Critério de grandeza não é o domínio mas sim o serviço: Bento XVI durante o Consistório para a criação de 24 novos Cardeais

Durante uma cerimonia que decorreu na Basílica de S. Pedro, Bento XVI criou neste sábado 24 novos cardeais.
Após a saudação litúrgica o Papa leu a fórmula de criação e proclamou solenemente os nomes dos novos cardeais, para os unir com “um vínculo mais estreito à Sé de Pedro”, tornando-se membros do clero de Roma.
Em seguida, o cardeal Angelo Amato, primeiro do elenco, pronunciou um discurso de homenagem a Bento XVI, em nome de todos. Recordou que não obstante os desafios, as dificuldades e as perseguições, a Igreja de Cristo não cessa de proclamar cada dia, em todas as partes do mundo o amor de Deus pelos homens, de irradiar em todo o lado a luz do Evangelho, de insistir no anuncio da Palavra de Deus. E – salientou – não se pode iludir o risco de não ser compreendidos, de ser recusados, e de ter de estar dispostos também ao testemunho extremo.


Depois da proclamação das leituras o Papa proferiu a sua homilia onde recordou que o estilo de vida de Jesus que não veio para ser servido mas para servir, deve estar na base das novas relações no interior da comunidade cristã e de uma nova maneira de exercer a autoridade.
Comentando o trecho do Evangelho Bento XVI sublinhou o facto de diante de Jesus os discípulos terem revelado a sua dificuldade a compreender e a efectuar o necessário êxodo de uma mentalidade mundana para a mentalidade de Deus, continuando a procurar posições de prestigio e a gloria pessoal.
Mas Jesus – recordou o Papa dirigindo-se aos novos cardeais que vestem de cor vermelha porque são chamados a servir a Igreja até ao derramamento do próprio sangue – sintetiza a sua missão sob a categoria do serviço, entendido não em sentido genérico, mas em sentido concreto da Cruz, do dom total da vida como resgate, como redenção para muitos, e indica-o como condição para a sua sequela.
O olhar – acrescentou o Papa – vai para o comportamento que correm o risco de assumir aqueles que são considerados os governantes das nações: dominar e oprimir. Porém na Igreja não é assim, existe um estilo diferente: é uma mensagem – disse ainda o Papa – que vale para os Apóstolos, vale para a Igreja inteira, vale sobretudo para aqueles que têm tarefas de guia do Povo de Deus.
Não é a lógica do domínio, do poder segundo critérios humanos – concluiu Bento XVI – mas a lógica do inclinar-se para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da cruz que está na base de qualquer serviço de autoridade. Em todos os tempos a Igreja empenhou-se a conformar-se a esta lógica e a testemunhá-la para fazer transparecer a verdadeira Senhoria de Deus, a do amor.
Depois da homilia papal, teve lugar a profissão de fé e o juramento dos novos cardeais, de fidelidade e obediência ao Papa e seus sucessores, “a Cristo e o seu Evangelho”.
Cada um deles aproximou-se do Papa e ajoelhou-se, então, para receber o barrete cardinalício, que Bento XVI impôs pronunciando a fórmula “vermelho como sinal da dignidade do cardinalato, significando que deveis estar prontos a comportar-vos com fortaleza, até à efusão do sangue, pelo aumento da fé cristã, pela paz e a tranquilidade do povo de Deus e pela liberdade e a difusão da Santa Igreja Romana”.
Nesta altura, o Papa atribuiu a cada cardeal uma igreja de Roma (título ou diaconia) – simbolizando a participação na solicitude pastoral do Papa na cidade – e a bula de criação cardinalícia. Um abraço de paz selou este momento.
O rito conclui-se com a recitação do Pai-Nosso e a bênção final.

Radio Vaticano

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