No Servir, Me Encontro Com Cristo

Há encontros com Cristo que não acontecem no extraordinário, mas no ordinário. Não se dão apenas nos grandes momentos de oração, nos retiros ou nas celebrações solenes; ao contrário, manifestam-se no simples do dia a dia, onde a vida acontece de verdade. É justamente ali, no serviço cotidiano, muitas vezes silencioso e invisível, que Cristo se deixa encontrar.

Servir é uma palavra que o mundo tenta esvaziar. Frequentemente associada à submissão forçada ou à perda de valor, e, por isso, é vista com resistência. Queremos ser reconhecidos, atendidos, compreendidos. No entanto, o Evangelho nos conduz por outro caminho: é no servir que o cristão encontra o próprio Cristo, porque foi assim que Ele escolheu viver.

Jesus, exemplo do servir

“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” (Mt 20,28)

Jesus, sendo Deus, não se colocou acima. Ele se abaixou. Lavou os pés dos discípulos e deixou ali uma lição definitiva para todos os que desejam segui-Lo:

“Dei-vos o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais também vós.” (Jo 13,15)

Cristo tocou os doentes, acolheu os pecadores, escutou os esquecidos, curou os que se aproximavam d’Ele com fé. Não fez distinções. Não selecionou quem merecia ou não seu amor. O Evangelho nos mostra que “todos os que tinham enfermidades de diversas espécies lhos traziam, e Ele, impondo as mãos sobre cada um, os curava” (Lc 4,40). Em tudo, Jesus serviu.

E no auge desse serviço, entregou-se totalmente:

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos.” (Jo 15,13)

Na vida familiar, essa lógica do Reino se revela de forma concreta e exigente. Assim, servimos ao acordar cansados e, ainda assim, nos colocarmos à disposição. Também servimos ao escutar com atenção, mesmo sem vontade. Muitas vezes, renunciamos ao nosso tempo para estar presentes. Repetir, corrigir, ensinar e acompanhar fazem parte dessa entrega silenciosa. Embora raramente seja percebido, é justamente no serviço do lar que os corações são moldados.

Pais e mães são chamados a ensinar não apenas com palavras, mas com a própria vida. Os filhos aprendem o valor do serviço quando veem o amor sendo vivido de maneira concreta, quando percebem que o outro vem antes do próprio conforto. Quando entendem, desde cedo, que amar é sair de si. Como nos recorda São João Bosco:

A melhor forma de educar é amar; e a melhor forma de amar é servir

Educar para o serviço é educar para o Evangelho. É formar homens e mulheres capazes de doação, compreensão e humildade. Em um mundo que ensina a exigir direitos antes de aprender a entregar-se, o lar cristão torna-se uma verdadeira escola de santidade quando o serviço é vivido como vocação.

Entretanto, servir dói. Exige mais do que muitas vezes julgamos poder dar. Revela nossos limites, nosso egoísmo, nossa impaciência. É justamente aí que Cristo nos encontra. Quando a situação nos pede mais do que queremos oferecer. Quando reclamamos, resistimos, nos sentimos injustiçados. Nessas horas, a pergunta se impõe: quem somos nós para querermos ser diferentes d’Ele?

São Francisco de Assis nos lembra com simplicidade e profundidade:

É dando que se recebe

Quem somos nós para querermos ser diferentes de Cristo? Embora fosse Senhor, fez-se servo. Ainda que Rei, escolheu a cruz. Por isso, ensinou que a verdadeira grandeza não está em ser servido, mas em servir.

O serviço não diminui; configura. Não humilha; transforma. Não anula; revela o amor verdadeiro. No cotidiano simples, nas pequenas entregas, nas renúncias silenciosas, Cristo passa. E passa servindo.

Quem aprende a servir, aprende a reconhecê-Lo. Porque é no amor vivido, na entrega sincera e na humildade concreta que, silenciosamente, no servir, nos encontramos com Cristo.

Fabiana Galeffi Zani
Membro da Fraternidade Pantokrator

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