Quando falamos em ter esperança, a maioria das pessoas facilmente já associa ao otimismo. Basta estarmos diante de uma situação difícil, com a alma aflita, que logo somos aconselhados com um “é só acreditar que tudo vai dar certo” ou diversos outros conselhos no mesmo sentido que podemos citar; porém a esperança enquanto virtude é diferente desse sentimentalismo humano que muitas vezes ouvimos por aí.
A esperança enquanto virtude Teologal
As virtudes teologais são diferentes das virtudes morais, que são aqueles bons hábitos criados pelo ser humano que precisamos praticar bastante para desenvolvermos e nos tornarmos pessoas melhores. As virtudes teologais são a base das virtudes humanas, pois além de nos tornarem capazes de participar da natureza divina também nos capacitam enquanto cristãos a vivermos em relação de intimidade com a Santíssima Trindade. Elas são infundidas por Deus em nossas almas através do batismo, ou seja, todo cristão batizado é portador das três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade, que também são a garantia da presença e da ação do Espírito Santo em nossas vidas.
O Catecismo da Igreja Católica expressa uma linda definição sobre o que deve ser a esperança para nós, cristãos, da seguinte maneira: “A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o reino dos céus e a vida eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e nos apoiando não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. “Continuemos a afirmar a nossa esperança, sem esmorecer, pois aquele que fez a promessa é fiel (Hb 10,23)”. “Este Espírito, ele o derramou copiosamente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, justificados pela sua graça, nos tornemos, na esperança, herdeiros da vida eterna (Tt 3, 6-7)” (Catecismo da Igreja Católica, p. 1817).
A esperança, como vimos, é a segunda virtude teologal e, por mais que seja de origem divina, é uma virtude que precisa ser alimentada e cultivada de maneira cuidadosa dentro de nós para que consigamos alcançar o seu fim único que é o próprio Deus.
Como viver a virtude da Esperança
A esperança é a virtude capaz de ordenar todas as coisas da vida e do mundo, colocando cada situação, pessoa ou bem material em seu devido lugar, deixando, assim, Jesus Cristo assumir o lugar d’Ele como o centro de nossas vidas.
O desenvolvimento da virtude da esperança em nós deve ser fundamentado na espera em Deus, na espera de maneira ordenada, não na espera de quem deseja receber algo temporal ou espiritual a qualquer custo. Não que não seja lícito esperar bens materiais, mas que essa espera seja sempre com um olhar purificado na esperança cristã, a esperança de quem deseja a vida eterna. Portanto, diante de um projeto pessoal ou profissional, diante da espera e do empenho pela conquista de algum bem, o primeiro questionamento que devemos fazer é: isso aqui realmente me leva para mais perto de Deus?
É assim que devemos viver a virtude da esperança, purificando e ordenando o nosso olhar e as nossas vontades diante de cada pequena situação em nossos dias, com os nossos olhos sempre fixos no reino dos céus.
A virtude da Esperança e o Amor Divino
“Quando Deus se revela e chama o homem, este não pode responder plenamente ao amor divino por suas próprias forças. Deve esperar que Deus lhe dê a capacidade de corresponder a este amor e de agir de acordo com os mandamentos da caridade. A esperança é o aguardar confiante da bênção divina e da visão beatífica de Deus; é também o temor de ofender o amor de Deus e de provocar o castigo” (Catecismo da Igreja Católica, p. 2090).
Bem sabemos que por nós mesmos e por nossas forças não somos capazes de retribuir o amor de Deus por nós, o nosso corpo e a nossa vontade fraca tendem sempre a buscar o que for mais confortável e satisfatório. Mas, é exatamente nessa pequenez e fragilidade que Deus quer se derramar sobre nós, Ele se abaixa para nos amar e é por isso que a nossa espera deve estar sempre voltada à sua divina misericórdia. Essa pequenez foi uma grande descoberta de nossa querida amiga Santa Teresinha do Menino Jesus, que em sua linda história de santidade, nos ensina que nada é pequeno se feito por amor; o que realmente importa para Deus não é o tamanho do ato que realizamos, mas sim o amor que empenhamos. Que a exemplo de Santa Teresinha possamos nos entregar em todos os nossos pequenos atos nos atirando nos braços da misericórdia de Deus.
A esperança é o nosso combustível
Para que possamos amar alguém é necessário que antes conheçamos bem essa pessoa, assim também é como devemos agir para conhecer e amar Jesus, que derrama seu amor sobre nós através de suas palavras e ensinamentos. O conhecimento do amor de Deus por nós é a força mais potente para alimentar a nossa esperança. A leitura da Bíblia e a oração são o nosso combustível para alimentarmos sempre a nossa esperança, em especial a oração do Pai-Nosso que exprime tudo o que devemos desejar.
Portanto, em qualquer circunstância, que a nossa esperança esteja sempre na glória do céu prometida como recompensa por Deus para aqueles que O amam e perseveram até o fim.
Lais Pinto
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator



