Um estudo revela que a história geológica contradiz Darwin

MADRI, 11 Nov. 10 / 11:22 am (ACI/Europa Press).- A teoria de Charles Darwin da evolução gradual não é compatível com a história geológica, conclui o geólogo da Universidade de Nova Iorque Michael Rampino em um ensaio publicado na revista Historical Biology.

De fato, Rampino apóia uma teoria mais precisa da evolução gradual, que postula que os longos períodos de estabilidade evolutiva se vêem afetados pelas extinções em massa de vida, e que foi proposta pelo escocês Patrick Matthew antes que Darwin publicasse sua obra sobre o tema.

“Matthew descobriu e claramente enunciou a idéia de seleção natural, aplicando-a à origem das espécies, e a pôs no contexto de um registro geológico marcado por extinções em massa catastróficas seguidas de adaptações relativamente rápidas”, diz Rampino, cuja investigação sobre os eventos catastróficos inclui estudos sobre as erupções vulcânicas e os impactos de asteróides.

“À luz da recente aceitação da importância das extinções catastróficas em massa na história da vida, talvez seja hora de reconsiderar o ponto de vista evolutivo de Patrick Matthew, muito mais consonante com as idéias atuais sobre a evolução biológica que a visão de Darwin”.

Matthew (1790-1874) publicou uma declaração sobre a lei da seleção natural no apêndice ao seu livro de 1831 ‘Madeira Naval e Arboricultura’. Apesar de que tanto Darwin e seu colega Alfred Russel Wallace reconheceram que Matthew foi o primeiro em estabelecer a teoria da seleção natural, os historiadores atribuíram sua gênese a Darwin e Wallace. Os cadernos de Darwin mostram que chegou a esta idéia em 1838, e compôs um ensaio sobre a seleção natural já em 1842, anos depois de que o trabalho de Matthew aparecesse. A teoria de Darwin e Wallace foi apresentada oficialmente em 1858 em uma reunião da sociedade científica em Londres. ‘A Origem das Espécies’ de Darwin apareceu um ano depois.

No apêndice de ‘Madeira Naval e Arboricultura’, Matthew descreveu a teoria da seleção natural em uma forma que mais tarde foi ecoada por Darwin: “Há uma lei natural universal na natureza, que tende a fazer que de todos os seres reproduzidos sobreviva o melhor adequado à sua condição … À medida que o âmbito da existência é limitado, são apenas os mais resistentes, mais robustos, e melhor adaptados às circunstâncias particulares, que são capazes de lutar para alcançar a maturidade…”.

Entretanto, na explicação das forças que intervieram neste processo, Matthew viu os eventos catastróficos como um fator primordial pelo qual as extinções massivas foram cruciais para o processo da evolução. Quando Darwin publicou sua ‘Origem das Espécies’ quase três décadas mais tarde, rechaçou explicitamente o papel da mudança catastrófica na seleção natural: “A velha idéia de que todos os habitantes da Terra foram varridos por catástrofes em períodos sucessivos é muito geral, e se deu por vencida” escreveu.

Por outro lado, Darwin esboçou uma teoria da evolução apoiada na contínua luta pela sobrevivência entre os indivíduos dentro das populações de espécies existentes. Este processo de seleção natural, segundo ele, deveria dar lugar a mudanças graduais nas características de organismos sobreviventes.

Entretanto, como assinala Rampino, agora se entende comumente que a história geológica está marcada por longos períodos de estabilidade com mudanças ecológicas que ocorrem em forma episódica e rapidamente, pondo em dúvida a teoria do Darwin de que “a maioria das mudanças evolutivas se realizaram muito paulatinamente pela competição entre os organismos cada vez melhor adaptados a um ambiente relativamente estável”.

“A contribuição de Matthew foi ignorada em grande medida no seu momento e, com poucas exceções, em geral, só merece uma nota ao pé de página nos desenvolvimentos modernos do descobrimento da seleção natural”, conclui Rampino. Outros disseram que a tese de Matthew foi publicada em um lugar muito escuro para ser vista pela comunidade científica, ou que a idéia estava tão adiantada ao seu tempo que não podia conectar-se com os conhecimentos geralmente aceitos, informa a Universidade de Nova Iorque.

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