“Afora vós, o que há para mim no céu? Se Vos possuo, nada mais me atrai na terra”. (Sl 72,25)
Essas palavras ecoam a voz da alma quando ela encontra seu verdadeiro bem. Em um mundo marcado por distrações e falsos brilhos, a fé nos leva a olhar para além das aparências e buscar as coisas do alto. Afinal, “somos cidadãos dos céus” (Fl 3,20).
O céu, para o coração que ama a Deus, não é um lugar de prazeres egoístas, mas a plenitude da presença divina. E aqui na terra, quando esse amor é autêntico, todo o resto perde o brilho. As vaidades do mundo, as seduções do poder e do prazer tornam-se pequenas diante da beleza d’Aquele que é tudo em todos.
Essa não é uma visão pessimista do mundo, mas uma organização dos nossos afetos. O mundo foi feito por Deus e é bom, mas não é Deus. Quando o coração é atraído por Ele, os bens criados encontram seu verdadeiro lugar: instrumentos que nos ajudam a caminhar rumo ao Criador e não são fins em si mesmos. Santo Agostinho dizia que o coração humano foi feito para Deus e ficará inquieto enquanto não O encontrar.
Desapego e Riqueza Verdadeira
Quando encontramos a Deus, encontramos a verdadeira riqueza e todo o resto perde o valor, os bens e paixões começam a ser desprezados, pois o que encontramos tem um valor incalculável.
Na lógica do Reino de Deus, a riqueza não está no acúmulo, mas na entrega. Não se mede pela quantidade de bens, mas pela profundidade do amor, a intenção com que se doa. O verdadeiro tesouro é o próprio Deus, como acontece com o homem da parábola que encontrou um tesouro escondido no campo, vende tudo para comprar aquele campo (Mt 13,44).
Desprezar as paixões da terra não é rejeitar a vida, mas dar à vida seu devido valor, pois é Deus quem nos dá todas as graças, entre elas, a vida. É escolher um caminho voltado para o alto, onde a santidade se torna meta e o céu se antecipa no coração.
Ganhar o olhar de Deus: essa é a recompensa. Como é consolador saber que Deus vê, conhece (,) e ama aquele que O busca de todo o coração! O olhar de Deus não é de julgamento frio, mas de ternura e acolhimento. Permanecer com Ele é a maior honra, o maior bem.
O altar e o encontro com o Rei
No altar de Deus, o céu toca a terra. É ali que Cristo Se dá em corpo e sangue, alma e divindade. O altar é o centro do universo para o coração que ama a Deus. Nele, a nossa oferta se une ao sacrifício do Cordeiro e, com Ele, nos tornamos agradáveis ao Pai.
A felicidade verdadeira está em nos aproximarmos de Deus, e nada nos aproxima mais do que a Eucaristia. É na missa que nos encontramos com o nosso Rei. Não um rei distante, mas um Rei que Se fez servo, que Se entregou por nós. Na mesa do altar, o céu se abre e os exércitos celestes se unem a nós. Os santos, os anjos, todos se curvam diante do Cordeiro imolado.
Ao chamar o Senhor de meu Rei e meu Deus, nos rendemos a Ele e reconhecemos Sua soberania. Um Deus que governa com justiça, mas também com misericórdia. Um Rei que reina, mas também Se abaixa para lavar os pés dos Seus servos.
O Céu e o Coração: o Anseio por Deus
Deus é nosso sumo bem, nosso amor maior. Precisa estar no centro das nossas vidas, é assim que Ele ordena todas as coisas!
E quando achamos que somos fracos, que estamos sozinhos, quando não O sentimos, Ele vem em nosso socorro, não nos abandona.
Tenho uma certeza nesta vida: Deus não tira Seus olhos de mim! Lembre-se sempre disso, Ele NUNCA, nunca tira Seus olhos de nós, nunca nos abandona! Somos nós que nos afastamos d’Ele e colhemos as consequências de nossas escolhas.
Mas como Deus é bom, quando voltamos há uma grande festa e, assim como o filho pródigo, o pai espera nosso retorno. Não há outro bem, não há outra riqueza quando sabemos que nossa herança é o Céu!
Que nosso coração se alegre apenas em buscar as coisas do alto.
Taciane Oliveira
Discípula Comunidade Católica Pantokrator



