Papa confessa «choque enorme» perante dimensões dos casos de abusos sexuais sobre menores, assume erros, mas critica tentativas de «desacreditar» a Igreja

Num livro- entrevista, Bento XVI assume que a dimensão dos casos de abusos sexuais sobre menores por parte de membros do clero e em instituições da Igreja foi “um choque enorme”.
Falando com o jornalista alemão Peter Seewald, Bento XVI lembrou que conhecia “os factos”, por ter presidido à Congregação para a Doutrina da Fé, acompanhando em particular a situação nos EUA e na Irlanda.


Ainda assim, o Papa mostra-se chocado e lamenta que estes casos tenham prejudicado a imagem dos sacerdotes católicos em todo o mundo.
“Ver o sacerdócio repentinamente conspurcado deste modo, e com isso a própria Igreja Católica, foi difícil de suporta. Naquele momento, contudo, era importante não desviar o olhar do facto de que na Igreja existe o bem e não apenas estas coisas terríveis”.
Bento XVI recorda os vários encontros que manteve com as vítimas destes abusos e as indicações dadas, já em 2006, num discurso aos bispos irlandeses, para que se evite a repetição destes casos no futuro.
Na entrevista, o Papa diz que, durante a revelação destas situações, “era evidente que a acção dos media não era guiada somente pela pura busca da verdade”.
Bento XVI diz que muitos se comprazeram em “colocar a Igreja na berlinda e, se possível, desacreditá-la”.
Ainda assim, o Papa frisa que isto só se verificou “porque o mal estava dentro da Igreja”.
A respeito do sacerdócio, Bento XVI volta a afirmar a oposição da Igreja Católica à ordenação de mulheres, considerando que “não se trata de não querer, mas de não poder”, porque a Igreja não é “um regime do arbítrio”.
“Não podemos fazer o que queremos, há uma vontade do Senhor para nós, à qual nos agarramos, mesmo que seja fatigante e difícil na cultura e na civilização de hoje”, precisou.
Para o Papa, as funções confiadas às mulheres são “tão grandes e significativas que não se pode falar de discriminação”, acrescentando que “em diversas ocasiões, as mulheres definiram mais o rosto da Igreja do que os homens”.
O livro “Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos” resulta de uma conversa entre Bento XVI e Seewald – (que já por duas vezes tinha entrevistado Joseph Ratzinger, ainda cardeal) – na residência pontifícia de Castel Gandolfo, perto de Roma, entre os dias 26 e 31 de Julho deste ano.

Radio Vaticano

Tags:
Compartilhe:
Faça a sua doação e ajude a manter a nossa comunidade ativa e próspera

Conteúdos Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ao continuar a navegar ou clicar em "Aceitar todos os cookies", você concorda com o armazenamento de cookies próprios e de terceiros em seu dispositivo para aprimorar a navegação no site, analisar o uso do site e auxiliar em nossos esforços de marketing.
Políticas de Cookies
Configurações de Cookies
Aceitar todos Cookies
Ao continuar a navegar ou clicar em "Aceitar todos os cookies", você concorda com o armazenamento de cookies próprios e de terceiros em seu dispositivo para aprimorar a navegação no site, analisar o uso do site e auxiliar em nossos esforços de marketing.
Políticas de Cookies
Configurações de Cookies
Aceitar todos Cookies