Viva Cristo Rei! Radicalidade na vida de São José Luis Sánchez del Río

Radicalidade na vida de São José Luis Sánchez del Río

A vida dos santos deve ser para nós católicos inspiração e certeza de que consagrar a vida a Deus vale a pena e faz-nos provar uma porção daquilo que viveremos no céu. É incrível o tamanho da doação desses homens e mulheres que ouviram, assim como os apóstolos, o irresistível chamado de Cristo: Vem e segueme” (Mt 9, 9) e responderam com radicalidade a esse chamado.

Um pouco da história

Um grandíssimo exemplo da radicalidade a Cristo foi José Luis Sánchez Del Río, canonizado em outubro de 2016 pelo papa Francisco. “Joselito”, como é conhecido, nasceu em 28 de março de 1913 em Sahuayo, Michoacán, no oeste mexicano, um povoado muito religioso onde a vida sacramental era parte integrante daquela sociedade, prova disso foi o número considerável de vocações religiosas geradas ali, chegando a 25 padres entre aproximadamente 10 mil habitantes.

Em 1917, o então presidente do México, Venustiano Carranza (1859-1920), promulgou uma nova constituição que em alguns artigos impunha grande perseguição à religião católica visando eliminar direitos. Dentre as medidas, podemos citar: a proibição de cultos em público (fora das igrejas), a eliminação de direitos civis de padres e religiosos e a proibição de se receber dízimos e outras esmolas. 

Essas ações foram só o começo de uma grande perseguição que culminou em casos extremos de violência e muitas execuções contra civis, padres e bispos que se negavam a seguir as ordens do governo. Em resposta, leigos, presbíteros e religiosos católicos decidiram se levantar com armas em defesa da Igreja e lhes foi dado o nome de Cristeros.

Nesse contexto, o jovem José de apenas 13 anos, decidiu se juntar ao grupo da resistência. Inicialmente, não quiseram admiti-lo por conta da pouca idade, mas, depois ele assumiu a posição de porta-estandarte da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, tendo inclusive a função de rezar pela tropa. 

Joselito, tinha uma vida muito intensa de intimidade com Deus, principalmente por meio da oração do santo rosário e da adoração ao Santíssimo Sacramento, que era realizada todos os dias em sua cidade. Ele estava muito feliz por servir ao exército cristero, ainda que em tarefas simples como buscar água, aquecer a comida, cuidar dos cavalos e limpar as armas.

Em 6 de fevereiro de 1928, durante um confronto entre as tropas do governo e os cristeros, atiraram no cavalo do chefe cristero Luis Guízar Morfin. Joselito desceu do seu cavalo e em um ato de coragem, para que o chefe não fosse preso, disse-lhe: “Meu general, pegue o meu cavalo para que se salve; você é mais necessário e fará mais falta do que eu nesta guerra”. Guízar Morfín conseguiu fugir e o jovem foi capturado junto com o seu amigo Lázaro

Martírio de Joselito

No dia seguinte, Joselito foi preso no batistério da igreja de São Tiago Apóstolo, em Sahuayo, que havia sido transformado em uma prisão, local onde o jovem fora batizado e que agora seria o lugar do seu cárcere. Ali, ele reagiu com grande fúria, matando galos de briga do comandante do exército, pois haviam transformado o altar da igreja em um galinheiro: “A casa de Deus é para orar, não para refúgio de animais. Estou disposto a tudo. Fuzile-me para que eu esteja logo diante de Nosso Senhor e peça para confundi-lo!”. 

Ainda na prisão, foi sugerido que o mandassem para o colégio militar para posteriormente se juntar ao exército federal ou até mesmo ser mandado para estudo no estrangeiro e a resposta de Joselito foi firme: “Antes morto! (…) Se me soltam, amanhã regresso com os Cristeros! Viva Cristo Rei! Viva a virgem de Guadalupe”

Diante de toda situação, o jovem José já sabia que em breve iria passar pelo martírio. Então, manda uma carta para a tia consolando-a e dizendo ser chegado o momento esperado, pois ele desejava ardentemente dar a vida por Cristo. 

Ainda na prisão, foi torturado e com os pés cortados foi obrigado a caminhar até sua cova, lá os carrascos batiam nele e o esfaquearam. A cada golpe ele gritava: “Viva Cristo Rei!”. O chefe dos executores, com crueldade, o questionava: “Que vamos dizer ao teu papai?”. Joselito consegue dizer sua última frase: “Que nos veremos no céu! E que viva Cristo Rei!”. Com isso, recebe um disparo de arma de fogo que lhe tira a vida para ser recebido entre os santos no reino do céu.

Ser radical é dar-se inteiramente: ou tudo ou nada!

Com esse breve relato da riquíssima vida de São José Luis Sánchez del Río, peço que reflita se você está disposto a dar a sua vida por Cristo. Talvez não haja uma situação como essa de viver o  martírio, mas Aquele que se deu por inteiro nos pede tudo, pede a nós uma vida doada. “Jesus é radical. Dá tudo e pede tudo (…). Não Se contenta com uma porcentagem de amor: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada” (Papa Francisco, homilia em 14 de outubro de 2018). 

A radicalidade à vontade de Deus é algo que causa muita repulsa no mundo, pois há outros senhores sentados no trono do verdadeiro Rei: o egoísmo, o dinheiro, as ideologias, os pecados mais diversos. Quantas perseguições o mundo impõe ao cristão hoje? E como responderemos a essas perseguições? É preciso dar uma resposta radical! É preciso amar até às últimas consequências e, se for preciso, morrer por esse amor. 

São José Luis Sánchez del Río, rogai por nós!

Viva Cristo Rei, o Pantokrator!

Raul Cézar Aparecido dos Santos Cid
Vocacionado da Comunidade Pantokrator

 

Fontes:

Papa: “Jesus é radical, dá tudo e pede tudo”


FIGUEIREDO, Ricardo.  Nunca foi tão fácil ganhar o céu! Biografia espiritual de São José Sanchez del Rio. São Paulo: Paulus, 2021.

Conheça São José Sánchez del Río, mártir vítima da Guerra Cristera do México


https://comshalom.org/7-coisas-que-deve-saber-sobre-sao-jose-sanchez-del-rio/

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