Santa Teresinha: quando amar é continuar mesmo sem sentir

QUANDO AMAR É CONTINUAR MESMO SEM SENTIR

Santa Teresinha é lembrada pela pequena via, pela confiança, pela infância espiritual e pelo amor vivido nas pequenas coisas, mas existe um aspecto da sua vida que revela ainda mais a profundidade da sua fé: ela também conheceu a escuridão.

Nos últimos meses de sua vida, Teresa passou por uma dura prova interior. Aquilo que durante tanto tempo lhe pareceu claro começou a ficar escondido. O Céu, que sempre foi para ela fonte de alegria e esperança, já não lhe trazia a mesma consolação. Deus parecia silencioso. A fé continuava presente, mas já não vinha acompanhada de sentimento.

E talvez seja justamente aí que a vida de Teresa se torne tão próxima da nossa.

Muitas vezes, pensamos que ter fé é sentir paz, consolo e segurança. Quando rezamos e sentimos Deus perto, tudo parece mais simples. Mas existem períodos em que rezamos e não sentimos nada. Pedimos uma resposta e ela não vem. Procuramos uma luz e encontramos silêncio.

Nesses momentos, podemos pensar que nossa fé está enfraquecendo. Santa Teresinha nos mostra o contrário. A fé amadurece quando continuamos escolhendo Deus mesmo sem sentir sua presença. Ela não deixou de acreditar porque deixou de sentir. Continuou rezando, continuou amando, continuou confiando. Em vez de exigir uma consolação, decidiu permanecer. Isso é muito diferente de uma fé baseada apenas na emoção.

 

Teresa chegou a viver aquilo que poderíamos chamar de uma fé sem apoio sensível.

Ela não tinha mais a mesma alegria interior de antes, mas continuava dizendo sim a Deus. Continuava fazendo atos de fé. Continuava amando, e esse é um grande ensinamento da sua vida.

Amar a Deus não é apenas amá-Lo quando tudo faz sentido, é continuar quando não entendemos, é confiar quando não temos controle, é permanecer quando o coração está cansado, é escolher Deus também no silêncio.

 

A experiência de Teresa foi ainda mais profunda porque ela não viveu essa dor fechada em si mesma.

Sua provação fez com que se aproximasse interiormente daqueles que não conseguiam acreditar. Em vez de julgá-los, passou a sentir compaixão por eles. Ela transformou sua própria noite em oração, em amor.

A frase por nós tão conhecida, “minha vocação é o amor”, tem tanta força, e não por ser uma frase bonita, mas porque era o resumo de uma vida. É fácil amar quando tudo está bem, difícil é continuar amando quando já não há respostas claras.

Santa Teresinha nos ensina que Deus não deixa de estar presente porque nós deixamos de percebê-Lo. Às vezes, Ele parece escondido, mas continua no barco, continua caminhando conosco. Continua sustentando aquilo que, sozinhos, talvez não conseguiríamos sustentar.

 

A pequena via de Santa Teresinha

A pequena via de Santa Teresinha não é apenas um caminho de simplicidade, é também um caminho de confiança. Confiança quando vemos, confiança quando não vemos.

A santidade não é viver sempre cheio de certezas, mas continuar dizendo “sim” mesmo quando algumas respostas ainda não chegaram. Teresa viveu assim.

E talvez seja por isso que sua vida continue falando tão profundamente ao coração de quem também precisa aprender a crer no escuro.

E o que diz aquela bela canção “e quando da vida, Senhor, o Sol do amor se ausentar. Não vou me preocupar, porque sei, por entre as nuvens, Ele está a brilhar. E em mim nascerá, Senhor, do amor, a perfeita alegria e em Tuas asas, então, voarei na mais perfeita harmonia”.

 

Vanessa Ozelin 

Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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