Muitos de nós vivemos períodos em que parece que Deus se esconde e não nos ouve. Ficamos sem respostas, sem nenhuma manifestação de Deus e sem consolações. Chamamos esse estado de aridez espiritual, como se estivéssemos em um deserto sozinhos, sem apoio em nenhum lugar. Abandonados.
Em muitos momentos Deus aparentemente se ausenta. Na vida do povo de Deus é possível ver tais ocasiões, como os 40 anos do povo no deserto em busca da terra prometida, os 40 dias que o próprio Jesus passou no deserto, mas, quero destacar um personagem bíblico que viveu um deserto peculiar: Jó.
Aridez espiritual: silêncio que forma
Podemos interpretar o deserto como um estado de provação, pois a água escasseia, as temperaturas atingem níveis altíssimos e faltam plantas ou animais, ou seja, enfrentamos muitas adversidades. Na vida de Jó é possível encontrar inúmeras adversidades e provação, situações em que ele poderia ter perdido sua fé e ter se revoltado contra Deus, entretanto, foi fiel até o momento em que Deus trouxe a resolução total de seus problemas.
A grande questão é que nunca estamos sozinhos, por mais que pareça que Deus não nos ouve. A verdade é que Ele se esconde para ser encontrado, para que exercitemos a dependência Dele, a submissão, a humildade, a docilidade. É uma provação em duplo sentido, na qual por um lado Deus prova a nossa fé e por outro lado, provamos o Seu amor e fidelidade.
“Ele encontra Seu povo no deserto, nas solidões repletas de urros selvagens. Ele é como a águia encorajando sua ninhada (..) O Senhor conduz sozinho o Seu povo, nenhum deus estranho o acompanha.” (Dt 32, 10-12)
Não estamos e nunca seremos abandonados, pelo contrário, Deus nos leva ao deserto para nos encontrar e nos acompanhar com Seu amor ciumento e poderoso, nos tornando mais íntimos Dele. É um lugar de cura, de libertação, de fortalecimento e autoconhecimento. Nossos apegos são retirados, para que vazios, possamos encontrá-lO.
Como se vive um deserto?
O modelo sempre é Jesus. Ele viveu o deserto, onde foi tentado por 40 dias e lutou com a força da Palavra. A certeza de que o Pai estava ao Seu lado deu sentido àquela situação. Ele não foi poupado por Deus mesmo sendo Filho, entretanto, lhe deu a vitória. E para nós também, Ele deseja nos dar a vitória sobre nós mesmos e nossas tribulações.
A oração, o silêncio, a escuta, a ascese e mortificação, os atos de fé e esperança são exemplos de como podemos viver esse tempo de aridez. Nos firmar na leitura orante da Palavra e na busca dos Sacramentos também pode trazer forças nesta batalha. Não é pedir para Deus tirar o deserto, apesar de que Ele pode tudo, mas sim, reconhecer a pequenez e pedir ajuda para seguir na fidelidade.
É importante acolher esse tempo, na certeza do Amor devorador de Deus. Ele não deseja nos aniquilar, mas sim, que sejamos santos e a santidade se constrói dia a dia, nas ocasiões em que poderíamos abandonar tudo, mas decidimos permanecer com Ele. A vitória sempre vem, porque o Cordeiro já venceu e todos nós somos vencedores com Ele e N’Ele.
Deus tem outro tempo diferente do nosso. É preciso disposição para a espera, na qual Deus lapida nossa paciência. Coragem, meu irmão (ã)!
Louvemos sempre o Senhor, pois Ele é Bom em todo tempo!
Luciana Ronqui
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



