Quanto tempo dura a culpa?
A nossa humanidade padece nesta culpa, mas, se pararmos para pensar, este mal foi reparado por Jesus Cristo, o nosso Salvador.
Pensando um pouco mais sobre este acontecimento, no início da Palavra nos é dito: “A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha formado” (Gn 3,1). O filme Oficina do Diabo representa bem como satanás continua usando a mesma sugestão e tentação até hoje, mas sempre com uma fala sorrateira: “não é bem assim”, “não é tudo isso”.
A serpente disse: “Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses” (Gn 3,5). Eva, naquele momento, fica intrigada, e a serpente põe em dúvida aquilo que antes não parecia ser um problema.
Mas pensemos um pouco em Adão e Eva antes da queda. Eles viviam no paraíso, nada lhes faltava, tinham tudo. Satanás não aceita o plano de Deus para o homem. Adão e Eva não tinham preocupação alguma. Tudo lhes vinha de Deus, e toda a criação era submetida ao homem, que era rei e filho da criação junto de Deus.
Por muito tempo fui muito raivosa com Eva, pensando em tudo o que sua escolha trouxe: a dor, o sofrimento, a cólica, a dor do parto. Mas hoje, com mais consciência, sei que não é tão simples assim. Eva foi enganada. Ela não deveria ter dialogado com o inimigo, mas dialogou, como tantas vezes eu também faço.
Quantas vezes permito palavras de mentira entrarem em mim? Quantas vezes aceito sugestões que contradizem a verdade? Mentiras de que não sou amada, de que não sou capaz de amar, tudo aquilo que contradiz a verdade da minha criação.
E qual é a verdade?
A verdade é que minha vida é fruto do amor. Fui criada para amar, porque a minha criação clama a criação divina.
A Palavra diz: “O homem e a mulher estavam nus, e não se envergonhavam” (Gn 2,25). Mas, após a culpa, Adão diz: “Tive medo, porque estava nu, e escondi-me” (Gn 3,10). O homem não se envergonhava. Estar nu aqui representa liberdade, a plenitude de Deus. O homem via a glória de Deus, convivia com Ele e se alimentava da Sua presença. O homem era amigo de Deus, era visitado por Ele todos os dias. Nenhum sentimento ou pensamento o perturbava. Ele vivia com Deus. O homem tinha tudo, passeava pelo Éden e encontrava Deus, como nós encontramos um amigo muito amado e, naquele momento, nada mais importa além daquela presença.
O homem conversava com Deus, corria ao lado de Deus, sonhava com Ele. Então Deus fez o homem e a mulher: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-os à imagem de Deus; criou o homem e a mulher” (Gn 1,27).
Deus, em Sua infinita bondade, quis nos dar a Sua própria imagem. Ele nos deu o Seu bem maior. E Ele não desistiu da humanidade. Por isso, diante de toda a luta pela Sua criação, enviou Seu Filho unigênito para morrer por nós. E não foi qualquer morte, mas a morte mais humilhante.
O Deus Santo se fez homem e habitou entre nós. Jesus assumiu nossa humanidade frágil para nos mostrar que ainda somos capazes, pela graça de Deus, de voltar a ser habitantes do céu.
Mônica Alves
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator



