Vivemos em um mundo de competitividade, em que devemos ser produtivos, sempre entregar algo ou dar algo para a sociedade. Rotineiramente, as pessoas confundem o ser com o fazer, identificando-se como executores e não com quem realmente são. Dessa forma, raramente encontramos alguém que se faça vulnerável e mostre suas fragilidades, mesmo que isso custe uma supressão total de si.
Aprendemos que mostrar as incapacidades significa ser deixado de lado, que alguém vai nos “passar a perna” e que nossa fraqueza será usada contra nós. Desta maneira, nos comportamos como seres autossuficientes, acreditamos que sabemos tudo e que não precisamos de ajuda. Talvez você nunca tenha parado para pensar sobre isso, afinal, aprendemos isso de nossos pais, que aprenderam de seus pais e assim sucessivamente. Isso não é passado adiante por malícia, mas sim, para nos proteger. No mundo vale sempre a “lei do mais esperto”, como disse Jesus em uma de suas parábolas: “os filhos das trevas são mais astutos do que os filhos da luz” (Lucas 16,1-8).
O problema é que isso atrapalha a nossa relação com Deus, minando a nossa intimidade com o nosso Pai. Sem que percebamos, nos comportamos assim também com Ele, sendo autossuficientes, autônomos e orgulhosos, quando não nos conformamos com sua vontade. Quantas vezes ficamos tristes e até bravos porque Deus não nos deu algo que pedimos? Frequentemente, trocamos os papéis dessa relação nos colocando como deuses e querendo que Deus nos obedeça. Sim, nossas atitudes chegam a esse ponto, orgulhosas e prepotentes. Nossa carne grita e o nosso espírito emudece.
Digo novamente: aprendemos a esconder a nossa vulnerabilidade, mesmo com os mais íntimos. Entretanto, na nossa relação com Deus deve ser o oposto, como nos ensinou Santa Teresinha do Menino Jesus em sua Pequena Vida. É preciso nos colocar diante dEle pequenos e frágeis, como crianças indefesas diante de seu Pai, para que atraiamos o Seu olhar. É na pequenez e na pobreza que Deus vem, pois “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Sujeitai-vos, portanto, a Deus” (Tiago 4, 6).
Essa é uma grande descoberta, meu irmão, minha irmã, basta que confiemos no grande amor que Deus tem por nós e nos lancemos em seus braços amorosos, em uma atitude de humildade. Apostemos, pois, na graça abundante que Ele tem para nós, sem desconfiar de seus caminhos, mas apostando que Ele tem sempre o melhor, basta confiar e saber esperar. Não tenhamos vergonha de ser quem somos! Esta é a dinâmica da misericórdia de Deus, de nos amar justamente porque não merecemos. Mergulhe nesse mar que jorra do peito aberto de Jesus e creia: após a tempestade há um lindo sol para brilhar e ele vai brilhar.
Para terminar essa pequena reflexão, lembro as palavras de São Paulo: “quando sou fraco é que sou forte” (II Coríntios 12,10). Ele as disse justamente em um ato de reconhecimento de suas limitações e do poder infinito da graça de Deus. Ele mesmo nos lembra que apenas a graça nos basta. Creia! Ele está contigo!
Luciana Ronqui
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator.



