VOCÊ SE AMA DA MANEIRA CORRETA?

Você se ama da maneira correta?

No percurso de um caminho de santidade, Jesus nos ensina a como agir em diversos aspectos. Em seus mandamentos há vários tesouros a nosso alcance neste percurso. Não obstante, há uma passagem na Bíblia, que podemos ler em Mateus 22, 36-39 e que diz: “’Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?’. Respondeu Jesus: ‘Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu o coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito’ (Dt 6,5). Esse é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’ (Lv 19,18)”.

Aqui há algo muito importante. Se queremos aprender a amar a Deus e aos irmãos, temos que aprender a como nos amar, da maneira correta. Como Deus quer que nos amemos.

A EXPERIÊNCIA DO AMAR A SI MESMO

O primeiro passo para nos amarmos da maneira correta é descobrir o amor de Deus em nossa vida.  É preciso descobrir o quanto Deus nos ama, nos desejou e nos criou como dignos de sermos seus filhos, a sua imagem e semelhança. O segundo passo é aprender a amar esse Deus como resposta e gratidão a esse amor infinito, perfeito, que deu a sua vida por nós, percebendo o nosso valor para Deus. E assim, nos sabendo amados, somos capazes de transbordar e de amar ao próximo.

Quando não temos essa certeza do amor de Deus por nós, não temos esse fundamento enraizado, pode haver, como consequência, uma baixa estima para conosco e não conseguimos amar adequadamente também ao nosso próximo.

ESTIMA DE SI

A estima de si é experimentar, sentir, apreciar o seu próprio valor. Consequentemente, nos sentimos bem conosco, nos sentimos amáveis e capazes de amar. Isso é essencial para cada ser humano. É a estima de si que vai trazer a segurança diante dos desafios de nossa vida. Mas, muitas vezes, esse conceito não chega ao nosso coração e não transborda em nossa vida. Quantas vezes já escutamos que somos amados por Deus, mas não nos sentimos assim diante das pessoas? Quando não sabemos de nosso valor, nos tornamos pessoas inseguras, expressando sempre uma defesa em nossas relações. É quando nos desvalorizamos, nos inferiorizamos e acabamos impedindo a ação de Deus em nossa vida.

Quem não tem estima de si não consegue se amar, consequentemente, não consegue se doar, não consegue se comprometer, não consegue transbordar e amar ao próximo. Só somos capazes de dar o que possuímos. Precisamos de um exercício de construção do amor a nós mesmos, de nos estimarmos, de nos amarmos como Deus nos ama.

DESAFIOS ATUAIS

Hoje em dia, pode ser bastante difícil esse exercício de encontrarmos o nosso valor. Em uma cultura do materialismo, há pessoas que acreditam que só têm algum valor quando possuem coisas de valor. Há outras também que só pensam que têm algum valor quando fazem coisas, quando são muito produtivas. Tudo isso vai fazendo com o que o ser humano se desconecte do seu valor original, da sua dignidade e vai fazendo com que ele baseie o seu valor em coisas que são secundárias.

Temos que entender que somos amáveis não por aquilo que entregamos ou oferecemos, não pelas nossas competências, mas sim por ser pessoa, por ser filho de Deus e, assim, temos o nosso valor, a nossa dignidade. Simplesmente a nossa presença já é importante. Vamos identificando tudo isso em nosso caminho de amadurecimento e busca pela santidade. Temos que nos perguntar: “Como eu me vejo?”, “Como qualifico o meu valor?”, “É por aquilo que faço?”, “Por aquilo que pareço ser?”

Também temos que tomar cuidado para não atingirmos uma supervalorização de nós mesmos, mas chegarmos em um equilíbrio da medida correta. Não podemos ficar parados, como narcisistas, e contemplarmos a nós mesmos, sem olharmos à nossa volta e identificarmos o bem que os outros são também. Além disso, não podemos nos desvalorizar e ficar esperando encontrarmos valor naquilo que os outros falam de nós, como vítimas, esperando uma afirmação de terceiros. Quando desconfio do meu valor, desconfio do amor de Deus.

Temos que encontrar, dentro de nós, o nosso valor. Quando desconfiamos do nosso valor, da nossa amabilidade, desconfiamos do próprio amor de Deus, desconfiamos de que Ele nos aprecia ou pensamos que Ele não nos ama tanto assim, o que seria uma mentira. Temos que observar e refletir como está a nossa consciência em relação à essa certeza de que Deus nos ama.

Que o bom Deus nos abençoe.

Camila Zanetoni Martins
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

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