Confiar no tempo de Deus

Você já deve ter ouvido a expressão “tempo é dinheiro”, muito comum no ditado cotidiano. Vivemos sempre apressados, contando os minutos naquilo que fazemos e, constantemente atarefados, tendemos a realizar o maior número de tarefas em um menor espaço de tempo. Isso nos traz a sensação de que estamos fazendo o tempo render e produzindo o suficiente; entretanto, sem que percebamos, caímos na armadilha da impaciência.

Na era digital, com vídeos e informações disponíveis a apenas um clique, em celulares que ficam em nossos bolsos, cria-se uma postura de querer tudo “para ontem”, habituando-nos a ver as coisas fluírem de maneira extremamente rápida. Para certos serviços, essa rapidez e eficiência são essenciais, mas nem tudo na vida acontece dessa forma, especialmente no que diz respeito à vida espiritual.

Quando se trata do sobrenatural, nada está sob o nosso controle, sendo necessário submeter-se à vontade de Deus, ao fluxo da graça e ao tempo que Ele tem para todas as coisas. É como o agricultor que prepara a terra, lança a semente, rega e espera a natureza seguir seu curso, sem saber exatamente o que vai acontecer nem quando isso acontecerá.

Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia.
(2 Pedro 3,8)

Toda a impaciência e o imediatismo precisam ceder diante das coisas de Deus, pois Ele possui uma pedagogia própria, isto é, uma forma particular de nos educar que, muitas vezes, envolve a espera. Enquanto aguardamos o agir de Deus, somos moldados, educados, podados, lapidados, forjados, fortalecidos e preparados para acolher a graça superabundante que Ele tem reservada.

Certa vez, ouvi de um sacerdote, durante uma homilia, que as coisas não acontecem no tempo de Deus, mas no nosso tempo, pois Ele está sempre pronto; nós é que precisamos nos ajustar. Essa reflexão se mostra verdadeira quando observamos nossa impaciência que, somada às nossas fraquezas, nos impede de viver a grandiosidade da graça.

Portanto, querido irmão, peçamos a Deus a graça da paciência diante das aparentes demoras de Deus. Sabemos que possuímos tudo o que pedimos, se for de Sua vontade (cf. 1 João 5,15); assim, devemos apenas confiar em Sua manifestação, que é boa, perfeita e agradável, no tempo certo (cf. Romanos 12,2). Que nossos olhos se fixem na graça, isto é, no bem que virá e que, de certo modo, já possuímos, e não naquilo que ainda não temos. Afinal, “Àquele cujo poder, agindo em nós, é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos” (Efésios 3,20).

Luciana Santos Ronqui
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator. 

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