As dificuldades fortalecem o amor 

AS DIFICULDADES FORTALECEM O AMOR 2

A natureza do amor

Para sabermos como as dificuldades fortalecem o amor, precisamos defini-lo de alguma forma. A pergunta “O que é o amor?” ressoa das vozes dos maiores filósofos e pensadores da história da humanidade, e com certeza não será o mero José Henrique (quem vos escreve) que responderá a essa pergunta. Sabemos, no entanto, que o amor não é meramente um sentimento passageiro ou uma emoção superficial, mas antes um comprometimento real de alguém envolvendo a totalidade do seu ser.

Sendo Cristo o exemplo perfeito de homem, Ele nos disse: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,12). Isto é, Cristo não fala de sentimentalismo ou palavras bonitas, mas de uma ação. Amar, portanto, é imitar a Cristo, este que se deu inteiramente e, por assim dizer, se comprometeu com a humanidade na totalidade de seu ser.

Formas do amor

Este amor de que Cristo fala se manifesta de diversas formas, cada qual com suas próprias características:

  • Eros: Esse tipo de amor é frequentemente associado ao amor entre o homem e a mulher, pois caracteriza uma atração intensa e um desejo de união. No entanto, não podemos nos confundir: o eros não é esse amor supérfluo que muitas vezes vemos nos filmes. Ele é também uma decisão, mas uma decisão intensa, cheia do desejo de união.
  • Philia: Este é o amor mais próximo do amor entre amigos e familiares, ou seja, é o amor de um afeto profundo, de laços e afinidade.
  • Ágape: Este é o amor mais elevado, aquele que se doa a todos, sem laços ou afinidade, até mesmo aos inimigos.

Assim, estes são os amores com que Cristo amou a humanidade, desejando se unir a nós de forma íntima e apaixonada, sendo o esposo das nossas almas; nos elevando a ponto de não sermos mais chamados servos, mas amigos de Cristo, o próprio Deus (Jo 15,15); entregando-se a todos sem reservas na Sua cruz, perdoando todos os homens, para que todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3,16).

Na encíclica Deus Caritas Est, o Papa Bento XVI nos explica: “O amor é de fato ‘êxtase’, não no sentido de um momento de embriaguez, mas sim como caminho, êxodo permanente do eu fechado em si mesmo para a sua libertação no dom de si e, deste modo, para o reencontro de si, mais ainda, para a descoberta de Deus.” É importantíssimo que tenhamos essa visão do amor. O amor é êxtase, não é algo que passa, não é insuficiente; o amor vale a pena e é êxtase.

Dificuldades como teste de amor

É inevitável que encontremos dificuldades nas nossas vidas. Elas surgem de diversas formas e podem testar os limites do nosso amor e da nossa entrega. No entanto, é importante que saibamos que é precisamente nesses momentos que provamos a verdadeira natureza do amor. Ou seja, nas dificuldades, somos capazes de nos comprometer com o outro de forma mais pura e sincera.

Neste momento, os desafios não são simples obstáculos a serem superados, mas uma oportunidade real de se comprometer. Diria até que, nesses momentos, o espírito do coração de quem ama não diz “eu te amo apesar desses obstáculos”, mas “eu te amo por esses obstáculos”. E pode apostar, meu caro leitor, que, quando saímos dos momentos de dificuldades, voltamos com um amor muito mais genuíno e forte. A alegria em amar é muito maior; afinal, depois da cruz vem a ressurreição, a glória de Deus.

Amor de esperança

Nesses momentos, o amor é esperança. É comum que, nessas situações de dificuldades, só vejamos o escuro e não enxerguemos a luz no fim do túnel. Portanto, aquele que ama é aquele que espera, na certeza de que essa luz virá. “A paciência prova a fidelidade, e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rm 5,4-5).

Assim, é na espera que se encontra o seu amor, e é lá que o Espírito te espera. É na certeza da vitória, na espera daqueles que se foram, na certeza do reencontro!

Portanto, caro leitor, convido você a não temer as dificuldades que a vida nos apresentará. Que possamos encará-las não como um fardo, mas como um convite a um amor mais profundo, um alargamento dos nossos corações. Lembre-se: o amor não é só um sentimento, mas um compromisso, e um compromisso que não pode ser abalado, nem pelas grandes muralhas, nem pelos grandes mares, nem pela distância.

José Henrique Hissung Botelho de Andrade
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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