Como eu lido com os meus sentimentos?

sentimento

Você já parou para pensar em como os sentimentos afetam a nossa vida? Sejam os nossos sentimentos, sejam os daqueles que nos cercam, podemos experimentar uma enxurrada de sentimentos que vão norteando as nossas relações e decisões. Mas isso é bom ou ruim?

Primeiramente precisamos entender melhor o que são os sentimentos. Algumas pessoas distinguem sentimentos de emoções, estas como uma reação mais imediata a um estímulo, como um riso ou um choro. Já os sentimentos atuam como um resultado dessa experiência, ou seja, uma resposta à emoção, algo que é construído e, por isso, mais duradouro. O Catecismo da Igreja Católica traz, como sinônimo de sentimentos, as paixões. Estas seriam “movimentos da sensibilidade, que inclinam a agir, ou a não agir, em vista do que se sentiu ou imaginou como bom ou como mau” (§1763).

Podemos entender então que, a partir de todos os acontecimentos, estímulos e situações que acontecem ao nosso redor, podemos ser impactados de uma forma ou de outra. E a partir dessas concepções vamos guiando as nossas vidas por um ou outro caminho.

Os sentimentos me guiam?

Se os sentimentos são capazes de nos impactar a ponto de afetar nossa vida, corremos o risco de nos deixarmos sermos guiados por eles. Isso porque somos seres sensíveis e o nosso cérebro foi programado para nos “afastar do perigo” e nos manter na “zona de conforto”.

Por exemplo, se passamos por alguma situação onde nos sentimos humilhados ou desprezados, nossa resposta, mesmo que de forma inconsciente, é nos afastarmos de tal situação, evitarmos tais pessoas e etc. E assim podemos entrar em um movimento de egoísmo, de fechamento ou, ao contrário, de soberba por se julgar acima daquela situação. Da mesma forma, reagimos a uma experiência que nos faça nos sentir muito bem, algo que nos dê prazer. A tendência é buscarmos novamente aquele sentimento. O risco está quando tal situação sai do âmbito do que é saudável e passa a ser compulsivo, gerando um vicio, como a gula, as drogas, a autoimagem e etc.

Uma pesquisa rápida na internet mostra que podem existir até 356 sentimentos diferentes. Imaginem se nos deixarmos sermos guiados por cada um deles. Se cada sentimento pelo qual somos afetados começarem a definir quem somos. Chegaremos ao ponto de perdermos a nossa identidade. De não mais reconhecermos quem somos ou como chegamos até ali.

Ou eu guio meus sentimentos?

Afinal, os sentimentos são bons ou ruins? “Em si mesmas, as paixões não são nem boas nem más. Só recebem qualificação moral na medida em que dependem efetivamente da razão e da vontade” (CIC 1767). “Os grandes sentimentos não determinam nem a moralidade nem a santidade das pessoas; são o reservatório inesgotável das imagens e afetos com que se exprime a vida moral” (CIC1768).

Deus, em Sua plena sabedoria, nos dotou de inteligência e vontade. Só assim poderíamos nos assemelhar à Sua imagem. O catecismo vem nos ensinar que o “problema” não está nos sentimentos em si, e por isso não podemos classificá-los como bons ou ruins. A questão é como nós, seres abençoados por Deus por sermos capazes de usar a razão e a vontade para nos orientar, estamos lidando com esses sentimentos.

Se o Senhor nos capacitou como seres sensíveis é porque somos capazes de ordená-los e conduzi-los, de forma que esses sentimentos possam se tornar potências da alma que nos eleva para o Pai. Por exemplo, se estou triste ou irritada, certamente terei dezenas de oportunidades ao longo do meu dia para ofertar a mim mesma e ser capaz de pedir desculpas, ceder a alguém, oferecer um sorriso quando na verdade quero ser rude. Da mesma forma, estando “de bem com a vida”, posso levar essa alegria para outros. Que o meu otimismo seja capaz de anunciar as bem-aventuranças.

Sendo assim, podemos concluir que os sentimentos existem e fazem parte de nós. Mas como esses sentimentos irão atuar, isso depende da nossa decisão. A primeira grande decisão deve ser pelo amor, e assim se pautarmos todos os outros sentimentos em busca desse amor, o amor a Deus e ao próximo, o resultado vai ser uma vida ordenada segundo os desígnios de Deus. Uma pessoa capaz de dominar seus sentimentos encontrará paz e liberdade.

Que esta reflexão possa te conduzir a olhar um momento para si. Clame ao Espírito Santo que te ajude a diagnosticar como tem conduzido seus sentimentos. E encontre nos Sacramentos a força e a coragem de se guiar. Que Deus te abençoe!

Vanessa Cícera S. Ramos
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

 

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