Como viver uma verdadeira ação de graças na missa

Participar da Santa Missa é mergulhar no mistério da graça do amor de Deus. É o momento em que o céu toca a terra e a eternidade se faz presente em nosso tempo.

A Missa não é apenas um rito, mas o próprio sacrifício de Cristo renovado de modo incruento para a salvação do mundo. E é dentro desse mistério sublime que somos convidados a viver a mais profunda ação de graças que um coração humano pode oferecer: a comunhão com o próprio Cristo.

A palavra “Eucaristia” significa, em sua raiz grega, “ação de graças”. Assim, a Missa é, por excelência, a celebração do agradecimento, não um agradecimento superficial, mas o reconhecimento interior de que tudo o que somos e temos vem de Deus.

Viver uma verdadeira ação de graças na Missa é, portanto, entrar com o coração cheio de reverência, gratidão e amor, oferecendo a Deus não apenas palavras, mas a própria vida.

Como viver com inteireza a missa? 

Para viver essa experiência profundamente o primeiro passo é preparar o coração antes de entrar na igreja. A ação de graças começa antes mesmo de o sino tocar. É preciso recolher-se interiormente, silenciar a alma e reconhecer que se vai participar do Mistério do Calvário.

Quando atravessamos as portas do templo, deveríamos fazê-lo com o mesmo respeito com que Moisés se aproximou da sarça ardente: tirando as sandálias diante da presença de Deus. Porque ali, no altar, o Senhor se entrega novamente por amor a nós.

Não há verdadeira gratidão sem arrependimento, por isso, o rito penitencial é momento de humildade.  Reconhecer nossos pecados não é um gesto de tristeza, mas de confiança.

Entretanto dizemos “Senhor, tende piedade de nós”, abrimos espaço para que a misericórdia de Deus renove nosso coração. É neste ato de humildade que começa a verdadeira ação de graças, pois só um coração purificado é capaz de agradecer com sinceridade.

A Liturgia da Palavra é o banquete espiritual que prepara a alma para o encontro com Cristo. Ouvir as Escrituras com atenção, deixar que a Palavra toque e ilumine o coração, é uma forma de responder com gratidão.

Quando o Evangelho é proclamado, é o próprio Cristo que fala. Escutar com fé e deixar que Suas palavras encontrem morada em nós é um ato de adoração silenciosa, de gratidão viva.

O Ápice da Santa Missa. 

Mas o ápice da ação de graças acontece na Liturgia Eucarística. É ali que o pão e o vinho se tornam Corpo e Sangue de Cristo. Quando o sacerdote eleva a hóstia e o cálice, não é apenas um gesto ritual, é a oferta do Cordeiro de Deus renovando Sua entrega por amor.

Nesse momento, o coração do fiel deve unir-se à oferta de Cristo. É hora de colocar sobre o altar tudo o que somos: nossas alegrias, dores, intenções e esperanças. A verdadeira ação de graças não é apenas dizer “obrigado”, mas entregar-se com Cristo, participando de Seu sacrifício redentor.

Ao aproximar-se da Comunhão, o fiel é convidado a um encontro de amor. Cristo vem habitar em nós e o nosso “amém” é a palavra mais bela de gratidão que podemos pronunciar. É como se disséssemos: “Senhor, eu creio, eu te recebo, e a minha vida é tua”.

Neste instante, a alma experimenta a plenitude da graça. A comunhão é a resposta mais profunda à generosidade de Deus. É a união da criatura com o Criador, da sede humana com a fonte divina.

Depois de comungar, é preciso permanecer em silêncio interior, saboreando a presença do Senhor. Muitos se distraem nesse momento precioso, mas é ali que a verdadeira ação de graças acontece.

É hora de dialogar com Deus no coração, agradecer-Lhe pelas bênçãos recebidas e abrir-se à Sua vontade. Um coração grato não se apressa em sair da presença do Amado; permanece em adoração, mesmo que em silêncio, pois o amor fala sem palavras.

A graça da missa na vida cotidiana

A verdadeira ação de graças na Missa se prolonga na vida cotidiana. Não termina com o “Ide em paz”. Pelo contrário, é um envio. O fiel que viveu intensamente a Eucaristia sai transformado, levando consigo o perfume do altar. A Missa deve continuar no lar, no trabalho, nas pequenas atitudes de caridade, paciência e perdão.

Viver uma verdadeira ação de graças é viver eucaristicamente, ou seja, reconhecendo Deus em todas as coisas e devolvendo-Lhe tudo em amor.

Cristo Eucarístico é o centro e o sentido da nossa fé. Ele se dá a nós totalmente e espera de nós uma resposta sincera, não apenas com palavras, mas com gestos de vida.

A gratidão verdadeira se manifesta quando o coração aprende a dizer “sim” à vontade de Deus, mesmo nas provações. Ser eucarístico é viver com o coração aberto à graça, permitindo que cada respiração, cada ato, cada dor e cada alegria se tornem louvor.

Quando compreendemos que a Missa é o encontro do amor eterno com a nossa pequenez, o coração se enche de reverência. Tudo ganha outro significado: o canto, o ofertório, a oração, o silêncio. Nada é banal. Tudo é dom.

A Missa não é uma obrigação a cumprir, mas um dom a acolher. E quanto mais reconhecemos esse dom, mais profundamente vivemos a ação de graças.

Maria, a Mãe da Eucaristia. 

Maria, a Mãe da Eucaristia, é o modelo perfeito dessa atitude. Ela viveu em constante ação de graças, guardando tudo em seu coração.

No Calvário, permaneceu firme junto à cruz, oferecendo o Filho e oferecendo-se com Ele. Se quisermos aprender o verdadeiro sentido da gratidão eucarística, olhemos para Ela. Com Maria, aprendemos a dizer: “A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”

Viver uma verdadeira ação de graças na Missa é deixar que a nossa vida inteira se torne uma oferenda. É permitir que o altar se prolongue em nossos dias e que o “Amém” da comunhão ecoe em nossas atitudes. Quando o coração se abre à gratidão e à adoração, a Missa deixa de ser um rito exterior e se torna uma experiência viva de amor transformador.

Porque, no fim, viver a Eucaristia é deixar-se transformar pelo amor de Cristo, e essa é a mais perfeita ação de graças que o ser humano pode oferecer.

Márcia Pataro
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator.

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