Um presente! Qual sua reação quando você recebe um presente inesperado? Talvez
surjam sentimentos como, surpresa, alegria, entusiasmo, constrangimento ou gratidão.
Descobrir um presente e acolhê-lo sempre é algo que gera felicidade em nós, ainda mais
quando recebemos dAquele que melhor nos conhece, porque nos criou. Deus em sua
infinita bondade e misericórdia, ao nos criar a sua imagem e semelhança, nos dá alguns
presentes, que chamamos de dons, e dentre eles, o nosso estado de vida, ou seja, Ele nos
presenteia e nos chama a escolher a maneira pela qual O amaremos mais, viveremos o Evangelho visando o Céu e nos doaremos, sendo dom, assim como Ele É dom.
É certo que todos nós nos uniremos à Cristo na eternidade, e a alguns, Ele presenteia e
convida a viver essa união exclusiva antecipadamente, esses, são chamados ao estado de
vida do Celibato. Em Mateus 19,11-12 “Jesus respondeu: ‘Nem todos são capazes de
compreender o sentido dessa palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há
eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos
homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos Céus. Quem puder compreender, compreenda’.”, como o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo
nos diz, nem todos compreendem esse chamado de entrega exclusiva à Ele, pelo Reino
dos Céus.
O Celibato
É um chamado e um dom dado por Deus, que exige uma resposta de amor e
de doação pelo Reino dos Céus, assim como Ele é dom, nós celibatários também temos
a necessidade de nos dar, livremente, abrimos mão de uma família, por ter um coração
indiviso, e assim nos damos inteiramente e exclusivamente pelo Reino, como nos
explica o Catecismo da Igreja Católica (n. 2349): “A castidade há de distinguir as
pessoas de acordo com seus diferentes estados de vida: umas na virgindade ou no
celibato consagrado, maneira eminente de se dedicar mais facilmente a Deus com um
coração indiviso;.”
O nosso coração tem sede de felicidade, e busca por ela constantemente, nosso fundador
nos diz que o celibatário é como uma casa que não possui teto, porque quer acolher e se
dar sem limites, e como o coração do celibatário está ancorado no Céu, nosso desejo é
acolher e gerar vida para eternidade, quanto mais, melhor! O celibato nos permite uma
fecundidade para eternidade, não nos limitamos a quantidade biológica, nosso Esposo é
fecundo e por isso quanto mais amamos, mais nos doamos e mais vidas geramos. Certa
vez, fui questionada sobre não deixar descentes aqui na terra, e o meu coração foi
tomado por uma alegria tão profunda, pois respondi que de fato, eu escolhi não deixarei
descentes biológicos aqui na terra, mas o meu sim ao Celibato, me permite gerar almas
para o Céu, me permite resgatar, acolher, gerar e formar os filhos de Deus e levá-los à
Ele.
Nossos sonhos
Naturalmente sonhamos, aliás é importantíssimo termos sonhos, os sonhos são como
combustíveis que devem nos impulsionar, e por isso precisam ser apresentados à Deus e purificados. No meu processo de descoberta da vontade de Deus para minha vida,
entreguei todos os meus sonhos: casar, ter filhos biológicos, uma casa, uma festa de
casamento, eu tinha muitos sonhos, e a medida que fui entregando cada um deles à
Deus, fui acolhendo os Seus desígnios para mim, que eram muito maiores e melhores.
Como Santa Teresinha nos diz, “Deus não poderia me inspirar desejos irrealizáveis…” e
por trás de cada sonho, cada desejo, que eu tinha, descobri que Deus sonhava e desejava
para mim muito mais.
Com o autoconhecimento, e na intimidade com Cristo, descobrimos uma intensidade,
uma sede de amar que não cabe em nós, descobrimos que somos dom e isso nos
impulsiona a ser mais dEle, ultrapassamos limites e alargamos nossa potência de amar,
renunciamos à nós mesmos, renunciamos os outros amores, para uma entrega exclusiva
a Cristo, ao Amor Poderoso, para ama-lo, e servi-lo com o coração indiviso,
testemunhando aos homens seu amor absoluto, devorador e poderoso.
Tenho percebido na minha vivência, que a relação com o Esposo, parte de uma profunda
amizade com Ele, não é uma relação que conseguimos comparar totalmente com as
relações humanas, mas é uma relação que transcende e que gera uma alegria de Céu,
uma alegria pura e ímpar.
Descobrir e receber esse presente, esse dom, é um privilégio, vive-lo pelo Reino. É uma
decisão de amor, é um testemunho profético do Céu, do que todos nós viveremos na
eternidade, no plano de felicidade que Deus tem para nós. Vale a pena gastar a vida por
amor a Deus e por seu Reino e derramar o meu melhor perfume aos pés d’Aquele que
muito amo, Jesus.
Valéria Pereira
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



