No dia 25 de julho, a Igreja Católica também celebra a memória de São Cristóvão, o santo protetor dos viajantes. O verdadeiro nome de São Cristóvão antes do batismo era Réprobo, mas, posteriormente, passou a chamar-se Cristóvão, que significa “aquele que carrega o Cristo”.
Segundo a tradição, Cristóvão era um homem muito alto e forte, descendente da linhagem cananeia. Por conta de sua estatura e porte físico avantajados, tornou-se um guerreiro imbatível. Embora fosse inculto, era inteligente e nutria o desejo de conhecer o rei mais poderoso da Terra, pois havia em seu coração uma forte aspiração de servir ao “maior rei de todos”.
Eis o primeiro ensinamento de São Cristóvão: desejar conhecer o maior rei de todos! O verdadeiro Rei, o VERDADEIRO DEUS, para segui-Lo e servi-Lo!
Movido por esse desejo, Réprobo foi ao encontro do Rei de Canaã e, por ser um guerreiro robusto, foi prontamente admitido como seu servo. No entanto, mesmo servindo ao rei, não se sentia satisfeito — algo perturbava seus pensamentos.
Quantas vezes também nos sentimos insatisfeitos com nossa vida, como se algo estivesse errado ou faltando? Eis o segundo ensinamento de São Cristóvão: estarmos atentos às inquietações do nosso coração! Elas podem — e devem — ser a motivação que nos impulsiona em busca daquilo que é essencial em nossas vidas, a única e verdadeira fonte de paz e preenchimento do nosso vazio interior: o VERDADEIRO DEUS!
Durante uma festividade no reino, o guerreiro percebeu que o rei fazia o sinal da cruz toda vez que as músicas mencionavam nomes de demônios. Questionado por Réprobo, o rei explicou que traçava aquele sinal como proteção contra a presença maligna evocada nas canções: “Faço esse sinal sempre que ouço alguém mencionar o diabo, com medo de que ele se apodere de mim e me cause algum mal”. Ao ouvir isso, Cristóvão replicou: “Ora, se temes o mal que o diabo possa te causar, é porque ele — por quem demonstras tanto medo — é maior e mais poderoso do que tu. Enganei-me, portanto, ao pensar que havia encontrado em ti o maior e mais poderoso senhor do mundo. Adeus! Agora desejo encontrar o diabo, para tê-lo como senhor e tornar-me seu servo”.
Réprobo concluiu, então, que o demônio era mais poderoso que o rei, e por isso seria o mestre que ele tanto desejava servir.
Eis o terceiro ensinamento de São Cristóvão: abandonarmos prontamente os falsos senhores, os falsos deuses! E quantos deuses se apresentam diariamente em nossas vidas! Dinheiro, trabalho, cônjuges, filhos, bens materiais, ou até mesmo nós próprios…
O guerreiro partiu em busca do demônio, atravessando o deserto, até encontrá-lo. Caminharam juntos por um longo período, até que Cristóvão percebeu que o demônio fugia sempre que avistava uma cruz. Ele o questionou sobre esse medo e ameaçou deixá-lo caso não obtivesse resposta.
Pressionado, o demônio explicou: “Um homem chamado Cristo foi pregado numa cruz. Sempre que vejo esse sinal, fico aterrorizado e fujo. Ele me causa grande temor”. Cristóvão então disse: “Se temes tanto esse Cristo, cujo sinal tanto te assusta, é porque Ele é maior e mais poderoso do que tu! Trabalhei em vão até agora, sem encontrar o maior rei do mundo. Adeus! Agora desejo procurar esse Cristo”.
Curioso, saiu em busca de respostas até que encontrou um sábio eremita, que lhe revelou que a figura ligada à cruz era, de fato, o ser mais forte e poderoso entre todos: Jesus Cristo. O eremita lhe explicou que, para encontrá-Lo, era necessário orar com fervor e praticar o jejum. Contudo, Réprobo não se convenceu com aquele conselho aparentemente tão simples. Então, o eremita sugeriu que ele permanecesse à beira de um rio, ajudando as pessoas a atravessá-lo e espalhando o amor entre elas.
Após sua conversão, Réprobo seguiu o conselho do eremita e passou a viver junto ao rio, auxiliando os viajantes e anunciando a Palavra de Cristo. Certa noite, durante uma tempestade, um menino lhe pediu ajuda para atravessar o rio. Apesar de parecer pequeno, a criança era surpreendentemente pesada, exigindo de Cristóvão grande esforço para transportá-la. Ao final da travessia, o menino revelou sua identidade: era Jesus Cristo.
Por esse motivo, Réprobo passou a ser conhecido como “portador de Cristo”, adotando o nome de São Cristóvão. Tornou-se, assim, o padroeiro dos motoristas e viajantes. Mais tarde, foi denunciado por sua pregação entre os soldados, e levado a julgamento, sendo pressionado a renunciar à sua fé. Contudo, manteve-se firme e foi martirizado por decapitação. São Cristóvão “carregou Cristo” em seu coração até o último dia de sua vida.
Eis mais um ensinamento de São Cristóvão: tendo encontrado Cristo, o verdadeiro Senhor de nossas vidas, sejamos cristãos tão autênticos que nossa presença seja sinal de conversão e mudança para todos que cruzarem nossos caminhos.
Que Deus nos conceda a graça de sermos como São Cristóvão, que converteu a muitos apenas com sua presença, sendo, como ele, fiéis até o fim de nossas vidas.
São Cristóvão, rogai por nós!
Ana Marta Girotto Fonseca
Discípula da Comunidade Pantokrator




Uma resposta
Não conhecia a belíssima história de São Cristóvão. Gosto muito de conhecer sobre a vida dos Santos. Sou catequista e isso me ajuda bastante em meus encontros com os adultos que preparo para receberem o sacramento da crisma.