Vivemos tempos de prova, onde o amor e a dor se unem. Nunca lidamos tanto com a perda de pessoas próximas. Seja um amigo, um familiar, um conhecido. Nos noticiários, cada vez mais os números têm rostos, histórias e memórias. Partidas repentinas que nos fazem repensar a vida e perceber o que realmente importa.
Nessa caminhada, não estamos sozinhos. Jesus ajuda-nos a superar todos os temores e renova a nossa esperança. Percebemos que nas Sagradas Escrituras, Ele não só demonstrou amor para com aqueles que perderam seus entes queridos, mas realizou milagres e sofreu também a perda de um grande amigo, Lázaro.
Jesus sofre a perda de um amigo
As Escrituras relatam que ao chegar à Betânia, após quatro dias que o amigo já estava morto, Maria lançou-se aos seus pés e disse: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou imensamente comovido em espírito” (Jo 11,32).
Creio que tenha passado um filme na cabeça de Jesus. As lembranças dos encontros naquela casa que tanto o acolheu em sua missão, as conversas sobre o Reino, os momentos de alegria. E com certeza, neste episódio com Lázaro, Cristo desejou a vida eterna não só para seu amigo, mas para todos aqueles a quem Deus o confiou.
Vemos isso, claramente, no diálogo anterior com Marta, irmã de Lázaro. “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que crê em mim jamais morrerá. Crês nisso? (Jo 11, 25-26).
A peneira do amor
Assim como Jesus, diante da ausência da pessoa querida, fazemos memória da sua presença, do jeito que ela lidava com as coisas; tudo parece tão vivo. O amor que sentimos pela pessoa que partiu ganha um sentido verdadeiro, passa por uma reflexão pautada pelo essencial e não pelas as exigências imaturas e egoístas.
Queremos deixar vivos os seus ensinamentos ou até nos empenhamos para realizar os seus desejos. Não que a pessoa tenha virado um santo de um dia para outro, mas o nosso olhar está pautado na misericórdia e no amor. Como dizia Santo Agostinho: “Só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor. Amar por outro motivo não é amor”.
Viver o luto faz parte de todo o processo da perda, mas não podemos parar nele. Muitas vezes, somos rodeados pelo sentimento de culpa, por coisas que deixamos de fazer e vamos nos afundando no remorso, na tristeza profunda.
A morte ganha novo sentido
Precisamos ter a coragem de deixar Jesus nos ressuscitar. Em Cristo, a morte ganhou um novo sentido. O que era maldição virou benção! “Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. «Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro (Fl 1, 21). É digna de fé esta Palavra: se tivermos morrido com Cristo, também com Ele viveremos (2 Tm 2, 11). A novidade essencial da morte cristã está nisto: pelo Batismo, o cristão já morreu com Cristo sacramentalmente para viver uma vida nova; se morremos na graça de Cristo, a morte física consuma este morrer com Cristo e completa assim a nossa incorporação n’Ele, no seu ato redentor” (CIC 1010).
Ele grita: “Vem para Fora!” Ele quer desatar nossas faixas, colocar o azeite do seu amor sobre nossas feridas, nos livrar do pecado: “Se credes verás a glória de Deus”. Deixe a glória de Deus invadir os seus túmulos, onde você enterrou a sua alegria, esperança, vontade de viver… Deixa a glória de Deus te ressuscitar!
Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



