“Esperar”, eis aqui uma coisa realmente difícil e que vem de encontro com um dos maiores e mais comuns defeitos de todos nós: a falta de paciência. É estranho notar que mesmo as crianças pequenas, em toda a sua ingenuidade, já se mostram ansiosas e esperneiam quando veem a mamãe chegando com a mamadeira.
Desde que mundo é mundo, desde que nós nos reconhecemos como pessoas, temos um ímpeto interior que nos leva a desejar as coisas de imediato! O problema é que nem sempre isso se mostra benéfico, seja para a nossa vida emocional ou para a vida espiritual.
Precisamos de tudo “pra ontem”…
A pessoa que vos escreve tem um exemplo vivo aqui em casa. Meu filho, no auge do seu um ano e meio, não aceita esperar sequer um minuto quando vem me pedir alguma coisa. Às vezes nem é tanto tempo, coisa de alguns segundos, mas para ele é motivo de grande frustração e escândalo.
Diante da impaciência do meu menino, não são raras as vezes em que eu demoro (de propósito) para entregar o objeto que ele quer – e o faço por amor. Estamos falando de um pequeno homenzinho que está na fase de aprender que a vida não é um “drive thru”, onde ele conseguirá todas as coisas imediatamente com o apertar de um simples botão. Muitas vezes ele terá que esperar, e esta espera pode não ser tão rápida!
No entanto, quantos de nós – que já passamos do nosso um ano e meio – não acabamos por imitar meu pequenino, fazendo nossas birras e manhas quando temos que esperar por algo?
Esperar é frustrante, mas por que?
Esperar é, de longe, uma das coisas mais difíceis que somos chamados a viver… E não estou me referindo a coisas pequenas, como esperar uma encomenda do correio ou as férias do fim de ano. Às vezes a “demora” está em coisas essenciais: a gravidez que não vem; a fila de um transplante; o marido dos sonhos que não aparece; a doença que não sara…
Todo mundo já teve que esperar o resultado de algum exame ou a resposta de alguma decisão importante. Todo mundo sabe o quão frustrante é ter que aguardar.
No fim das contas, o motivo da frustração é bem simples: quando somos chamados a esperar, somos automaticamente tirados do controle da situação. Pense sobre isso: toda espera envolve algo que nós não podemos fazer por nós mesmos. Dependemos sempre de algo ou alguém – quando, no fundo, não queríamos depender de ninguém.
Mas só se frustra quem opta por esperar sozinho
Somos meras criaturas. Não conseguiremos – nem de longe! – dar conta de tudo ou estar no controle de todas as situações. Muitas das coisas que precisaremos passar sairão absolutamente do nosso âmbito, e isso é normal! Somos limitados e a necessidade de espera faz parte deste limite.
Mas perceba que este limite não deve nos conduzir ao desespero ou à derrota. Ao contrário, é este o momento em que somos chamados a esperar, não nas coisas, mas no próprio Deus – que tudo controla e tudo pode!
As Sagradas Escrituras nos lembram insistentemente: “Espera no Senhor e sê forte!” (Sl 26,14); “Aqueles que esperam no Senhor renovam sua força, e ele lhes dá asas de águia!” (Is 40,31); “Sofre as demoras de Deus, dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça” (Eclo 2,3).
Durante essa forçada espera, não podemos nos portar como uma criança imatura que faz birras e transtorna tudo ao seu redor. Sejamos adultos e tenhamos em nossa consciência que Alguém, infinitamente maior que nós, está a nosso favor. Quem realmente crê nisso, mantém o coração sempre calmo e em paz.
O melhor… sim, sempre o melhor virá!
Sejamos, portanto, como aquele homem descrito no salmo 111: “Ele não teme receber notícias más. Confiando em Seu Deus, seu coração está seguro e nada teme”.
Independente da espera que você esteja vivendo ou da apreensão que isto esteja lhe causando, se você mantiver seu coração no céu, fique tranquilo, pois toda a resolução está sendo providenciada pelo Criador de tudo – Aquele que tudo sabe, Aquele que sempre nos reserva o melhor!
Não precisamos aguardar sozinhos, muito menos sofrer sozinhos! Temos alguém por nós, que não economizará em bênçãos e graças para o nosso auxílio. Deus é sempre por nós e nada pode tirar a paz daquele que espera no Senhor.
Não nos esquecemos de que, assim como a criança pode confiar e esperar os cuidados necessários do seu pai, nós também podemos contar com a ação poderosa do nosso Pai do Céu.
Deus nos abençoe sempre!
Angélica Baruchi Libório
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator



