Outubro chega e, com ele, começam a aparecer nas escolas os convites para as festas de Halloween. Bruxas, monstros, fantasmas, caveiras, fantasias assustadoras e as famosas “gostosuras ou travessuras”.
Para muitos, é apenas uma brincadeira. Afinal, que mal pode haver em uma criança fantasiada, se divertindo com os amigos e ganhando doces?
Mas será que tudo o que diverte também educa? E, principalmente, será que precisamos celebrar tudo o que se torna popular?
Nem tudo o que diverte também educa
Uma das justificativas mais comuns para o Halloween nas escolas é seu caráter cultural e recreativo. Entretanto, existe uma diferença importante entre conhecer uma tradição e transformá-la em comemoração.
A escola pode apresentar a história do Halloween, explorar seus costumes e promover reflexões sobre diferentes culturas, mas celebrar de fato envolve algo mais: atribuir valor, dar destaque e criar experiências em torno de determinados símbolos.
E isso merece atenção.
Afinal, a educação não acontece apenas nas aulas. Ela também se manifesta nas histórias contadas, nos personagens apresentados e nas experiências que são apresentadas às crianças.
Se toda atividade escolar precisa ter intencionalidade pedagógica, por que as comemorações estariam dispensadas desse cuidado?
Por que nós, católicos, não celebramos o Halloween?
Curiosamente, o próprio nome Halloween deriva da expressão inglesa All Hallows’ Eve, que significa “véspera de Todos os Santos”, referência à celebração católica de 1º de novembro.
Ao longo dos séculos, porém, diferentes tradições se misturaram e a festa assumiu os contornos atuais, fortemente associada a bruxas, demônios, fantasmas e representações do terror.
É verdade que muitas pessoas participam dessas comemorações sem qualquer intenção religiosa. Para elas, tudo não passa de diversão. Entretanto, para as famílias católicas que escolhem não celebrar o Halloween, a questão vai além da intenção de quem participa.
Nossa fé nos convida a discernir aquilo que cultivamos, admiramos e celebramos. O Catecismo da Igreja Católica (2116–2117), por exemplo, ensina a rejeitar práticas de magia, adivinhação e evocação dos mortos.
Isso não significa que toda fantasia represente uma prática ocultista, mas nos leva a uma pergunta necessária: se procuramos ensinar nossos filhos a reconhecer e rejeitar o mal, por que deveríamos transformar suas representações em motivo de festa?
Não se trata de educar pelo medo, mas de agir com coerência diante daquilo em que acreditamos.
Quem está educando seu filho?
Confiar na escola não significa transferir a ela toda a responsabilidade pela formação dos filhos.
Os pais são os primeiros responsáveis pela educação de suas crianças, portanto, acompanhar o calendário escolar, compreender as propostas pedagógicas e questionar atividades que contrariem os valores familiares não é exagero.
Se a escola do seu filho está organizando uma festa de Halloween, pergunte qual é sua finalidade pedagógica, como será conduzida e se a participação é facultativa.
Esse diálogo não precisa gerar conflitos. Pelo contrário, pode fortalecer uma relação de respeito e corresponsabilidade entre família e escola.
E quando a criança argumentar que todos os amigos vão participar?
Talvez seja uma excelente oportunidade para ensinar que nem tudo o que a maioria faz precisa ser reproduzido. Seu filho não precisa participar de tudo para aprender a conviver com todos.
Por que não celebrar a santidade?!
Enquanto o Halloween ganha espaço nas escolas, uma celebração muito mais próxima da nossa tradição acaba frequentemente esquecida: o Dia de Todos os Santos.
Celebrado em 1º de novembro, ele nos convida a conhecer histórias reais de homens e mulheres que viveram a coragem, a generosidade, a caridade e a fidelidade a Deus.
Iniciativas como o Holywins, que significa “a santidade vence”, mostram que é possível proporcionar às crianças experiências alegres e criativas, apresentando referências que merecem ser conhecidas e imitadas.
Mais do que trocar uma fantasia por outra, trata-se de refletir sobre aquilo que desejamos cultivar.
Antes de entrar na onda, reflita!
Ideias, valores e ideologias nem sempre se impõem de maneira explícita. Muitas vezes, entram silenciosamente na formação das crianças, disfarçados de diversão, tendências e práticas culturais que, de tão repetidas, passam a ser aceitas sem questionamento.
Eis o perigo: quando tudo se torna normal, deixamos de perguntar o que é verdadeiramente bom.
Educar exige discernimento, coragem e posicionamento. Cabe aos pais acompanhar, questionar e, quando necessário, dizer não.
Afinal, se não formarmos nossas crianças com critérios e convicções, o mundo se encarregará de fazê-lo por nós.
Érika Tartari
Consagrada Comunidade Católica Pantokrator



