Ser sacerdote no mundo de hoje tem sentido, disse o Papa Bento XVI aos seminaristas

VATICANO, 18 Out. 10 / 01:49 pm (ACI).- Em sua carta enviada hoje aos seminaristas de todo o mundo, o Papa Bento XVI explica que no mundo de hoje marcado pelo predomínio tecnológico e a globalização, “Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir”.

No dia em que a Igreja recorda a São Lucas o evangelista e depois da conclusão do Ano Sacerdotal, o Santo Padre relata que quando em 1944 foi chamado ao serviço militar lhe perguntaram o que queria ser no futuro. Ele respondeu que queria ser sacerdote católico e lhe disseram que “nesse caso, convém-lhe procurar outra coisa qualquer; na nova Alemanha, já não há necessidade de padres”.

Diante das “enormes devastações causadas por aquela loucura no país, mais do que nunca haveria necessidade de sacerdotes”.
“Hoje, a situação é completamente diversa; porém de vários modos, mesmo em nossos dias, muitos pensam que o sacerdócio católico não seja uma «profissão» do futuro, antes pertenceria já ao passado”, continuou o Pontífice.

Dirigindo-se aos seminaristas, Bento XVI afirma que os sacerdotes são necessários porque os homens têm necessidade de Deus, “do Deus que Se mostrou a nós em Jesus Cristo e nos reúne na Igreja universal, para aprender, com Ele e por meio d’Ele, a verdadeira vida e manter presentes e tornar eficazes os critérios da verdadeira humanidade”.

“Sempre que o homem deixa de ter a noção de Deus, a vida torna-se vazia; tudo é insuficiente. Depois o homem busca refúgio na alienação ou na violência, ameaça esta que recai cada vez mais sobre a própria juventude. Deus vive; criou cada um de nós e, por conseguinte, conhece a todos. É tão grande que tem tempo para as nossas coisas mais insignificantes: «Até os cabelos da vossa cabeça estão contados». Deus vive, e precisa de homens que vivam para Ele e O levem aos outros. Sim, tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir”.

A seguir o Papa explica uma série de características que deve ter aquele que deseja ser sacerdote, começando por ser “um homem de Deus” que sendo seu mensageiro entre os homens se entregue constantemente à oração: “Por isso, é importante que o dia comece e acabe com a oração; que escutemos Deus na leitura da Sagrada Escritura; que Lhe digamos os nossos desejos e as nossas esperanças, as nossas alegrias e sofrimentos, os nossos erros e o nosso agradecimento por cada coisa bela e boa, e que deste modo sempre O tenhamos diante dos nossos olhos como ponto de referência da nossa vida”.

“Assim tornamo-nos sensíveis aos nossos erros e aprendemos a trabalhar para nos melhorarmos; mas tornamo-nos sensíveis também a tudo o que de belo e bom recebemos habitualmente cada dia, e assim cresce a gratidão. E, com a gratidão, cresce a alegria pelo facto de que Deus está perto de nós e podemos servi-Lo”.

O Papa se referiu logo à centralidade da Eucaristia e da liturgia, que “plasme verdadeiramente toda a nossa vida com o esplendor do seu amor divino. Para uma reta celebração eucarística, é necessário aprendermos também a conhecer, compreender e amar a liturgia da Igreja na sua forma concreta. Na liturgia, rezamos com os fiéis de todos os séculos; passado, presente e futuro encontram-se num único grande coro de oração. A partir do meu próprio caminho, posso afirmar que é entusiasmante aprender a compreender pouco a pouco como tudo isto foi crescendo, quanta experiência de fé há na estrutura da liturgia da Missa, quantas gerações a formaram rezando”.

Em seguida o Papa destaca a importância do sacramento da Penitência que “ensina a olhar-me do ponto de vista de Deus e obriga-me a ser honesto comigo mesmo; leva-me à humildade. Uma vez o Cura d’Ars disse: Pensais que não tem sentido obter a absolvição hoje, sabendo entretanto que amanhã fareis de novo os mesmos pecados. Mas – assim disse ele – o próprio Deus neste momento esquece os vossos pecados de amanhã, para vos dar a sua graça hoje. Embora tenhamos de lutar continuamente contra os mesmos erros, é importante opor-se ao embrutecimento da alma, à indiferença que se resigna com o facto de sermos feitos assim. Na grata certeza de que Deus me perdoa sempre de novo, é importante continuar a caminhar, sem cair em escrúpulos mas também sem cair na indiferença, que já não me faria lutar pela santidade e o aperfeiçoamento. E, deixando-me perdoar, aprendo também a perdoar aos outros; reconhecendo a minha miséria, também me torno mais tolerante e compreensivo com as fraquezas do próximo”.

Tempo de estudo

Logo depois de alentar o gosto pela piedade popular, o Papa ressalta que o tempo do seminário é fundamentalmente para o estudo e exorta os seminaristas: “vos peço insistentemente é isto: Estudai com empenho! Fazei render os anos do estudo! Não vos arrependereis. É certo que muitas vezes as matérias de estudo parecem muito distantes da prática da vida cristã e do serviço pastoral”.

“Mas é completamente errado pôr-se imediatamente e sempre a pergunta pragmática: Poderá isto servir-me no futuro? Terá utilidade prática, pastoral? É que não se trata apenas de aprender as coisas evidentemente úteis, mas de conhecer e compreender a estrutura interna da fé na sua totalidade, de modo que a mesma se torne resposta às questões dos homens, os quais, do ponto de vista exterior, mudam de geração em geração e todavia, no fundo, permanecem os mesmos”.

Neste estudo, também tem um papel primordial “conhecer a fundo e integralmente a Sagrada Escritura, na sua unidade de Antigo e Novo Testamento: a formação dos textos, a sua peculiaridade literária, a gradual composição dos mesmos até se formar o cânon dos livros sagrados, a unidade dinâmica interior que não se nota à superfície, mas é a única que dá a todos e cada um dos textos o seu pleno significado” assim como conhecer o magistério e os ensinamentos fundamentais da Igreja.

Logo depois de comentar que também é necessário entender a filosofia para compreender “a compreensão daquele indagar e questionar humano ao qual a fé quer dar resposta”, Bento XVI sublinha a importância de conhecer o direito canônico e ressalta que “sem a Igreja que crê, a teologia deixa de ser ela própria e torna-se um conjunto de disciplinas diversas sem unidade interior”.

O Papa Bento se refere logo à origem das vocações que agora são mais diversos e variados que no passado, e explica que é necessário que o seminário deve considerar uma “comunidade em caminho que está acima das várias formas de espiritualidade. Os movimentos são uma realidade magnífica; sabeis quanto os aprecio e amo como dom do Espírito Santo à Igreja. Mas devem ser avaliados segundo o modo como todos se abrem à realidade católica comum, à vida da única e comum Igreja de Cristo que permanece uma só em toda a sua variedade. O Seminário é o período em que aprendeis um com o outro e um do outro”.

Depois de alentar à tolerância para avançar generosamente no caminho do seminário, o Santo Padre comenta que com estas linhas “quis mostrar-vos quanto penso em vós precisamente nestes tempos difíceis e quanto estou unido convosco na oração”.

“Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser. Rezai também por mim, para que possa desempenhar bem o meu serviço, enquanto o Senhor quiser”, conclui.

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