ESSA SERÁ A MAIOR MISSÃO DO PONTIFICADO DO PAPA LEÃO XIV

Milhares de fiéis se encontravam presentes na Praça de São Pedro naquela tarde de 18 de maio em que finalmente subiu a famosa “fumaça branca”. Alguns minutos depois, para o espanto de diversos jornalistas, quem apareceu na sacada mais famosa do mundo não foi nenhum daqueles candidatos havidos como certos. Tratava-se de um senhor simpático que havia acabado de trocar de nome. Antes era Robert Francis Prevost; agora seria Leão XIV.

Sem nenhuma dúvida, este foi o Conclave mais midiático da história. Todas as páginas de notícias ou canais de televisão se dedicaram, durante dias, a tratar sobre o sucessor da Barca de Pedro, que seria eleito para governar mais de um bilhão e quatrocentos milhões de católicos. 

O curioso é que, embora grande parte dos profissionais de impressa não sejam religiosos e nem sequer frequentem a Missa, não se intimidaram em apontar – cada qual com seus respectivos critérios – qual seria a grande “missão do próximo pontificado”. Quem tentou acompanhar as notícias deve ter se sentido confuso: um dizia que o grande objetivo do Papa seria promover agendas sociais; outros diziam que o Papa se dedicaria acima de tudo a aumentar o número de fiéis; também houve quem se arriscou a dizer que o pontificado teria como centro o combate às guerras, ou ainda, a difícil situação financeira do Vaticano…

No entanto, quem já “é de casa” (da Igreja) e conhece ao menos um pouco sobre história e sobre Bíblia sabe muito bem que todos esses temas – e os outros mil que foram ventilados – são importantes, mas não fundamentais. Sabe, ainda, que a “grande Missão” do queridíssimo Papa Leão XIV será a mesma do Papa Francisco, do Papa Bento XVI, do Papa São João Paulo II… e dos mais de 200 outros pontífices: a Missão de guardar e confirmar a fé dos seus irmãos

A IGREJA NÃO É UMA ORGANIZAÇÃO POLÍTICA

Muitas pessoas, para tentar entender o cenário eclesial envolto ao último Conclave, usaram termos bastante imprecisos para abordar a questão: qualificaram cardeais como candidatos de “esquerda” ou “direita”, comentaram eventuais “planos de governo” e até analisaram entrevistas como se estivessem assistindo a campanhas políticas. 

É justamente nesse caos que a figura do Santo Padre passou a ser percebida como se ele fosse um simples chefe de governo, tal como um presidente ou um primeiro-ministro. Então não faltaram campanhas (dentro e fora da Igreja) sobre quais as “mudanças” que o novo Papa deveria promover. Como se Leão XIV fosse agora alterar a constituição da Igreja para anular tradições antigas ou doutrinas “ultrapassadas”

O que acontece, entretanto, é o seguinte: a maior missão de um Papa não é mudar, mas manter. Sua maior preocupação nunca será a de construir uma Igreja diferente, mas a de preservar a Igreja bimilenar. Em outras palavras, todos os Papas sabem que a Igreja não é dele, mas de Cristo, e que o sucessor de São Pedro está lá para servir de simples vigário (representante) até que o verdadeiro dono da Igreja retorne em Sua glória.

Muitos chegaram a coletar estatísticas variadas para demonstrar que os católicos do século XXI já pensam diferente, e que, portanto, a mudança de “mentalidade” da Igreja seria inevitável. Mas quem falou que a Igreja se move de acordo com a opinião incerta e instável de supostas maiorias? Há uma lista enorme de Papas do primeiro e do segundo séculos que foram martirizados por não aceitar a paganização da fé – mesmo que a maioria do Império Romano fosse pagã. 

Supor que um Papa possa mudar o número de sacramentos ou a moralidade de algum dos mandamentos é o mesmo que supor que um caseiro pode alterar as cores da casa na ausência do patrão: é loucura!

“APASCENTA OS MEUS CORDEIROS” (Jo 21,15).

Na Última Ceia, Cristo fez uma revelação surpreendente a São Pedro (o primeiro Papa). Disse a ele que Satanás havia pretendido se apoderar dele, para “peneirá-lo como trigo”. E então Jesus continuou, acrescentando qual seria o grande papel de Pedro: “Mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos (Lc 22,32). 

Isso significa o seguinte: Nosso Senhor sabia que se aproximava sua hora de morrer e que a Igreja passaria por momentos difíceis. Quando esses momentos viessem, caberia ao Papa a missão de confirmar os irmãos na verdadeira fé, cuidando para que ninguém se perdesse ou se confundisse.

Essa foi a grande glória dos Papas ao longo da história. Quando a Igreja era assaltada por uma heresia, foi uma carta do Papa São Leão Magno lida no Concílio de Calcedônia que esclareceu a verdadeira . Quando a Igreja se viu diante das dificuldades de expansão rumo às terras bárbaras, foi a voz do Papa São Gregório quem norteou o caminho. Quando a Igreja teve suas terras invadidas no século XIX, foi o Bem-Aventurado Pio IX quem se ergueu com seu poder espiritual. Do mesmo modo se ergueu o Papa Pio X para combater o Modernismo, chamado por ele como a “síntese de todas as heresias”.

Não faltam inimigos à Igreja Católica. Muitos trabalham dia a noite no combate contra o Evangelho, na tentativa de destronar o Cristo. Em um cenário como este, é evidente que a grande missão pessoal do novo Papa será muito mais do que articular diplomacias ou resolver questões financeiras: o Papa Leão XIV foi chamado por Deus, antes de tudo, para ser uma espécie de âncora para a nossa fé.

E não devemos temer, de modo algum, já foi também a um Papa – o primeiro deles – que Jesus fez aquela promessa tão consoladora de que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra a Sua Igreja. Nós cremos!

Vida longa ao Santo Padre!

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

Rafael Libório
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

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