A quaresma é um tempo de graça, quarenta dias em que somos chamados a parar, refletir e permitir que Deus transforme o nosso coração. Não é só sobre “tirar algo” ou fazer sacrifícios extremos, é um convite à verdadeira conversão, voltar o coração ao Senhor e de forma sincera. E e dentro desse caminho, a penitência tem um papel essencial.
Mas afinal… como escolher minhas penitências?
Talvez a primeira resposta seja parar de comer chocolate, sair das redes sociais ou, jejuar de carne. Ee tudo isso tem valor, sim, mas só se for expressão de um amor que deseja crescer. A penitência, quando é autêntica, não é exibida, ela é vivida no silêncio, no esforço escondido, no desejo sincero de amar a Deus mais e melhor. A Palavra nos orienta “Rasguem o coração, e não as vestes. Voltem para o Senhor, o seu Deus, pois ele é bondoso e compassivo” (Joel 2,13).
A melhor penitência é a que toca onde mais preciso mudar.
É aquela que enfrenta de frente o meu egoísmo, minha impaciência, minha falta de domínio próprio, minha busca por conforto, minha pressa em julgar ou reclamar.
Penitência pode ser:…
- Acordar na hora, sem negociar com a preguiça.
- Oferecer atenção plena ao outro, sem distrações.
- Silenciar julgamentos e responder com caridade.
- Ser fiel à oração, mesmo quando o cansaço ou a distração apertam.
- Comer com gratidão, sem exigir mais do que me é servido.
- Cumprir as pequenas tarefas com amor e sem adiar.
- Ouvir antes de falar. Amar antes de ter razão.
- Renunciar ao que me domina: redes, vícios, vaidade, orgulho.
Jesus nos convida a uma vida interior que não dependa de aparência.
“Quando jejuardes, não vos mostreis tristes como os hipócritas… Teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mateus 6,16-18).
A penitência não é apenas um esforço humano, é uma resposta de amor, um exercício que nos ajuda a sair de nós mesmos e a seguir os passos de Cristo, que nos amou até o fim. É por isso que a penitência deve nos aproximar da cruz, mas também da ressurreição. “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lucas 9,23).
A cada gesto de penitência bem vivido, abrimos espaço para a graça de Deus agir, não por nossas forças, mas por amor Àquele que tudo nos deu. A verdadeira conversão começa com passos simples, mas sinceros. Que essa quaresma seja um tempo de recomeço e que que nossas penitências não sejam apenas renúncias externas, mas oportunidades reais de crescer na fé, de amar com mais liberdade e de nos tornarmos mais parecidos com Jesus.
Vanessa Ozelin
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



