Deus já me perdoou, mas não consigo aceitar a minha história…

aceitar

O Sacramento da Reconciliação ou Confissão é uma das “formas” que o Senhor encontrou para ficar conosco. Através do perdão dos nossos pecados, Deus manifesta sua misericórdia, Seu poder e Sua glória. No entanto, algumas vezes, mesmo após a confissão, “não consigo aceitar que meus pecados foram redimidos, não consigo me reconciliar comigo mesmo”. Isso já aconteceu com você?

Aquele que crê em Cristo e já viveu uma experiência de se sentir amado por Ele, certamente já experimentou também o poder de Sua ação redentora. Não é uma questão de aceitar ou não que fomos perdoados. Quando reconhecemos e buscamos o perdão de nossos pecados, a misericórdia de Deus, desce até nós e nos perdoa. Quem nos garante isso é o próprio Deus, por meio de Sua palavra: “Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade” (1Jo 1, 9).

Por que não consigo aceitar o perdão?

A partir do momento que recebo a absolvição dos meus pecados através do sacerdote, devo tomar posse dessa graça e lutar para não mais pecar. No entanto, se mesmo após ter recebido o Sacramento da Reconciliação, ainda não sou capaz de acolher a misericórdia e aceitar a minha história, então, é preciso refletir.

Uma das coisas que podem nos impedir de nos reconciliar com nós mesmos é não confiar em Deus. Não confiar em Sua misericórdia, ou que Seu amor é Poderoso e capaz de tudo. A desconfiança nos afasta de Deus e nos fecha à Sua graça. Se não confio em Deus, também não consigo acreditar que Ele pode e quer me perdoar.

É importante também refletir se o fato de não aceitar a própria história não está ligada a certa soberba. Podemos cair na tentação de achar que nosso pecado é maior que Deus. Desse modo, não somos capazes de acolher o Seu perdão, acreditando que o pecado e a própria história são imperdoáveis. Colocamos o pecado acima da misericórdia do Pai.

Existem casos também em que se cria certo apego àquilo que já passou, como se a pessoa não conseguisse se enxergar além daquilo que já viveu, impedindo-a de ter um olhar de esperança e de fé sobre sua vida.

“Mas onde abundou o pecado, superabun­dou a graça” (Rm 5,20)

Essa deve ser a certeza do nosso coração. Somos pecadores, isso é fato. E o Senhor sabe disso. Mesmo assim, o Pai quis e ainda quer estar conosco. Quer nos salvar e nos amar a cada instante da nossa existência.

Muitas vezes somos atormentados pelo sentimento de culpa, censura ou acusação. Mas é importante recordar que Deus não nos acusa: “caso nossa consciência nos censure, … Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas” (1Jo 3, 20).

O Senhor sempre nos chama a uma vida nova. “Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo” (2Cor 5,17).

Sendo assim, após uma reflexão madura e amparada na oração, sobre o que realmente tem movido meu coração a não encontrar uma reconciliação interior, é importante submeter tudo ao Pai. Reconheça suas fraquezas, angústias e misérias. Clame o Espírito Santo que conduza você de forma clara e sincera.

Não se esconda, permita-se ser tocado por Deus, queira ser profundamente transformado por Ele. Não se apegue ao passado, permita que Deus faça tudo novo em sua vida. “Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa” (Jo 15,11).

 

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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