Serviço Geológico do RJ monta base emergencial em Nova Friburgo

O Serviço Geológico do Estado do Rio de Janeiro estabeleceu no município de Nova Friburgo uma base para o trabalho de emergência na região serrana fluminense, assolada pelas chuvas desde a semana passada. Duas equipes de geólogos auxiliam as defesas civis do estado e dos municípios a identificar as áreas com risco iminente para interdição e desocupação imediata dos imóveis.

“É preciso proteger o pessoal que está trabalhando lá e evitar que, caso as chuvas voltem, tenha mais mortes”, disse hoje (17) à Agência Brasil o diretor de Geologia do serviço, Francisco Dourado. Nesta segunda-feira (17) , foram vistoriadas 15 áreas em Nova Friburgo. “O nosso objetivo é tentar poupar vidas”, reiterou.

No ano passado, 36 municípios fluminenses estavam no topo da escala de risco de deslizamentos de terra. Destes, cinco ou seis já tinham mapeado algumas áreas por iniciativa das próprias prefeituras, com recursos do Ministério das Cidades, revelou Dourado. “O Serviço Geológico mapeou os outros 30 [municípios]. E, graças a Deus, nenhum dos municípios que a gente mapeou sofreu tanto nesse verão”.

Diferentemente de Teresópolis e Nova Friburgo, que concentraram o maior número de desabamentos e mortes, os municípios de Areal, São José do Rio Preto e Bom Jardim sofreram mais com as enchentes e menos com deslizamentos de terra, afirmou o diretor. “O que a gente faz é marcar, identificar as áreas que não podem ser ocupadas porque ali vai deslizar. A gente pode evitar o acidente porque não vai ter pessoas ali”. O processo de mapeamento, porém, não é rápido.

Segundo o especialista, tampouco se esperava que ocorresse uma tragédia de semelhantes proporções em Teresópolis porque, “historicamente, as áreas afetadas não tinham tradição de escorregamentos tão grandes”. Anteriormente, haviam sido registrados acidentes mais ao sul, na área urbana. E, agora, os grandes deslizamentos ocorreram mais ao norte dos municípios. Em Petrópolis, por exemplo, isso ficou bem claro, porque as áreas atingidas não tinham uma população totalmente fixa. Nos locais mais afetados predominavam as residências de veraneio, disse Dourado.

Já em Nova Friburgo, Francisco Dourado disse que algumas áreas já eram mapeadas com esse problema. “O mapeamento identificava algumas áreas de risco. Só que a proporção foi muito maior do que a gente esperava”.

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