina ou da vontade humana. Vem da alegria que nasce da presença de Deus.
Madre Paulina sabia disso. Por isso, mesmo quando perdeu posições, saúde e reconhecimento, nunca perdeu o essencial: sua união com Cristo.
Ser santo hoje é possível. A santidade começa nas pequenas escolhas: perdoar, rezar, servir, amar, recomeçar e confiar em Deus. Não é um caminho para poucos privilegiados, mas para todos os que dizem “sim” ao Senhor.
Sua trajetória é marcada por muita devoção e serviço ao próximo:
- Primeiros passos: chegou ao Brasil em 1875 com a família, estabelecendo-se na cidade de Nova Trento (SC). Desde jovem, dedicou-se à catequese e a cuidar de doentes.
- Fundação: em 1890, ao ajudar uma mulher com câncer terminal, deu início à fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, a primeira congregação religiosa feminina fundada em solo brasileiro.
- Atuação em São Paulo: a partir de 1903, transferiu-se para a capital paulista. Lá, liderou trabalhos sociais importantes, incluindo o acolhimento de crianças órfãs e filhos de ex-escravizados no bairro do Ipiranga.
- Legado e canonização: nos seus últimos anos, enfrentou graves problemas de saúde devido à diabetes, mas continuou firme na fé até sua morte em 9 de julho de 1942. Foi canonizada pelo Papa João Paulo II em 2002, recebendo o nome oficial de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
Que Madre Paulina interceda por nós, para que aprendamos a viver com coragem, fé e alegria. E que, inspirados também por São Paulo, possamos repetir todos os dias: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé” (2 Timóteo 4,7).
Ser de Deus é a maior alegria que existe. Ser santo é o destino mais belo que uma alma pode abraçar.
Marcia Pataro
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



