A Misericórdia que me alcança todos os dias

Segundo a etimologia, a palavra misericórdia tem sua origem das palavras em latim Miseratio (Miséria) e Cordis (Coração); ela descreve uma compaixão sobre aquele que sofre, um coração que se inclina à miséria do outro.

Misericórdia primeiro no existir; sem Deus, não existimos. Você não tem mérito para existir por si mesmo, nem eu! Mesmo assim, Deus nos ama tanto que sonhou conosco e nos deu a vida; existimos pela bondade de Deus que nos ama e quer que experimentemos deste amor. Ainda há, dentro de nossas vidas, outra face da misericórdia de Deus, a da salvação; nela Deus realiza dois movimentos muito importantes:

A Compaixão

Primeiro no movimento do “abaixar-se” de Deus em busca de nós: a compaixão. A parábola do filho pródigo deixa claro o desejo que Deus tem de nos trazer para perto Dele. Nela, Jesus diz que o Pai, ao ver o filho arrependido, retornando sujo e miserável, enche-se de compaixão e vai correndo ao seu encontro. Perceba que Deus nos vê nas nossas misérias, nos nossos pecados e vem correndo para nós.

Ele conhece as nossas angústias e faz questão de vir até nós, mesmo quando não respondemos a este amor fielmente, pois, mesmo que não sejamos fiéis, Ele é.

O Elevar

Deus não se contenta somente em estar conosco nas nossas misérias, mas Ele nos eleva para uma vida digna de filhos de Deus. Na parábola, o Pai celebra a volta do filho, o ama com beijos e abraços, ordena aos empregados que preparem uma festa para ele, tragam vestes novas e assim restaura a dignidade de filho.

Ele faz questão de trocar as nossas vestes, e nos colocar à mesa sentados com Ele; deseja que sejamos elevados, não somente como uma formalidade diante dos olhos dos homens ou nas coisas materiais, mas de forma concreta ao nos transformar e nos dar a salvação, a vida eterna com Ele. Isto é realizado na paixão, morte e ressureição de Jesus, bem como na história pessoal de cada um, que está entrelaçada à história de Deus.

Santa Teresinha e o elevador

Nossa colega e mestra Santa Teresinha percebeu estes movimentos da misericórdia de Deus e nos ensinou como subir para junto do Pai: pela confiança.

Teresinha dizia que Deus vem até nós; com sua compaixão, vem ao nosso encontro na miséria em que estamos e, de nossa parte, para subir neste elevador, é preciso apertar o botão; só assim podemos subir aos andares mais altos do céu.

Apertar o botão é confiar em Deus; confiar que Deus pode salvar-nos, nos tirar dos pecados; é acreditar que há um Amor Poderoso sobre nós que é muito, mas muito maior do que qualquer mal ou confusão que possa assolar nossa vida, e que os planos de Deus são de vitória em nós. Devemos assumir esta vitória tantas vezes quanto forem necessárias, mesmo diante das nossas fraquezas, pois Ele é vitorioso, Ele tudo pode.

Alimentados da vida de Deus, buscando o que realmente importa. 

Deus é o Vivente, e Ele deseja que nos alimentemos desta vida, pois somente dEle é que jorra a vida. Não é possível alimentar-se de si mesmo, não nos bastamos por nós mesmos; tentar nos saciar sendo limitados como somos é uma autofagia, nos auto destruir.

É isso que o filho faz no início da parábola; pede ao Pai “dá-me a parte que me cabe da herança” e vai embora, se afasta da presença do Pai acreditando que pode viver sem Ele. Percebe, no entanto, que viver assim não faz sentido e é tomado pela fome. Até mesmo os servos de seu Pai recebem seu sustento, mas o filho afastado, não.

Reconhecer-se pequeno é necessário, não para apequenar-se, mas para voltar à casa do Pai, tornar-se dependente de Deus, da Palavra, da oração, da vida de intimidade com Deus que pode nos converter, trazer a salvação e nos fortalecer como filhos.

Nessa humildade, deixemos que o Pai prepare a mesa para nós e adentremos a festa do Amor de Deus que nos espera na vida eterna.

Portanto, adentremos com confiança filial nos planos que Deus tem para nós. Com certeza seremos saciados muito mais do que qualquer coisa que possamos imaginar neste mundo.

Referências:

[1] André Luis Botelho de Andrade: Misericórdia, Amor Poderoso que faz infinitamente mais.

Lucas Nixon
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

 

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