Meditar os santos terços, para mim, sempre foi uma experiência de grande aprofundamento espiritual e de conexão com o Divino. No ritmo de dez Ave-Marias, momentos da vida de Jesus passam pela minha mente, levando-me a recordar e a me colocar na cena, vivendo-os juntamente com Ele. Além disso, essa oração me ajuda a viver meus próprios momentos e situações atuais assim como Jesus viveria.
A agonia de Jesus no horto das oliveiras
Quantas vezes, em nossas vidas, nós também nos entristecemos e nos angustiamos com aquilo que estamos vivendo. As situações são as mais diversas possíveis. Cada pessoa já viveu, vive ou viverá momentos de tristeza e angústia. Penso também que não só pelos acontecimentos em nossas próprias vidas, mas muitos de nós se angustiam pelo que acontece na vida de outras pessoas de nossos amados, de pessoas que admiramos. E isso é algo magnífico, pois mostra que nos importamos com o próximo, mostra amor, mostra empatia.
É nesses momentos que Jesus nos chama a “ficar com Ele e vigiar”. Confiar que Ele toma conta de tudo, que tudo está sob a Sua proteção e cuidado.
E não é difícil recordar momentos em que suplicamos ao Pai que afastasse de nós os nossos cálices, isto é, o motivo de nossas angústias. Porém, aqui Jesus acrescenta um ensinamento ao qual devemos sempre nos abrir: “Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”.
É sempre melhor o que Deus quer. Muitas vezes não vamos entender, mas temos que crer, pois no momento certo tudo se revelará. Devemos acreditar também que a vitória alcança a vida daqueles que amamos. O Senhor morreu por todos nós, e cada pessoa terá a sua história de redenção e de união com Cristo.
A flagelação de Jesus
“Libertou então Barrabás, mandou açoitar Jesus e lho entregou para ser crucificado” (Mateus 27,26).
Quantas vezes, em nossas vidas, parece que estamos sendo açoitados. Muitos dos nossos sofrimentos doem, machucam, ferem, e parece que não vamos aguentar. Como podemos viver a dor?
Ordenando-a para Cristo, somando-a aos sofrimentos de Cristo na cruz. Temos que realmente tomar a nossa cruz e seguir Jesus.Diversos serão os motivos pelos quais muitos de nós sofreremos. Vivemos em um mundo de seres humanos imperfeitos, mas capazes também de amar. Assim como Cristo amou a sua Igreja, morrendo por ela e levando para a cruz os nossos pecados, nós também podemos ter a certeza de que há um Cristo que nos acompanha em nossas dores especialmente nas dores daqueles que amamos. Quando alguém próximo de nós sofre, temos que crer e orar ao Pai, para que esteja também com eles, que são especiais para nós.
A coroação de espinhos
“Depois, trançaram uma coroa de espinhos, meteram-lha na cabeça e puseram-lhe na mão uma vara. Dobrando os joelhos diante dele, diziam com escárnio: ‘Salve, rei dos judeus!’” (Mateus 27,29).
Eu fico imaginando a dor na cabeça de Jesus nesse momento: espinhos entrando e perfurando diversas partes de sua cabeça. Ainda caçoaram dele e o maltrataram injustamente. E ele sofria tudo isso com resignação. Assim também somos nós.
Quais são os espinhos em nossas vidas?
Muitas vezes passamos por injustiças, seja em casa, no trabalho ou em outros lugares. Muitos espinhos doem, mas muitos também nos recordam que há um Cristo maior que todo sofrimento e que nos alcança em cada instante.
A subida dolorosa do calvário
“Passava por ali certo homem de Cirene, chamado Simão, que vinha do campo, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigaram-no a que levasse a cruz. Conduziram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer lugar do crânio” (Marcos 15,21-22).
Quantas vezes, em nossas vidas, é como se estivéssemos passando por um caminho doloroso, subindo para o Calvário. Associando com nossas vidas, penso em todos os “caminhos” que temos de percorrer. Nascemos, crescemos e, nesse percurso, somos convidados a trilhar um caminho de crescimento pessoal e espiritual. Somos convidados também a passar por um caminho de purificação e de crescimento em virtudes.
Nesse sentido, cada pessoa terá os seus desafios. Mas é importante que cada um faça essa “subida dolorosa”, pois ela não é fácil. Exige coragem, resiliência, constância, determinação e decisão.
É fundamental lembrar que muitos estarão ao nosso lado para nos ajudar. Assim como Simão de Cirene ajudou Cristo a levar a cruz, Deus coloca muitas pessoas em nossas vidas para nos sustentar em nossos fardos.
A morte de Jesus pregado a cruz
“Jesus de novo lançou um grande brado e entregou a alma” (Mateus 27,50).
Este momento, conhecido por todos nós, é de extrema importância para todos os cristãos. É o ápice do amor de Cristo por nós, o instante em que Ele entrega a sua vida por nós. Este momento nos convida a refletir profundamente em nossa vida pessoal. Ele nos afirma que o amor é sempre o melhor caminho. Não há nada acima da supremacia de Deus. Ele nos chama à compaixão e ao desapego dos bens desta vida. Este momento nos convida também a morrer para nossas paixões, para nossas vontades, para nosso egoísmo, para que possamos ter a vida que Cristo teve e, assim como Ele, um dia ressuscitar para a vida eterna.
Que o bom Deus nos abençoe.
Camila Zanetoni Martins
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator.



