Neste primeiro dia do ano, a Igreja celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus. A Santíssima Virgem, que colaborou com toda a obra da Salvação, também quer nos ajudar a abrir o coração para a vontade de Deus e a gerar a Palavra do Senhor ao longo deste novo ano. São Luís Maria Grignion de Montfort já dizia: “Ah! Como é feliz aquele que deu tudo a Maria, que se confia e abandona, em tudo e por tudo, em Maria. É todo dela e Ela é todo dele.”
Mãe que está presente
Ao abrirmos as Sagradas Escrituras, perceberemos que Nossa Senhora aparece nos momentos importantes da História da Salvação, e tudo aponta para Cristo. “Na Virgem Maria, de fato, tudo é relativo a Cristo e dependente d’Ele: foi em vista d’Ele que Deus Pai, desde toda a eternidade, a escolheu como Mãe toda santa e a plenificou com dons do Espírito a ninguém mais concedidos. A genuína piedade cristã, certamente, nunca deixou de pôr em realce essa ligação indissolúvel e a essencial referência da Virgem Maria ao divino Salvador” (1).
Desde Gênesis, quando Deus indicou que ela seria a Nova Eva: “Deus disse: Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15), até o Apocalipse, como intercessora nas grandes batalhas: “Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus” (Ap 12,17). Maria está presente e quer caminhar conosco, como aquela mãe zelosa que aponta o caminho, segura pela mão, carrega no colo, corrige e ama.
Mãe de Deus
A celebração de Maria como Mãe de Deus é um dogma, uma verdade da nossa fé, definida no Concílio de Éfeso, no ano de 431. Havia uma heresia que dizia que Maria era apenas mãe de Jesus e não de Deus, o que foi discutido, levando à definição da verdade da maternidade divina.
“A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida. Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, em 431, que Maria se tornou, com toda a verdade, Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: ‘Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado de uma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne” (2).
“Efetivamente, a Virgem Maria é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus e do Redentor. Ao mesmo tempo, porém, é verdadeiramente ‘Mãe dos membros (de Cristo)’, porque cooperou com o seu amor para que, na Igreja, nascessem os fiéis, membros daquela Cabeça. Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja” (3).
Nossa Mãe
Do alto da cruz, Jesus nos dá sua mãe. Não precisamos andar sozinhos. Ela é o nosso modelo de cristã, a nossa porta para o Céu. “Quando Jesus viu sua mãe e, perto dela, o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’. E, dessa hora em diante, o discípulo a recebeu como sua mãe” (Jo 19, 26-27).
Além de ser Mãe de Deus, ela é nossa mãe por graça. “Esta maternidade na ordem da graça resultou da sua própria maternidade divina: porque, sendo ela, por disposição da divina Providência, mãe-nutriz do Redentor, foi associada à sua obra, de maneira única, como ‘amiga generosa’ e humilde ‘serva do Senhor, que cooperou… na obra do Salvador com a obediência e com a sua fé, esperança e caridade ardente, para restaurar nas almas a vida sobrenatural. E esta maternidade de Maria na economia da graça perdura sem interrupção… até à consumação perpétua de todos os eleitos” (4).
Porta do Céu
Pelo sim de Maria, podemos tocar o Céu. Pela sua adesão ao plano de Deus, a porta do Céu foi aberta para nós. Que possamos ser seus discípulos e, junto ao seu coração, aprender o que agrada ao Pai.
Um abençoado 2025, sob as graças da Virgem Santíssima, Mãe da Esperança.
Andressa Aparecida da Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator
Referências
1.Exortação Apostólica Marialis Cultus,25
2. Catecismo da Igreja Católica, 466
3.Catecismo da Igreja Católica, 963
4. Redemptoris Mater, 22



